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A mostrar mensagens de Setembro, 2010

Fugi de mim

Lembranças

Carrinha branca, carrinha amarela

Já se passaram mais de trinta anos, aliás, já se passaram quase quarenta anos, e ainda consigo ver aquela menina pequenina, com uma carinha gorduchinha, cabelos frisados, o cestinho de verga contendo o lanche, na mão. Os olhos perdidos no longe, tão caladinha, tão quietinha no meio do barulho das outras crianças. Todos corriam, brincavam, gritavam, riam, daquela maneira estranha que só as crianças conseguem. Ela não. Estava sentada, sozinha, a rezar a todos os santos do mundo que ninguém olhasse para ela. Que ninguém a visse, que ninguém fosse ter com ela! Nos olhos, as lágrimas teimavam em surgir, apesar dos esforços que ela fazia para as prender: “- Não vou chorar, não vou chorar. Ninguém me vai ver a chorar. Já está a passar. Já quase não estou triste. Não vou chorar!” De vez em quando, algum dos colegas olhava para ela e seguia. Era quase como se ela fosse invisível, e desde que não estivesse sentada num lugar pretendido por alguém, era bem capaz que conseguisse estar sossegada at…