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A mostrar mensagens de Janeiro, 2011

Para ti, minha maninha linda...

Lembras-te? Não foi assim há tanto tempo! Éramos as duas pequenitas e assustadas. Fugíamos para o nosso quarto, quando eles gritavam lá dentro. Quando ele berrava e os gritos saiam pelas janelas podres, para a rua. Para a varanda que também era da vizinha, para o pátio grande que era de todos. Lembras-te de quando a cadela da vizinha, malvada cadela aquela, ladrava furiosamente por baixo das nossas janelas? E quando ele saía para a varanda a gritar e a berrar, a mandar o “cão dos infernos”calar-se? E quando a vizinha fingia que não ouvia e corria para casa, com a cadela nos calcanhares? Lembras-te de como fazíamos desenhos e conversávamos baixinho, sem fazer barulho, para ele não nos ouvir? E tínhamos tanto medo do que se podia estar a passar na cozinha, e tínhamos tanta vergonha depois de sair para a rua, e todos olharem para nós, e comentarem e falarem sobre “esses que vieram de África e têm uma vida tão esquisita!”… Lembras-te de tantas vezes em que ela lhe respondia, e discutia e nós…

Um papel antigo

Encontrei, há dias, entre os papeis antigos do meu pai, uma carta, ou bilhete, uma confissão talvez, anónima, perdida entre recordações de um tempo que foi outro, uma voz de fantasma que se erguia no meio do pó do passado. O que o bilhete dizia, era o seguinte: “Tantas vezes me tenho perguntado o que leva as pessoas comuns a quererem continuar a viver! Se o ideal é uma situação, em que não se esteja triste demais, nem alegre demais, o que encontram as pessoas que as motive a existir? Eu, pelo menos, tenho os meus dias gloriosos de felicidade estonteante! Tenho dias em que me sinto tão esfusiante de alegria, que me apetece sair pelas ruas a beijar e abraçar toda a gente! Aqueles dias em que tudo à minha volta, parece pintado com cores douradas, tudo parece coberto por pós de ouro mágicos! Quase que consigo estender as mãos e apanhar as flores maravilhosas que tombam dos céus aos montes, só para me alegrar! Canto de manhã à noite, danço, faço planos mirabolantes, construo e reconstruo os …