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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011

Até quando...

Não sei até quando, Deus me vai continuar a dar a mão… Não sei até quando vou poder contar com a Sua doce protecção. Até quando vou poder insistir em cometer os mesmos erros, sem aprender, sem me emendar e mesmo assim ter Deus á minha espera, para me perdoar. De cada vez que erro, de cada vez que magoo alguém, que me magoo, que desiludo aqueles a quem só devia dar alegrias, de cada uma dessas vezes, choro e bato no peito, descabelo-me e juro solenemente que nunca mais… nunca, nunca mais! E Deus acredita em mim. E Deus dá-me uma nova oportunidade, uma nova chance de fazer melhor, de concertar os estragos. Deus apaga da mente das pessoas as minhas maldades, lava com sabão do Céu as minhas asneiras, dá-me de novo uma tela imaculada para eu recomeçar. Deus põe nos lábios das pessoas a quem magoo, um sorriso aberto e pronto a esquecer. E, pronto, lá vou eu e estrago tudo outra vez. Lá abro a boca para dizer a palavra cínica, o comentário irónico, a piada mordaz. Lá mostro cara feia ao que nã…

Tive saudades do meu periquito

Tive saudades do meu periquito, e fui buscá-lo à rua. Aqui há dias, cansada do barulho ensurdecedor que ele fazia, na cozinha, pu-lo, junto aos outros passarinhos, no quintal. Ele lá ficou, caladinho e murcho, pendurado entre duas gaiolas, a espreitar a medo para os novos vizinhos. Não o ouvi fazer mais barulho, nem o vi a brincar com o sino dele, ficava simplesmente ali, calado, como quem espera… Em casa, na cozinha, reinou o silêncio e a ordem. Nada de gritaria de madrugada, nada de restos de alpista a precisarem de ser varridos a toda a hora, nada de salpicos de água no espelho, nada de nada. Nada mesmo. Tudo em paz! Mas, sempre que passava em frente ao sítio que tinha sido da gaiola dele, enchia-me de tristeza. Lembrava-me que ele brincava com o sino de plástico, que ele gostava de se ver no espelho da cozinha por trás da gaiola, que se deixava agarrar na mão, cantarolava e quase assobiava quando ouvia certos barulhos engraçados… Lembrava-me de como ele dava voltas sobre ele próprio …

Cor-de-laranja

Cor de laranja, é a cor que me vem sempre à memória, quando me lembro da minha terra. O sol de lá brilhava tanto, era tão lindo! O céu, aquele nosso céu, tinha um azulão forte e gostoso. O calor fazia o alcatrão peganhento debaixo das sandálias, ou dos chinelos abertos. As trovoadas eram fortes como ralhetes de um Deus enraivecido. E os relâmpagos? Que coisa mais linda! Cruzavam a noite dos céus como faíscas de luz, iluminavam as estradas, os campos, entravam pelas vidraças adentro! A chuva torrencial que caía sem piedade por sobre todas as coisas, e por sobre todas as pessoas, lavando a jacto as poeiras, as maleitas, as moscas. Mas o mais espantoso eram as noites!… Quem nunca viu uma noite tropical, não sabe o que é um céu estrelado. Estrelado a sério. As estrelas eram tantas, mas tantas, que quase tapavam o negro aveludado do céu. Eu ficava, pela varanda da sala, a olhar em adoração aquele espectáculo tão belo! Já para não falar nas acácias. As acácias eram uma coisa! De ambos os la…

Vi-me ao espelho

Ontem vi-me ao espelho, e encontrei mais uma ruga. Ainda não tinha dado conta desta. Ao lado do olho direito, fina, comprida, mais visível quando estou séria do que quando sorrio. Os meus olhos perderam-se dentro da imagem que me fitava do outro lado do vidro brilhante. Vi, como se naquele instante, a menina pequenina e gorducha. Sempre triste com o cabelo crespo, sempre com saudades de alguma coisa ou de alguém. Depois, já maiorzinha, enredada nos conflitos próprios da escola, das melhores amigas e dos resultados das provas, da aprovação de ano, dos deveres para entregar, dos apontamentos para decorar. Ainda mais para a frente, adolescente já, toda ocupada com as músicas da moda, com as roupas que ficavam bem, com os posters de cantores, com os sapatos, os penteados. Reconheci a imagem da moça bonita, bem feita de corpo, rodeada de rapazes, de namorados, doutros que não eram namorados oficiais, mas eram quase. Sempre ás voltas com algum amor do passado, do presente, sempre atarefada a…