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A mostrar mensagens de Junho, 2011

Palavras mágicas

Palavras são coisas mágicas… As palavras acompanham-nos nas horas boas de felicidade, consolam-nos com cuidado nos momentos mais tristes, mostram a quem amamos como é verdadeiro o nosso amor, convidam, sugerem, insinuam, ou pelo contrário, ajudam a manter à distância quem não estamos interessados em deixar aproximar. Ajudam-nos a explicar o que queremos, de que forma queremos, até o quando, o aonde e o porquê das coisas que nos acontecem, ou das que não chegam a acontecer e ficam presas eternamente, para sempre penduradas nas suas teias brilhantes de possibilidades e ilusões. Com palavras já construi castelos de areia nas praias mais longínquas e mais improváveis, naquelas areias, tão secas, tão áridas, tão soltas, que parece até que água nenhuma vai conseguir ajudar a moldar. Com palavras já deixei que me convencessem, que me levassem, que me seduzissem, já me permiti voar livre para longe, já sonhei acordada com mil e uns caminhos diferentes, alternativos, mágicos, perigosos, tentador…

Intolerância

Ontem, veio cá a casa, depois da hora de jantar, um vizinho nosso,  ultimar os preparativos para um trabalho de pintura  do meu marido. O meu marido é pintor de construção civil, e durante os tempos de Verão, tem sempre muito trabalho. Por aqui, as pessoas gostam de pintar as casas, os muros, gostam de deixar tudo impecavelmente bonito para as festas locais. O que apareceu ontem, é um vizinho que conhecemos desde que viemos morar para esta casa, há mais ou menos vinte anos. Entrou, sentou-se na sala connosco, bebeu café e ficámos a conversar um pouco enquanto olhávamos para a televisão. Não sei bem qual foi a passagem da reportagem que estava a dar no telejornal, que desencadeou os comentários parvos que se seguiram. Por uma razão, ou por outra, os dois acharam que o entrevistado devia ser “maricas, larilas, boiola” e outros disparates que não ficam bem escrever. É um dos passatempos preferidos do meu marido, durante a hora de jantar, descobrir se as pessoas são maricas ou não... Enfim…

Um sitio parecido com o Paraíso...

Hoje estou triste. Triste daquela maneira elegante e sossegada, como costumo ficar triste. Triste nos olhos, no corpo, triste no coração. Triste sem incomodar ninguém, sem fazer barulho. Triste sem pedir nada, sem esperança de nada, sem nenhum lugar bonito aonde descansar a alma. Triste sem precisar de parar para chorar, porque se consegue chorar de olhos enxutos, e sem baixar a cabeça porque preciso de continuar a ver o caminho em frente, apesar de não saber aonde esse caminho me leva. Apesar do sol que brilha radiante lá fora, dos pássaros que cantam por todo o lado nesta tarde tão quente, do céu azul imaculado, da aragem suave que agita as flores do quintal. Apesar de todas as ofertas bonitas que a natureza pôs hoje em frente ao altar dos meus olhos, talvez para me alegrar, talvez para me consolar, ou talvez mesmo sem querer saber que existo. Apesar de tudo estou triste, tão triste! É em dias assim, que me vem uma vontade louca e quase incontrolável de fugir porta fora. Uma vontade ma…

Mulheres e homens

Desde sempre, tenho-me dado muito melhor com homens do que com mulheres. Foi sempre bem mais fácil relacionar-me com homens. São mais simples, mais directos, menos complicados. Olham de uma forma mais amigável, mais calorosa, falam sem grandes preocupações com aquilo que estão a dizer, enfim, inspiram-me mais confiança. As mulheres são mais reservadas, mais desconfiadas, mais agressivas. Parecem estar sempre preparadas para defender o seu castelo de uma invasão de mouros, sempre com as unhas afiadas prontas para atacar, com um rosnar dissimulado por detrás dos sorrisos plásticos e artificiais. Já em pequenita a minha predilecção pelo público masculino se fazia notar. O meu pai, terrível gigante de voz de trovão, ditador impiedoso do reino da minha infância, não resistia durante muito tempo a um pedido, a um sorriso, a um amuo meu. Para fúria da minha mãe, que achava que o meu pai fazia distinção entre as filhas, não havia coisa que eu quisesse dele, que não fosse capaz de obter Ele acha…

As qualidades de que mais gosto, e os defeitos que mais detesto, num homem

Encontrei numa revista, um teste daqueles que se fazem normalmente nas revistas femininas, em que se respondem algumas perguntas, e depois se conferem os resultados das respostas, de acordo com as tabelas que nos fornecem. Ficamos a saber a resposta a muitas e variadas questões, de forma rápida e espantosamente correcta para quaisquer que sejam as opções que tenhamos escolhido no teste. Então, o teste que eu encontrei era este: “Quais as qualidades que mais ama, e quais os defeitos que mais detesta nos homens?” Li algumas das respostas dadas pelas entrevistadas, e quase todas se resumiam às banalidades do costume- companheirismo, responsabilidade, e senso do dever, nas qualidades preferidas, e preguiça, desleixo e imaturidade, nos piores defeitos. Pus-me a pensar o que é que eu responderia a uma pergunta como esta e descobri que ia precisar de muito mais espaço do que aquele que a revista disponibilizava. Sendo assim, resolvi escrever este pequeno texto e ver se ponho a limpo, até para…

O Senhor X

A única vez em que cheguei a estar com alguém realmente um pouco mais, não me sinto bem ao chamar-lhe perigoso, ainda hoje isso me parece uma traição, direi antes alguém mais dado a praticar actos não muito aconselháveis- pronto, acho que assim fica muito melhor, afinal ele para mim nunca foi perigoso, longe disso- foi durante o tempo em que namorei o X. Vou chamar-lhe apenas X. Afinal, ele ainda anda por aí, segundo me disseram, um pouco diferente, um pouco mudado no corpo e na alma, afinal ele tem mais dez anos do que eu, mas ainda circula pelos mesmos lugares aonde costumávamos “parar”, como se dizia naquela altura. Conhecendo-o como conheço, e presumindo que pelo menos neste aspecto, ele pouco tenha mudado, calculo que as probabilidades de ele chegar a ler este meu pequeno texto, são menos do que quase nenhumas. Mas, ainda assim, e para o caso de ele ler, porque prometeu que ia ficar sempre por perto, caso eu precisasse- outro que fez promessas que não pôde cumprir, as pessoas faze…

Porto de abrigo

“Águas verde-esmeralda ou azul-turquesa …pequena enseada com um pequeno porto de abrigo…” Tão maravilhosamente encantador, não é? Era sobre uma praia bonita. Li há uns dias, no mural de um amigo. E porque eu sou bem rápida em imaginar coisas, mas não faço por mal, sou mesmo assim, comecei logo a imaginar as águas calmas ou revoltas do mar, cheiinhas de mil reflexos brilhantes, a dançarem, a bailarem ritmadamente ao sol. As ondas a mudarem de cor alternadamente, conforme se agitam ou descansam. Ora azul-turquesa, ora verde-esmeralda… sempre como pedras preciosas de valor eterno, porque tudo o que é precioso tem valor eterno, e sempre belas e selvagens, porque não se pode ser verdadeiramente belo, se não se for um pouco selvagem. Deve ser possível ficar horas assim, olhando simplesmente para tanta beleza, sentindo um arrepio na pele perante a imensidão do mar aberto e da maravilha que é poder só olhá-lo e deixar-se ficar! Não é preciso esforço para apreciar o que é bonito, nem é preciso …

Os meus amigos da Internet

Amo os meus amigos da Internet. Depois dos meus filhos, que têm o seu lugar natural, garantido, incontestado e imutável, de reis do meu coração, as pessoas de quem mais gosto no mundo, presentemente, são os meus amigos da Internet. Tanto os amigos daqui, do meu blogue, que têm a paciência admirável de ler os textos que escrevo, como os meus amigos do facebook que aturam muitas vezes os meus comentários palermas a tudo e a nada, os meus amigos fieis e constantes no email, todos eles possuem uma parte enorme, e bem merecida, dos meus afectos. Com a Internet reencontrei antigas companheiras do tempo de escola, que pensava nunca mais vir a encontrar. Amigas queridas daqueles tempos em que ainda podíamos mudar qualquer coisa, dos tempos em que realmente o destino estava nas nossas mãos, em que sonhávamos e ríamos e ninguém achava estranho e nada fazia mal nenhum. Amigas que se tinham perdido de mim e eu delas, nesses caminhos estranhos e misteriosos da vida de cada uma de nós. Encontrei famili…

Sorria sempre

“Aconteça o que acontecer na sua vida, nunca deixe de sorrir. A menina tem um sorriso lindo!” Foi o primeiro elogio que um homem me fez. Eu devia ter uns onze anos, e a minha mãe tinha-me mandado ir á papelaria, comprar um caderno para a escola. Nunca ninguém me tinha feito uma observação tão bonita e tão sincera. O senhor da papelaria, tinha uma cabeça linda, cheia de cabelos brancos como a neve, e uns olhos azuis simpáticos e bondosos, que faiscavam atentos, por detrás de uns óculos de lentes espessas. Os outros elogios que recebi depois do dele, não eram tão delicados, nem as palavras vinham acompanhadas de uma entoação tão calma e tão pacífica. Mas, esteja aquele senhor aonde estiver, se ainda por cá estiver, gostava muito que ele soubesse que, e embora me tenham acontecido muitas coisas na vida, fiz exactamente como ele me aconselhou. Não parei de sorrir. Sou uma sorridente por natureza. Sorrio e choro com a mesma facilidade. Mas gosto mais de um bom sorriso! Não é preciso muita co…

Porque eu mereço!

Sempre soube que a paixão não dura para sempre. Muitas amizades também não se estendem até ao fim da vida. Mas acredito que o amor possa ser eterno. Na minha forma de ver as coisas, o amor é uma mistura saudável de paixão, amizade e companheirismo. Quando o tempo passa, e os anos se estendem preguiçosamente sobre qualquer relação, quase sempre, é certo que a paixão acaba. Acaba aquele desejo louco, tão bom e ardente, tão delicioso, aquele arrepio que percorre o corpo todo a um pequeno toque, a uma simples carícia! Termina aquela vontade inexplicável de estar com a outra pessoa, a urgência infundada de ver, telefonar, escrever para quem amamos. Nessas alturas, acabam as relações que vivem apenas dos sentidos, da vibração da paixão passageira e subsistem as outras. Subsistem as relações assentes e baseadas na amizade, na troca de ideias em comum, no gosto de fazer coisas novas ou coisas antigas, nos planos simples ou mais complicados, nos objectivos, nas esperanças… Acho possível manter u…

"Vamos aquecer o sol"

Há muito tempo, devia eu ter os meus dezasseis, dezassete anos, li “Vamos aquecer o sol”, de José Mauro de Vasconcelos. Já tinha lido a primeira parte, “O meu pé de laranja lima”, e apaixonei-me irremediavelmente pelo personagem  Zézé. O Zézé era um menino amoroso, carinhoso, brincalhão e muito sensível, que via tudo com olhos diferentes do resto das pessoas, que tinha um coração do tamanho do mundo e que, por isso mesmo, sofria demais… Na segunda parte da história, no “Vamos aquecer o sol”, o Zézé transporta do mundo do cinema para a realidade dos seus sonhos, um pai substituto, que vive dentro da sua imaginação. É ao mesmo tempo pai, amigo, confidente, companheiro inseparável. Este pai imaginário é o seu actor de cinema preferido. Quase poderia jurar que o actor era Maurice Chevalier, mas já se passaram tantos anos desde que li o livro, que não posso garantir que fosse esse mesmo o actor... De qualquer forma, existia mesmo na realidade, a muitos e muitos quilómetros de distância, num…