sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 27 de junho de 2011

As qualidades de que mais gosto, e os defeitos que mais detesto, num homem

Encontrei numa revista, um teste daqueles que se fazem normalmente nas revistas femininas, em que se respondem algumas perguntas, e depois se conferem os resultados das respostas, de acordo com as tabelas que nos fornecem. Ficamos a saber a resposta a muitas e variadas questões, de forma rápida e espantosamente correcta para quaisquer que sejam as opções que tenhamos escolhido no teste.
Então, o teste que eu encontrei era este: “Quais as qualidades que mais ama, e quais os defeitos que mais detesta nos homens?” Li algumas das respostas dadas pelas entrevistadas, e quase todas se resumiam às banalidades do costume- companheirismo, responsabilidade, e senso do dever, nas qualidades preferidas, e preguiça, desleixo e imaturidade, nos piores defeitos. Pus-me a pensar o que é que eu responderia a uma pergunta como esta e descobri que ia precisar de muito mais espaço do que aquele que a revista disponibilizava. Sendo assim, resolvi escrever este pequeno texto e ver se ponho a limpo, até para mim mesma, quais as qualidades que mais amo, e quais os defeitos que mais detesto nos homens.
Primeiro do que tudo, gosto que um homem me faça sonhar! Gosto que me mostre coisas bonitas, lugares lindos, paisagens encantadoras, que me leve a passear, que veja nascer o sol comigo, que seja capaz de olhar as estrelas e os planetas misteriosos no céu escuro e fascinante da noite. Gosto que um homem saiba mais coisas do que eu, que tenha visitado mais sítios, que fale de assuntos que eu não costumo falar, que tenha conversas inteligentes e interessantes, mas que também saiba ser alegre e descontraído. Adoro que um homem tenha ideias simples e engraçadas, como levantar-se mais cedo, e levar-me com ele, antes de toda a gente acordar, só para darmos uma volta a pé nas ruas caladas, vermos as montras ainda acesas, os passeios e calçadas silenciosos, cheios de ecos, de segredos. Ou para vaguearmos pelo campo, pelos montes, ouvirmos os pássaros a acordarem, espreitarmos do cimo de alguma montanha o dia a começar devagarinho e preguiçosamente por cima dos telhados anónimos das casas pequeninas.
Não gosto nada, mas mesmo nada que um homem ache que a melhor maneira de passar o fim-de-semana, é sentado no sofá a olhar entorpecido para a televisão, ou com os fones enfiados dentro dos ouvidos, a escutar horas a fio músicas aborrecidas e repetitivas. Não gosto nada que um homem pense que um Domingo bem passado é um Domingo em que se pode levantar ao meio-dia da cama, e desbaratar o resto do tempo calado e molengão, arrastando o corpo de um lado para o outro dentro de casa.
Gosto muito que um homem seja forte, decidido, que tenha opiniões formadas, que não me deixe ganhar sempre, que não me siga como um cordeirinho domesticado para aonde eu o quiser levar. Que seja gentil, simpático, cordial e carinhoso, mas que tome as decisões que sejam precisas tomar, que trate dos assuntos complicados e confusos que às vezes são precisos tratar. Que não descarregue sobre mim todas as responsabilidades, todas as obrigações, todos os prazos para cumprir, todas as burocracias para deslindar, confortavelmente escondido atrás de um sólido “eu não sou capaz”. Gosto que um homem faça as coisas de homem, como levar o carro à oficina, à inspecção, que são coisas que eu simplesmente abomino ter que fazer. Estou-me nas tintas para as igualdades entre os sexos. Há coisas que eu continuo a esperar que sejam os homens a fazer. Não estou nem um pouquinho interessada em arcar com todo o trabalho pesado, só para mostrar que sou tão capaz como um homem. Não sou nada! Podem existir, não duvido, outras mulheres que sejam tão ou mais fortes, tão ou mais decididas, tão ou mais auto-suficientes do que os homens. Mas eu não. Eu gosto de ser mimada, apaparicada, cuidada, protegida.
Gosto desde rapariguinha, de andar de moto. Não é que a velocidade me fascine, antes pelo contrário, sou até um pouco medricas com essas coisas da velocidade, mas adoro a parte de me poder segurar com força, fechar os olhos, sentir o vento na cara e seguir confiante. Deixar-me levar, conduzir pela estrada desconhecida de mil caminhos sem fim, cheia de curvas apertadas, de rectas intermináveis, de subidas e descidas vertiginosas que fazem o peito arfar e a respiração faltar. Convidar-me para andar de moto é uma das coisas que eu gosto que um homem faça. Deixar que seja o homem a escolher o caminho, a planear o destino, a surpreender-me em cada esquina da viagem com uma novidade bonita, com um carinho, com um beijo, é outra coisa que eu aprecio.
Não gosto que um homem pense que a melhor maneira de fazer o que quer que seja, é simplesmente fazer, por obrigação, sem entusiasmo, sem emoção. Só porque é o que se espera que aconteça. Não gosto de ter que festejar datas bonitas do calendário de forma automática, de maneira sempre igual e previsível. Não gosto que um homem me faça funcionar em piloto automático todo o tempo. Não gosto que reaja sempre da mesma maneira, com as mesmas palavras, com as mesmas expressões. Nem tão pouco gosto quando um homem se contenta com o passar do tempo, sempre igual, sempre vazio, e ainda assim considere que está a ter uma vida óptima. Não gosto que um homem não se aperceba de quando estou triste, ou de quando estou a sofrer. Quando preciso de colo, ou quando preciso só de estar quietinha no meu canto, até a dor passar.
Gosto que um homem fale comigo com ternura, com delicadeza, de uma forma agradável, envolvente, calma e carinhosa. Que me faça sentir especial, querida, única. Que saiba esperar por mim, quando fico mais para trás, ou que adiante o passo para me acompanhar, se estou mais à frente. Gosto que um homem ande comigo de mão dada na rua. Gosto que passe o braço por cima dos meus ombros, que me aconchegue, que me envolva, que me faça sentir dele, que me faça sentir segura e confiante. Gosto que me leve a passear a um jardim, que se sente comigo num banco de madeira, só assim, parados a conversar, ou a não conversar, mas juntos, ombro com ombro, mão na mão, olhos nos olhos. Gosto que um homem me beije só por beijar, devagar, com amor e com desejo, sem pressas e sem exigências, naturalmente, ao ritmo que tiver que ser, demore o tempo que for para demorar.
Não gosto que um homem me trate como se eu fosse, apenas e unicamente, um mero pedaço de carne num matadouro qualquer. Não gosto de palavras grosseiras, nem de gestos ordinários. Não gosto de me sentir como se estivesse sempre a ter que pagar uma factura qualquer sem fim. Como se a vida fosse uma transacção comercial baseada numa troca directa e proporcional, num toma lá, dá cá, entre bens e serviços. Não gosto que um homem me faça sentir como uma prostituta, que tem que merecer o prato de comida que come, vendendo o corpo na primeira viela, sem protestar, nem opinar.
Gosto que um homem seja assim como eu, aventureiro, destemido, audacioso, generoso. Que não me considere maluca só porque eu gosto de apanhar chuva e molhar o cabelo, que não se escandalize quando eu faço um comentário mais atrevido, que não se sinta chocado de cada vez que eu me lembrar de alguém do passado, que não se sinta traído de cada vez que se cruzar com alguém que fez parte de mim noutro tempo. Gosto que um homem seja seguro de si mesmo, que confie em si próprio, que seja confiante nas suas capacidades de saber seduzir e de saber amar.
E pronto, acho que são estas, basicamente, as qualidades que mais amo num homem, e os defeitos que mais odeio. Sei que parece muita coisa, assim tudo descrito parcela a parcela, matematicamente revelado em duas colunas de deve e haver! Talvez seja pedir demais, mas talvez seja errado contentar-me com menos...
Ah, esquecia-me de mais uma coisa, simples mas importante: Não gosto quando um homem pensa que me decifrou, ou que me conhece, ou que possui de alguma forma uma parte do segredo que sou eu, no fim de trocar comigo uma ou duas gracinhas. Afinal, eu sou um organismo tão complexo e compacto, tão insondável e misterioso, que nem eu própria me consegui ainda conhecer por inteiro, ao fim de todos estes anos!...


P.S. E gosto, mas gosto tanto, quando um homem me promete uma coisa e depois se lembra de cumprir!...

2 comentários:

  1. Querida Glória,
    Aqui estou eu de novo a deliciar-me com tudo o que escreve! Já me fazia falta poder aqui vir...
    Li tudo o que escreveu, desde a minha última visita, de uma assentada. É sempre um enorme prazer ir virando as páginas deste seu livro online. :)
    Um gande beijinho,
    Cristina

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  2. Olá Cristina,
    Tinha saudades dos seus comentários simpáticos, e das suas palavras queridas!
    Que bom que continua desse lado, e que continua gostar das coisas que escrevo!
    Muitos beijinhos,
    Glória

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