sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 4 de junho de 2011

Duas realidades, uma tão diferente da outra...


Podemos escolher entre duas realidades, e ficar só com uma delas, para nós. Podemos,  não podemos?
Olhamos para uma flor e podemos escolher se queremos ver uma rosa murcha, ou uma rosa a precisar de água. Olhamos para uma manhã de chuva e podemos escolher pensar que vamos ter um dia mau, ou acreditar que de tarde tudo vai melhorar.
Oferecem-nos um livro e decidimos se vamos lê-lo com prazer, ou se vamos deixá-lo de lado, numa qualquer prateleira poeirenta. Contam-nos uma anedota e resolvemos se rimos á gargalhada, ou se apenas esboçamos um sorriso bem-educado.
Quando nos magoam, ou decepcionam, temos sempre o poder de decidir que não nos vamos deixar ferir nem entristecer. Quando alguém promete e não cumpre, escolhemos se queremos desistir de esperar, ou se continuamos com a bênção de ter esperança no coração, independentemente dos percalços ou das tristezas.
Mesmo que choremos, ou nos desesperemos, se quisermos com muita, mesmo muita força, somos capazes de perceber um rasgo de luz a acenar por detrás da escuridão. Ainda que percamos tudo aquilo a que dávamos valor e fiquemos sozinhos, desgraçados e sem abrigo, ainda assim podemos sempre substituir esses valores por valores novos e fazer do nada ter, uma imensidão de muitos haveres. E nessas alturas podemos escolher entre seguir em paz, ou continuar teimosamente no mesmo sítio do chão aonde a vida nos fez cair.
Mesmo que tudo pareça complicado e sem saída, mesmo que tenhamos muitas vezes a tentação de simplesmente cruzar os braços e nos abandonarmos à fácil doçura do não fazer nada, mesmo que por vezes seja necessária uma força sobre humana para continuarmos a colocar um pé em frente ao outro, nós, ainda assim, podemos escolher a vida, a alegria e a poesia de agarrar bem o mundo num abraço apertado e cheio de amor.
Eu, por mim, escolho a beleza de ver o sol a brilhar no céu, ainda que com algumas nuvens a ameaçarem, por perto. Escolho o bom que é sentir o vento a espalhar-me os cabelos, o calor a aquecer-me o coração, até mesmo o frio a refrescar-me o espírito febril e agitado. E escolho correr até cair de cansaço, cantar até enfraquecer a voz, matar a sede até me engasgar com a água.
De entre as duas realidades que desde sempre se me apresentaram na vida, ambas par a par, ambas tentadoras, ambas tão reais e palpáveis, hoje, neste dia em que assinalo a maravilha de ainda estar por cá, escolho a realidade melhor e a mais bonita: escolho ser feliz.

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