sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os meus amigos da Internet

Amo os meus amigos da Internet.
Depois dos meus filhos, que têm o seu lugar natural, garantido, incontestado e imutável, de reis do meu coração, as pessoas de quem mais gosto no mundo, presentemente, são os meus amigos da Internet.
Tanto os amigos daqui, do meu blogue, que têm a paciência admirável de ler os textos que escrevo, como os meus amigos do facebook que aturam muitas vezes os meus comentários palermas a tudo e a nada, os meus amigos fieis e constantes no email, todos eles possuem uma parte enorme, e bem merecida, dos meus afectos.
Com a Internet reencontrei antigas companheiras do tempo de escola, que pensava nunca mais vir a encontrar. Amigas queridas daqueles tempos em que ainda podíamos mudar qualquer coisa, dos tempos em que realmente o destino estava nas nossas mãos, em que sonhávamos e ríamos e ninguém achava estranho e nada fazia mal nenhum. Amigas que se tinham perdido de mim e eu delas, nesses caminhos estranhos e misteriosos da vida de cada uma de nós.
Encontrei familiares desconhecidos, secretos e distantes, que viviam só nas crónicas de família, que eu nem sabia se existiam de verdade, que nem desconfiava aonde moravam. Familiares que estão do outro lado do mundo, num outro continente, que falam outras línguas, que têm outros costumes. Primos e primas que fazem agora parte dos meus amores puros, das minhas amizades, que aquecem um pouco mais os meus dias.
Fiz amigos em países distantes, pessoas interessantes e especiais que nunca viria a conhecer, nem a encontrar fora da Internet. Pessoas sensatas e queridas, divertidas, calorosas, únicas e muito estimadas. Pessoas que me enviam mensagens extraordinárias, que me fazem rir, que nunca me fizeram chorar ou ficar triste.
Vi fotografias maravilhosas, encantadoras, deliciosas, de sítios e de lugares que nunca tinha visto. Descobri costumes, festas e tradições que nem sequer imaginava que existissem. Visitei países diferentes, praias diferentes, céus diferentes. Atravessei o mundo inteiro sem mesmo sair de casa, sem precisar de bagagem nem bilhete de transporte. Vi de novo fotografias da minha terra, das minhas ruas, do meu sol brilhante, das minhas recordações de infância, simples, bonitas, impregnadas de saudades sem fim.
Encontrei pessoas que, como eu, nasceram no meu amado Moçambique cor-de-laranja., com as suas acácias vermelhas, com as suas noites enfeitadas com milhares de estrelas faiscantes, com as suas cores quentes e gostosas, com a sua paisagem doce de mar azul. Pessoas simpáticas, gentis, agradáveis que falam de coisas anteriores ao meu tempo, do meu tempo, de um tempo que não chegou a ser e de um outro tempo que já se foi, mas que continua vivo nos nossos corações.
Sei que às vezes, se calhar muitas vezes, quem sabe até vezes demais, escrevo tolices, coisas mais fúteis, mais patetas, faço comentários mais ousados, mais descarados do que devia. Mas nunca, nunca mesmo, neste ano inteirinho de Internet, recebi nenhum comentário grosseiro, nem indelicado, nem inconveniente. Pelo contrário, todos têm sempre sido bem simpáticos comigo, todos têm tido imensa paciência com os meus disparates, com as minhas possíveis faltas de tacto, com as minhas prováveis inconveniências.
Antes de ter os meus amigos da Internet, nem sei há quanto tempo ninguém me dizia que gostava do que escrevo. Ninguém se interessava por saber se estou bem, ou se estou mal. Ninguém me mandava parabéns pelos meus anos, e este ano, recebi tantos parabéns, até flores recebi! Virtuais, é certo, mas flores na mesma. Porque eu entendo que as coisas mais importantes da vida, não são aquelas que podemos agarrar, dobrar e guardar na algibeira. As coisas a que dou mais valor, aquelas que guardo no meu coração, são aquelas que não se tocam, mas que se sentem, e que aquecem a alma nos dias mais escuros, mais frios e mais sozinhos.
Perdi a conta ao tempo que se passou desde a última vez em que alguém me tinha dito que sou bonita, que alguém me tinha feito alguma espécie de elogio simpático. Nem sabia mais o que era ser bonita, o que era sorrir a uma palavra mais picante, tinha-me até esquecido de que sou uma pessoa como todas as outras. Gosto que me tratem bem, gosto que me digam coisas bonitas, gosto de me sentir admirada. E não creio que isso faça de mim uma pessoa ordinária, ou leviana, seja lá o que for que esses dois conceitos terríveis e sérios possam significar para cada um.
Sou apenas assim como sou, simples, comum. Alguém que adora fazer, às vezes, comentários mais atrevidos, que adora brincar, divertir-se. Que gosta de dizer coisas inconsequentes e engraçadas. Alguém que gosta também de sonhar, brincar um pouquinho, sem magoar ninguém, sem ofender ninguém, imaginar, escrever, sentir e ver. Que gosta de ser tocada pelo calor do sol, pelo fresco do vento, pela aragem que sopra quando o dia está a nascer. Sou apenas e simplesmente uma pessoa que se sente bem ao ver fotografias bonitas, ao ler palavras simpáticas, ao imaginar coisas especiais, dias diferentes, que se emociona com um simples toque, com um mero olhar, que chora e ri com a mesma facilidade. E com as pessoas queridas que encontrei na Internet, posso ser, fazer e ter tudo isso, sem medos, sem cobranças, sem represálias.
Não me importa de não vir nunca a conhecer pessoalmente todos os meus amigos virtuais. Sei que o mais provável é que nunca me chegue a cruzar com alguns, ou com a maioria deles. Mas a amizade não se toca, não se quantifica, nem se contabiliza. Sente-se apenas. Assim como também só se podem sentir a alegria, a felicidade, os desejos e os afectos.
Por isso, e porque a amizade não se agradece, acontece simplesmente (e esta frase é de uma das minhas amigas), espero poder continuar, por muito e muito tempo mais, a conservar e a poder usufruir da companhia virtual de todos os meus queridos e estimados amigos da Internet. Gosto muito de vocês, de cada um à sua maneira, de todos em especial. A minha vida seria infinitamente mais triste sem a vossa companhia.

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