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A mostrar mensagens de Julho, 2011

Boas Férias!

Boas férias! Parece que toda a gente está a ir de férias numa alegre debandada… Parece que as ruas vão ficar vazias de pessoas, os serviços todos vão fechar as portas, tudo vai parar no tempo e no espaço durante um mês inteirinho. Todos os anos é a mesma coisa. Em Agosto, o mundo pára. Também queria ir de férias! Pelo menos este ano. Também queria fazer parte da alegre comitiva que parte em busca de sossego, longe noutras paragens. Queria dizer adeus a tudo o que ficasse para trás, a todos os que ficassem para trás, fazer as malas, e partir. Não sei muito bem para onde. Para quê saber aonde ir? Gosto muito mais de ir à aventura, sem mapa, sem carta de estradas, sem GPS. Se me perder, tanto melhor. No fim de perdida, posso parar de me preocupar em saber se ainda estou na estrada certa, ou se já me desviei do caminho, no fim de perdida posso ir para onde me apetecer, sem noção, sem culpa, afinal uma pessoa perdida não sabe o que faz, pode andar em círculos horas a fio, que não faz mal, est…

Saudades... só se for daquelas que fazem sorrir

Saudades… Há quem viva cheio de saudades, de recordações, com o espírito, e os olhos, perdidos no que já ficou lá para trás no tempo. Há quem se consuma na nostalgia do que já foi, do que já passou. Há quem esteja tão acostumado a ter saudades, que não saiba já viver de outra maneira, e confunda saudades com a única possibilidade de voltar a ser feliz. Eu não. Não sou dada a saudades dessas que fazem doer, que aprisionam, que escravizam, que fazem chorar, que embaçam a alegria que o presente sempre pode ter, como se fossem um véu espesso de nevoeiro a encobrir a luz do sol. Não sou diferente das outras pessoas. Também sinto de vez em quando, de quando em vez, nostalgia de alguma coisa em especial, de alguém, de alguma situação. Afinal já foram tantas as coisas, as pessoas e as situações que passaram pela minha vida e saíram e se perderam ou transformaram, umas para não mais voltarem, outras apenas por uns tempos, outras simplesmente que já não existem mais. Não tenho coração de ferro, ne…

Sou assim, amo a ideia de haver amor

Eu sou assim! Complicada, difícil de aturar, rabugenta às vezes. Exigente, teimosa, insegura, birrenta, instável. Assusto-me com facilidade, choro muitas vezes, fico triste, confusa, preciso de colo, de conforto, de carinho. Sinto-me muitas vezes perdida, sem rumo, sem norte. Encosto-me à parede e vou descendo devagarinho, para ficar encolhida no meu canto e desejar que ninguém me veja antes de a dor passar. Eu sou assim. Falo e digo coisas muitas vezes sem pensar bem, sem reflectir tanto quanto devia. Não faço por mal, não faço para magoar ninguém, às vezes faço pensando que estou a fazer o melhor possível, da forma mais acertada. Por vezes desaponto as pessoas, mesmo aquelas de quem mais gosto, e não o faço de propósito. Comento coisas que não devia comentar, uso expressões que não devia usar, irrito quem não merecia ser irritado. Sou um quase desastre completo, bem sei... Eu sou assim. Mas não sou má pessoa. Não guardo mágoas, ressentimentos, tento sempre resolver as situações todas …

Um universo inteiro entre nós

Sempre ouvi dizer que existem universos paralelos. Será? Às vezes parece mesmo que sim. Não é fascinante pensar que duas pessoas podem olhar para o mesmo objecto, para a mesma pessoa, falar do mesmo conceito, e cada uma delas estar a ver e a falar de uma coisa diferente? Como ter a certeza de que ambas vêem a mesma coisa? Como garantir? Ou é defeito dos meus olhos em particular, ou então já me tem acontecido muitas vezes não conseguir ver as mesmas coisas que as outras pessoas vêem. O que para mim parece ser simples, claro, bonito, é muitas vezes complicado, escuso e feio para outra pessoa. Diferenças de interpretação, diferenças de opinião, diferenças de pontos de vista… talvez. Mas porque será que quase nunca a minha opinião, a minha interpretação ou o meu ponto de vista coincide com o dos outros? Ainda no outro dia, uma amiga minha se fartou de me ralhar porque entendia que eu devia valorizar mais as oportunidades de ganhar dinheiro, e não devia ser tão sentimental e inocente. Adoro est…

Quando o amor não dá certo

Como é que sabemos que o amor chegou ao fim? Como é que damos conta que aquele sentimento bonito que existia, desapareceu? Como explicamos aos outros que acabou, como justificamos, como damos a perceber? Não é fácil, não é bonito. Custa muito admitir. Custa muito superar. Quando existem razões daquelas fortes, daquelas que não se podem questionar, nem pôr em dúvida, tudo fica mais fácil. “ Batia-lhe, era mau para as crianças, não trabalhava, era mulherengo, etc, etc”. São razões que ninguém contesta. Justificam por si só qualquer fim de amor, qualquer fim de casamento. Absolvem de culpa quem desiste. Inocentam e limpam. Desistiu por tinha que desistir. Não aguentou mais porque não podia aguentar. E teve razões, boas razões. É muito mais fácil explicar assim o fim de um casamento. Não nego que às vezes sinto a tentação de explicar tudo servindo-me dessa causa mais simples, mais comum, mais bem aceite por todos. Facilitava-me muito a vida, tornava tudo mais simples. Mas, e quando não existem…

Vem ter comigo esta noite

Vem ter comigo esta noite! Vem e entra devagarinho, sem fazer barulho, sem ir de encontro aos móveis, sem pisar o rabo do gato que deve de andar por aí, sem acordar o periquito que dorme na cozinha, dentro da gaiola, sem fazer o cão ladrar no quintal. Vem mesmo com a luz apagada. Que importa a falta de luz? Conheces de cor o caminho até mim. Pelo menos devias conhecer, se tiveres prestado atenção aos sinais que te dou. Mas andas sempre muito ocupado para reparar em mim, para falares comigo… Se calhar deixo uma luz fraquinha acesa no corredor, só para te orientares melhor… Não te demores, não te atrases, nem arranjes nenhum outro compromisso de última hora. Não me deixes muito tempo à espera, que posso ficar com sono e não dar pela tua chegada. Quando estou com sono, fico de péssimo humor. E, se estiver a dormir, bem vês… perdes a viagem. Cansei-me de esperar, de ouvir desculpas, de aceitar ausências. Não quero ter que te dividir com todo o resto do mundo, a todas as horas, a todos os inst…

Fui até lá, mas resisti valentemente

Uma amiga antiga, daquelas poucas que vieram comigo desde lá de trás, desde os princípios de tudo, ligou-me há uns dias. “-Deitaram a tua caverna abaixo. Passei por lá ontem. Não sobrou mais nada. Vai ver. Nem vais conhecer aquilo…” Não sei, nunca hei-de perceber, qual a pressa terrível que as pessoas têm em dar más noticias. É como se lhes queimasse a língua e precisassem de despejar depressa cá para fora. Há que tempos ela não me telefonava!... Tive que ir ver. “Caverna” era o nome de guerra que tínhamos dado á casa aonde vivíamos desde que chegámos a Portugal. A caverna era a casa do meu pai, de onde eu fugi há bem mais de vinte anos. Jurei não mais lá voltar, e não voltei, a não ser em pesadelos. Mas, por uma qualquer razão desconhecida, senti-me obrigada a ir até lá, conferir se ela já não existia mesmo. E não estava mais. Agora são só ruas novas, uma rotunda enorme, carros a buzinarem cheios de pressa de um lado para o outro, sinais de trânsito e … nada da caverna. Nem nada das par…