sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 17 de julho de 2011

Conheci uma pessoa

Conheci uma pessoa.
Conheci alguém que mudou completamente a forma como eu encarava a vida, as coisas da vida, e a opinião que tinha sobre mim própria.
Conheci alguém tão especial, tão diferente de toda a gente antes dele, tão maravilhosamente bonito que, me deixa sempre a pensar se existe realmente, ou se é mais uma criação dos meus sonhos e das minhas fantasias. É que a vida não me costuma brindar assim de graça, assim sem mais nem menos, com pessoas lindas desta maneira…
Não é que a diferença esteja propriamente nas palavras que me diz, porque de palavras tenho uma experiência considerável, e têm que ser palavras realmente muitíssimo belas para me causarem alguma impressão que possa ser duradoura. É mais a forma como ele emprega as palavras que usa. Como se tivessem vida própria, como se quando juntas fossem capazes de executar uma dança fantástica que invade os sentidos e deslumbra a mente. Nunca ninguém falou comigo da forma como ele fala! Nunca ninguém antes dele, teve o poder de me deixar encantada, enfeitiçada, apaixonada só com palavras. Ninguém que eu já tenha conhecido conseguiu sequer acelerar o ritmo da minha respiração, fazer o meu coração bater num ritmo estranho, só falando comigo. E ele conseguiu-o desde o primeiro dia em que nos falámos.
Também não é que os assuntos sobre os quais falamos, sejam assim tão diferentes dos temas a que sempre estive acostumada, sempre falaram comigo sobre muitas coisas, e eu também sempre gostei de falar sobre tudo e com quase toda a gente. O que é realmente única é a maneira bonita que ele tem de expor os assuntos. De explicar, de fazer ver, de se dar a conhecer através de qualquer coisa, mesmo pequenina mesmo sem importância. Qualquer conversa, qualquer tema, fica sempre mais bonito quando é falado com ele e visto através daquela maneira simples, descomplicada, encantadora e natural que ele tem de ver o mundo, de se ver a si próprio, de ver como tudo podia ser menos difícil se visto apenas sob outra perspectiva.
Outra coisa maravilhosa que lhe encontro é que quando eu começo a complicar as conversas, porque eu sou muito complicada, só quem me conhece muito bem é capaz de perceber o que estou a dizer, eu consigo fazer perder a paciência a um santo, sou teimosa, birrenta, cheia de opiniões, cheia de vontades, e nessas alturas, ele simplesmente diz uma daquelas frases pequeninas, queridas, e eu fico desarmada. Passa logo a vontade de argumentar, passa a vontade de fazer valer os meus pontos de vista, tudo fica reduzido à sua forma mais básica, mais simples, menos complicada. O poder que ele tem de conseguir explicar todas as coisas do mundo com uma lógica clara, como se tudo estivesse estado ali desde o inicio e eu nunca tivesse notado, é uma coisa que me deixa sempre deslumbrada!
Adoro a maneira carinhosa, atenciosa, delicada como me trata, como se preocupa com o que eu possa estar a sentir, com o que eu possa estar a pensar. Adoro todas aquelas pequeninas atenções que ele tem para comigo, quando se preocupa em dar os bons dias, quando me deseja bom almoço, boa noite, quando me diz coisas lindas, mesmo sem eu estar à espera. Amo de paixão quando me faz sentir única, especial, querida e segura! Gosto da forma carinhosa como se relaciona com as pessoas da sua vida, do seu mundo, gosto de saber que é um homem bom, amável, dedicado a quem gosta, e ao que gosta de fazer. Acho encantadora a maneira que ele tem de me dar espaço, de aceitar sem reclamar, nem fazer barulho, de não se importar com o que escrevo, falo ou digo, quando não estou com ele. Adoro também, de uma maneira de adorar diferente, quando ele me diz coisas mais atrevidas, mais apaixonadas, diferentes de todas as que já me disseram, com outras palavras, com outros significados. Coisas que fazem querer muito mais do que só falar, que confundem e misturam as ideias, que sabem bem como uma carícia ousada, que afagam como um abraço gostoso, que fazem fechar os olhos como um beijo bom e prolongado dado devagarinho e com paixão, coisas que apesar de serem só palavras fazem com que me sinta tão viva e tão vibrante como dificilmente já estive com outra pessoa. 
Só o simples facto de pensar nele me deixa encantada, só saber que ele existe, faz com que todos os meus dias comecem de forma mais bonita e mais feliz. Conhecê-lo fez com que tantas coisas mudassem em mim! Mudou até a forma como ando, que voltou a ser mais parecida com a minha forma de andar de sempre, mais balançada, mais alegre, mais cheia de vida. Mudou a maneira como falo, aquilo de que falo, as palavras e os termos que emprego. Mudou a forma como vejo o mundo, que agora está todo muito mais bonito e cheio de cores. Recuperei a minha gostosa opinião sobre mim, voltei a sentir-me bonita, interessante, desejável. Até a forma como escolho a roupa interior, já não é a mesma! Há muito, mas mesmo muito tempo não conhecia ninguém sequer parecido com ele. Melhor, parecido com ele, nunca conheci ninguém. Ele é único, é terreno virgem para mim, não sei ainda muito bem como reagir, como fazer, como lidar com tanta novidade. Diria antes que há muito, muito tempo não conhecia alguém que mexesse comigo da forma que ele o faz.
Não está só presente nos meus pensamentos, na minha imaginação, nos meus sonhos, está também sempre presente no meu corpo e no meu coração. Está comigo na maneira como respiro quando penso nele, na maneira gostosa como o meu coração bate mais depressa ao saber que ele está à minha espera, na maneira como sinto um calor bom invadir-me quando falo com ele, na maneira como fica tão complicado aguentar qualquer momento que seja sem estar com ele.
Sempre fui uma pessoa de paixões rápidas e fortes. Quando gosto de alguém, gosto a sério. Inteiramente, incondicionalmente, sem planos alternativos, sem segundas opções, sem rede de segurança por baixo. Gosto com o coração, com a mente, com o corpo, com tudo o que é meu e com tudo aquilo de que posso dispor. Não percebo segundas intenções, não sei ler nas entrelinhas, não me interessa aprofundar dúvidas, esclarecer confusões. Gosto e só. Gosto enquanto gosto e enquanto a outra pessoa gosta de mim, apesar de saber que quase tudo é limitado no tempo e no espaço. Quase tudo acaba, ou se transforma, ou simplesmente vai perdendo a forma e o conteúdo, e um dia, quando damos por nós, alguém estranho ocupou o lugar que tinha pertencido a um sonho bonito, a uma paixão ardente. Enquanto isso não acontece, quando estou com alguém estou mesmo. Claro que procuro sempre não perder o norte, não me descontrolar muito, não permitir grandes avanços dentro do território particular que é o meu coração. Tento sempre nunca dar mais do que aquilo que aguentaria perder. Mesmo nos meus grandes amores, nas minhas grandes paixões, sempre reservei para mim o direito de estabelecer um limite para as coisas que estou disposta a fazer, os aspectos nos quais estou disponível para ceder, as fronteiras entre o que é bom para mim, e o que deixa de ser bom, e de repente se transforma numa coisa muito má. Mas, tirando esses cuidados básicos com a minha pessoa, quando amo alguém, entrego-me sempre de corpo e alma. E por isso, tenho um bocadinho de medo de sofrer.
Não me apetecia lá muito chorar, ficar triste, sentir-me desiludida. Não estava nos meus planos gostar assim tanto de alguém de repente, sem preparação prévia, sem tempo para pensar, sem vontade de reflectir. Todas as minhas campainhas de alarme tocam ao mesmo tempo e de forma assustadora, como se algo estivesse na iminência de acontecer. E embora não consiga perceber o que será, a verdade é que os meus alarmes internos não me costumam enganar, nem gastam a sua bateria tocando só por tocar. Talvez seja apenas o velho hábito de me defender contra as novidades, talvez seja apenas avelha noção enraizada no meu coração de que tudo aquilo que parece bom demais para ser verdade, quase sempre é mesmo bom demais para ser verdade. Talvez seja a minha tal falta de auto-estima a perguntar-me descaradamente o que fiz de tão bom para merecer alguém assim?
Mas, tirando importância a todas essas dúvidas e a todos esses argumentos, vou continuar a viver a minha história bonita de amor. Não sei até quando, não sei por quanto tempo ficaremos juntos, não faço ideia daquilo que será o futuro para nós, ou se chegaremos sequer a ter algum futuro. Talvez só tenhamos mais alguns dias, talvez mais alguns meses, talvez, e quem sabe, a vida toda? Não sei o que se irá passar connosco e com a nossa história, mas de qualquer forma, mesmo que acabasse tudo já amanhã, já hoje, tinha valido a pena! Vale sempre a pena seguir um sonho, tentar ser feliz. Vale sempre a pena ver uma estrada bonita e convidativa e seguir por ela, só com o coração a guiar os nossos passos. Eu não sei resistir a esses apelos primitivos e gostosos, e a vida tem a simpatia de mos fazer de vez em quando, quando está de bem comigo. Mesmo quando tudo dá em nada, e o caminho bonito se revela só mais um caminho para lado nenhum, mesmo assim vale pelo bocadinho de percurso que foi lindo enquanto durou. Mesmo assim, vale sempre pelo bem que faz à alma, ao coração, e vá lá… ao corpo também.
Amar, confiar, tentar… sempre fui assim, não melhorei com a idade nem com a experiência. Continuo a mesma de sempre, continuo com a mesma mania inalterável de que um dia vou conseguir. Fazer o quê? Continuar em frente, linda, leve e solta. Sem rede de protecção por baixo. Eu costumo ser boa na queda. Se cair, paciência, já sou uma rapariga crescida. Recomponho-me.

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