sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Até já... beijinhos!


Meus amigos, vou estar fora por três dias.
Estarei ausente já amanhã, na quinta e na sexta-feira. Penso estar de volta na noite de sexta-feira, e aqui com vocês estarei no Sábado.
São apenas três dias, que iriam com certeza passar despercebidos. Mas quis dizer-vos na mesma, pelo simples motivo de que todos vocês que me estão a ler, daí desse lado do ecrã, são muito importantes para mim.
Não faço ideia de quem muitos de vocês são. Sei quem são os meus “seguidores” queridos, que me acompanham, alguns, desde o princípio deste blogue, outros, mais recentemente. Das outras pessoas que lêem o que escrevo, que têm a admirável paciência de me aturar, não sei nada. Nem quantos são, nem aonde estão, nem como se chamam. Mas todos e cada um de vocês, não importa se homens, se mulheres, se perto, se longe, são especiais e maravilhosos! Todos vocês fazem com que eu ache que vale a pena continuar a atormentar-vos diariamente com as minhas escritas, e escrever é uma coisa que me faz um bem imenso á alma! Bem hajam por isso!
Pessoalmente, de entre os meus seguidores, tenho apenas o prazer de conhecer a minha querida “Micróbio”. Amiga de há muitos e muitos anos, do tempo da escola, dos sonhos de menina, amiga de quem eu me tinha perdido e com quem me voltei a reencontrar. Amiga da minha melhor amiga dos quinze anos, a quem também, felizmente, encontrei de novo. A vida, (e o nosso esforço de nos procurarmos, há que nos dar o devido valor), voltou a juntar-nos depois de quase trinta anos! Mais crescidas, mais bonitas, mais saudáveis de espírito, mais empenhadas em não nos perdermos umas das outras, agora que já sabemos que quando a distância se instala, pode instalar-se por muito, mas muito tempo mesmo!
Depois tenho as pessoas que não conheço fisicamente, a quem não posso dar um beijo, um abraço, mas que conheço virtualmente. E que me são tão queridas como se fossem palpáveis, e estão na minha vida tanto quanto estariam, se pudesse chegar-lhes estendendo uma mão.
A Cristina, minha primeira seguidora, que escreve tão bem, de uma forma tão bonita! Aquela que lia e comentava os meus textos todos, que ficou minha amiga do coração, apesar da enorme distância geográfica que nos separa! Minha amiga ainda hoje, e espero que para sempre. Cristina, o livro que me enviou é lindíssimo! Estou a meio, mais ou menos, quando terminar digo-lhe alguma coisa.
A Iolanda que veio logo a seguir á Cristina e que é hoje também uma amiga querida e muito estimada. Amiga daqui do blogue, da página do facebook, que me envia emails lindos e divertidíssimos, e que faz de muitas das minhas tardes, alturas mais bonitas e engraçadas!
A Anabela, sensível, linda, talentosa escritora de textos e de poemas maravilhosos! Minha leitora atenta e minha amiga de facebook desde o princípio de eu ter facebook. No tempo em quando a minha foto de perfil ainda tinha uma bata de cozinha e a minha página vivia cheia de receitas de culinária. Dos tempos em que eu ainda acreditava que podia salvar o que não tinha salvação e me escondia atrás das panelas e do pano do pó, para não ter que enxergar bem a desolação da vida à volta.
O Taborda, fotógrafo aventureiro, meu preferido de entre todos os fotógrafos do mundo! Que me tem mostrado, através das fotos maravilhosas dos seus blogues, lugares, terras, festas, tradições, que eu nem sonhava que existiam! Que disse que me ia tentar trazer uma fotografia da minha casa linda dos tempos de Moçambique, e que não se esqueceu de ma trazer! Acho que por muito tempo que ainda viva, não me vou nunca esquecer disso! Já perdi a conta às horas que passei em frente ao computador, admirando as fotografias bonitas de paisagens, monumentos, ruas, pessoas… lendo os comentários interessantes, adorando a forma peculiar que tem de captar não apenas o óbvio, mas um pouco da alma que está por detrás do imediato.
O Marcelo, meu guru espiritual. Dono do blogue mais positivo do planeta, aonde encontrei tantas vezes ajuda nos momentos mais complicados, de onde fiz downloads de livros maravilhosos, aonde li pensamentos sublimes… Que faz o favor de ser meu amigo, além de meu seguidor.
A outra Cristina, minha seguidora famosa e simpática estrela de televisão, que tão simpaticamente me encontrou perdida por aqui, e que foi ficando durante este tempo todo, que me fez comentários lindos e incentivadores.
A Manuela, minha amiga virtual, minha conterrânea saudosa como eu do sol, do mar, dos espaços deslumbrantes da nossa África tão distante e tão querida! Amiga que conheci numa das páginas no facebook, que falam da nossa terra, a página que mais me fala ao coração “Naturais de Lourenço Marques”.
Os outros seguidores de quem apenas conheço o nome, ou o pseudónimo e que me honram com a sua permanência no meu blogue…
Dos outros leitores anónimos, não sei nem os nomes, nem aonde moram, nem o que fazem na vida. Sei apenas que por alguma razão, que para mim será sempre uma óptima razão, têm a paciência extraordinária de ler as coisas que eu escrevo!
Já tenho escrito neste blogue com as lágrimas a rolarem-me pelo rosto abaixo, no meio do desespero, da tristeza. Já tenho escrito com o coração a bater de alegria, de esperança, de entusiasmo. Todos os dias quando me sento no sofá da minha sala, com o computador portátil da minha filha sobre os joelhos, enquanto todos ainda dormem lá para dentro, é como se o mundo inteiro se abrisse em frente ao ecrã. É como se eu já não estivesse mais sozinha na sala, e estivesse perto de todos e de cada um, falando, sonhando, imaginando e escrevendo coisas que vêm á alma, quando a alma às vezes menos espera que elas venham.
Por tudo isso, e porque vos quero muito bem, quis despedir-me de vocês por estes três dias. Não sem antes vos pedir que não me esqueçam e que não vão para muito longe. Procurem-me de novo quando eu voltar, estarei por aqui. Espero que sim, pelo menos.
Até breve, meus amigos! Muitos beijinhos para vocês!



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amor é... aquilo que nos der mais prazer


Ontem conversava com um querido amigo meu, sobre as dádivas que o Universo nos dá, e o modo como temos de retribuir essas oferendas.
Dizia ele, na sua sabedoria, que tudo o que recebemos, é compensado com algo que nos é levado em troca.
Perguntei-lhe se a troca vale sempre a pena, ou seja, se aquilo que o Universo nos dá, tem sempre o mesmo valor do que aquilo que nos pede como resgate.
A resposta desse meu amigo foi simples e maravilhosa, qualquer coisa como : “Tudo o que é assunto de coração e de amor, vale sempre a pena.”
Não é que eu não o soubesse já!
Mas, de qualquer forma, fez-me muito bem ouvir uma opinião masculina sobre o assunto. A opinião de um “entendido na matéria”, como se costuma dizer.

O amor vale sempre a pena.
Quaisquer que sejam as contrapartidas,
quaisquer que sejam os impedimentos.
Mesmo que seja necessário ganhar uma batalha por dia,
e ainda assim, ir para casa com medo de perder a guerra.
Mesmo que algumas partes do nosso sonho
não sejam sempre brilhantes e radiosas
como imaginámos,
ainda assim o amor vale a pena.

Até se deixarmos por vezes
de conseguir ver o sol,
se as nuvens ficarem carregadas de cinzento
a anunciar chuva
por cima do nosso verão,
se o vento soprar tão forte
que mesmo sem o Outono chegar
as nossas folhas voem desamparadas pelo ar,
e revelem os nossos galhos nus e desprotegidos
no meio do temporal sem fim,
continua sempre a valer a pena amar.

Quando nos cansamos de esperar,
e as horas se arrastam no desespero de olhar para o relógio,
quando nos apetece passar as folhas do calendário
duas a duas,
três a três,
e nem o silêncio responde mais á nossa voz,
e nem as sombras se mexem ao mesmo ritmo que dantes,
e ficam mais lentas,
mais vagarosas,
numa agonia lenta de quem desespera de estar no mesmo lugar,
ainda assim o amor vale a pena.

Naquelas ocasiões em que nos apetece chorar,
fugir,
correr porta fora,
deixar a chave esquecida de propósito em cima da mesa,
para não termos como voltar,
em que não há mapa de estrada,
GPS ou planta de caminho…
Alturas em que as tabuletas indicadoras de percurso
parecem ter sido todas tapadas por panos escuros durante a noite,
e damos por nós parados no meio da estrada,
sozinhos,
largados,
sem ponto de referência,
como uma bússola desorientada e perdida do norte,
até nessas ocasiões desesperadas de abandono,
o amor continua a valer tanto a pena!

Porquê?

Porque não há lágrima que não seja enxuta,
nem tristeza que não seja consolada,
ou sofrimento que não seja mitigado,
com o simples olhar de quem amamos.

Eu sei que parece lamechas, piegas, ou exagerado.
Aqui há uns tempos atrás
também pensava assim!
Também achava que os amores arrebatadores
pertenciam apenas ao reino encantado dos cinema e dos livros.
Pensava que os grandes amores
não eram possíveis de coexistir com o tumulto da realidade,
com as exigências da vida a sério,
mas enganava-me,
e ainda bem que me enganei!

Acreditava que no máximo dos máximos,
o que existia eram amizades mais profundas,
mais autênticas…
ou então apenas a busca do prazer físico,
da satisfação dos desejos,
da paixão…
que talvez tudo isso misturado na mesma pessoa
fosse o tal amor dos poetas.

Mas não,
Não é nada assim.
Amor é quando não há mais nada no mundo para além de quem amamos.
Quando nem o sol do céu,
nem o fogo da paixão na terra,
conseguem igualar o calor do sorriso de quem a gente gosta.
Amor é quando só o pensar naquela pessoa,
faz a respiração acelerar,
põe o coração a bater descompassado no peito,
faz subir um calor gostoso pelo corpo acima,
dá água na boca e em todos os lugares possíveis,
dá uma vontade danada de estar,
de ficar,
de fazer amor até saciar.

Amor é quando nos esquecemos de nós,
e dos nossos problemas e contrariedades,
e nos lembramos de que o mais importante
é deixar o outro feliz.

Amor,
meu amor,
é quando me respondes e me atendes,
e me procuras e me falas,
e me beijas e me amas.
E é quando eu me esqueço de te contar porque
é que estou a chorar
e só quero saber de como tu estás.
Amor,
meu amor,
é saber que existes,
e ficar feliz com a ideia de que me amas.
Mesmo que seja só uma vez por semana,
ou uma vez por mês.
Amor é aquilo que nos der mais prazer,
um beijo, um afago, uma piscadela de olho.

Amor é responder como o meu amigo respondeu : “Tudo o que é assunto de coração e de amor, vale sempre a pena.”




domingo, 28 de agosto de 2011

Não vou a lado nenhum

Os meus amores são sempre complicados!
Não sou uma mulher que se costume deixar encantar
com histórias simples e fáceis.
Os homens que prenderam a minha atenção,
os que me conseguiram segurar por algum tempo a seu lado,
tiveram sempre uma auréola de mistério,
de segredo,
de dificuldades a serem ultrapassadas.
Tinham a tal característica
que levava a minha irmã a saber de antemão
quais eram os meus namorados que iam durar,
e quais eram destinados a serem descartados passada a primeira semana.
“este não vai passar dos primeiros dias, é calmo, tranquilo, bom rapazinho.”
Ou então
“parece que este se aguenta um tempinho, complicado, diferente, perturbador “

 A minha primeira paixoneta a sério
foi por um rapaz da minha turma,
ainda eu andava no ciclo preparatório.
Ele era como eu era naquela idade e naquela altura,
sempre sozinho, sempre distante e calado.
O único que não entrava nas equipas de futebol dos rapazes,
que não se envolvia em lutas de murros e pontapés no pátio da escola.
Que mantinha uma atitude de distanciamento da confusão,
do tumulto que era a vida dos outros adolescentes em ebulição.
Conversava comigo calmamente,
falava-me dos seus problemas,
das suas aspirações simples e tão possíveis de se realizarem,
como são todas as aspirações da juventude.
Por isso, e por serem tão simples de acontecer,
dói sempre demais quando vemos que
afinal mesmo sendo simples, não aconteceram!...
Nunca chegámos a ser namorados.
Nem naquela altura,
nem durante os anos em que depois continuámos a estudar juntos.
Nunca cheguei a saber se ele gostava de mim
da mesma forma como eu gostava dele.
Ou se me procurava por eu ser igual a ele,
a única miúda mais afastada do barulho e da confusão,
mais admirada com toda a agitação que era
o recreio da escola das nossas vidas.

Sem falar sequer de toda a imensidão de amores de menos importância,
que foram aparecendo
e foram ficando perdidos no mesmo caminho
aonde os encontrei,
o meu outro amor mais importante
foi o meu querido X.
Lindo, charmoso, irresistível,
marginal, vagabundo, herói, bandido.
Rei do nosso bairro,
das nossas ruas,
de todos os becos e travessas,
e rei do meu coração
durante um bom tempo.
Aquele que me conquistou no primeiro dia
em que me pôs os olhos em cima.
Que enchia os meus dias de excitação, de adrenalina, e de ternura também.
Que quando estava sozinho comigo
era tão diferente do líder temido por todos.
Tão especial, tão tentador, tão meu!
Que num instante passava de milionário a pelintra completo,
de anjo a demónio,
que voava como um louco maravilhoso
pelas estradas fora na sua moto negra e brilhante.
Que me encostava de encontro a uma parede qualquer,
que me deitava sobre um campo qualquer,
que fazia com que as preocupações desaparecessem com um beijo,
que silenciava as minhas dúvidas e os meus receios com uma carícia.
O único que mexeu comigo a sério,
que me fez escolher se realmente eu queria ir atrás da minha liberdade,
ou simplesmente perder-me nos braços dele e esquecer do resto do mundo.
E ficarmos assim, juntos sem planos,
sem obrigações…
Ele comandando as suas tropas fiéis,
regendo os seus domínios,
E eu,
princesa consorte e intocável
 de uma história de amor bonita demais,
estranha demais para ser contada em meras palavras.
Abandonar o X
foi a decisão que mais alterou o rumo da minha vida.
E muito provavelmente,
uma decisão que tomei de forma errada.

Passados tantos anos,
voltei a encontrar-me de novo com o amor.
Como sempre,
um amor complicado, diferente,
cheio de dificuldades, de obstáculos.
Um amor que levou a minha irmã,
cheia da mesma sabedoria de antes,
a sentenciar calmamente
“agora é que estás bem tramada.
Duvido que consigas sair da mesma maneira como entraste.”
Não me importo nada com isso.
Quem é que falou em querer sair?

Toda a minha vida tem sido complicada!
Estou muito habituada a viver no meio do furacão,
que é o único lugar aonde os ventos não me tocam,
apesar de á volta
a destruição ser total.
Não vou embora.
Não vou para lado nenhum.

Desde os meus primeiros tempos
que tenho lutado contra as dificuldades que a vida me tem apresentado.
A minha família de nascença
foi sempre uma família estranha, diferente, complicada,
Cheia de regras próprias,
de leis internas,
todos eles mergulhados num caos tal,
que nem os próprios se entendiam.
Nasci numa terra,
e tive uma forma de vida em pequenita,
que simplesmente se desintegraram no ar.
De tal forma e de tal maneira
que já nem o nome da terra hoje existe.
E tudo o que era para ter sido para sempre,
tudo o que achávamos inalterável e garantido,
desapareceu junto com a terra,
com as ruas,
com os jardins.
Tive um percurso de muitos anos,
por uma estrada vazia, ressequida e deserta,
desprovida de encantos, de beleza.
Uma estrada pela qual me obriguei a caminhar,
na esperança de que fosse dar a algum lugar,
na esperança de que na próxima curva se visse alguma promessa no horizonte.

Estou tão familiarizada com situações complicadas,
que se calhar nem sabia viver em tempo de paz!
Porque é que havia de desistir de complicações
a esta altura da minha vida?

A única maneira de desistir,
seria renunciando aos sonhos,
prestando atenção á voz da razão,
pondo de lado a alegria, voltando a fechar de novo o coração.
Recuso-me!
Desistir agora, seria muito mais do que desistir de um caso de amor complicado,
seria desistir de acreditar no que me manteve na estrada até agora,
a esperança e a certeza de chegar a um porto bonito de abrigo.

O meu velho veleiro tem as velas rotas e estragadas,
o casco abalroado pelo embate de tantos icebergs, temporais, furacões.
Duvido muito de que conseguisse voltar a pô-lo no mar,
sem que deixasse entrar água pelos rombos mal remendados,
e sem que afundasse com a primeira onda mais revolta.

Acho que sou um pouco como algumas baleias cansadas que dão á costa,
mesmo que as empurrem de novo para o mar,
já lhes falta o ânimo para nadar.




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Todos me vêem, menos tu!


Todos me vêem, menos tu.
E não te importas sequer com isso!
Não se passa um só dia
em que algum homem não me diga pelo menos uma coisa bonita.
Não se passa um só dia,
em que se eu quisesse,
não me fosse possível marcar encontros, trocar telefones, programar saídas.
E não te incomodas,
nem te preocupas.
Tão pouco te aproximas mais,
ou te interessas mais,
ou te propões a cuidar melhor daquilo que é teu.

Todos me vêem, menos tu!
Como é possível que não tenhas ciúmes?
Como é que fazes para não te sentires inseguro?
Dizes que aceitas as pessoas como elas são,
e não invades o seu espaço,
confias
e ficas descansado.
“O sonho de qualquer mulher!”,
Foi o que me disse uma amiga.
Sonho, uma pinoia!
Eu queria era que protestasses!
Que me pedisses para não falar tanto,
para não conviver tanto,
para parar de aceitar presentes apesar de virtuais,
para não receber mensagens,
para não fazer comentários mais atrevidos!

O que eu queria era que dissesses que me amas,
que tens medo de me perder,
que te sentes ameaçado por tanta concorrência,
que te sentes inseguro,
que nem imaginarias sequer a vida sem mim!

Mas não.
Continuas inabalável,
distante, seguro, tranquilo!
Que raiva!
Como é que consegues fazer isso
sem mexer sequer um musculo do rosto?
Sem uma crispação,
um enrugar de sobrancelhas,
um sorriso mais amarelo?

Eu não sou nada como tu!
Sempre que desconfio de que alguma mulher
se está a acercar mais do que devia,
ou a usar contigo termos menos habituais,
ou maneiras de falar menos comuns,
procuro-te logo, digo, reclamo, protesto…
E sinto o meu mundo ficar mais pequenino,
e sinto o meu sol perder as cores!
E choro,
e fico triste,
e tenho um medo danado de te perder!

Todos me vêem, menos tu.
Será que é mesmo assim que deve ser?
Eu devia mesmo ficar contente,
sentir-me solta, livre e leve,
apreciar imenso a liberdade que me dás?
Mas olha que não é assim que eu vejo as coisas!

O que me parece por vezes,
é que não te importas,
porque simplesmente não te interessas.
Não te faz diferença nenhuma,
saberes que me acham bonita,
simpática,
atraente,
Nem te interessa se me fazem propostas,
se me convidam para sair da sala principal,
se me fazem perguntas,
se querem saber formas de chegar a mim.

Nem te interessas em perguntar
o que eu respondo,
o que eu faço,
Como me sinto…
Nem questionas se alguma vez
sinto alguma coisa para lá do normal,
se alguma vez ,me deixo entusiasmar mais do que devia
se alguma vez chego a gostar de forma diferente do que me dizem!

Todos me vêem, menos tu.
Todos arranjam tempo para conversar comigo,
todos têm disponibilidade para me fazer um agrado,
para me mandar uma mensagem,
uma flor,
um chocolate.
Só tu permaneces no teu mundo de ocupações e trabalho eterno.
Cheio sempre de afazeres,
de horários,
de compromissos.
Tudo, tudo
sempre mais importante do que eu,
do que nós!
Todo ocupado na tua necessidade de espaço,
de tempo,
de não te sentires pressionado…

Sou uma pessoa muito carente,
muito sozinha,
muito insegura.
Devias saber isso melhor do que ninguém!
Não sei lidar muito bem com a solidão,
nem com a tristeza.
Gosto de companhia,
gosto de rir,
de conversar,
de ser alegre.
Vivo sempre com um sol aceso no coração,
um sorriso pronto no rosto.
Gosto que gostem de mim!
Faz-me um bem enorme saber que consigo agradar às pessoas!
Nem vou negar que me sinto bem
com tantas atenções, com tanto carinho.

Mas é a ti que eu quero.
É a ti a quem eu amo!
Era contigo que eu queria ficar a conversar
até quase ao fim da noite.
Era contigo que eu queria falar dos meus problemas,
das minhas alegrias…
Partilhar os meus gostos,
os meus desgostos,
Despedir-me com um beijo,
dizer até amanhã,
até já,
até logo.
Não um até quando puderes,
até quando tiveres disponibilidade…

Todos me vêem, menos tu.
E afinal eu sou obra tua!
Tu é que me despertaste de novo para a vida.
Tu é que me ensinaste de novo a ser bonita,
a ser sensual,
tu é que devolveste o brilho ao meu olhar,
o amor ao meu coração,
o prazer ao meu corpo.
Nenhum homem no mundo se compara a ti.
Não te trocava por nenhum outro,
Nem imagino como poderia viver sem ti.

Mas caramba, todos me vêem, menos tu!
Estou com saudades, tantas!
Estou carente de atenção,
de carinho,
de um mimo,
de um agrado.
Estou tão precisada de sentir de novo o teu toque, o teu cheiro…
De ter as tuas mãos em mim,
de te beijar muito na boca,
De ter o teu corpo no meu.
Não quero tempo nenhum.
Não quero liberdade nenhuma.
Nem quero ter o meu espaço respeitado!
Quero-te a ti agora.
Todo, inteiro, só para mim.
Tu és todo o meu tempo,
toda a liberdade e todo o espaço de que preciso.

Todos me vêem, menos tu!
Já está na hora de começares a abrir os olhos!






quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Descapotável cor-de-rosa


 Há muito tempo ninguém me convidava para passear.
Passear mesmo.
Sair para ver um sítio bonito,
um lugar agradável.
Não daqueles convites disfarçados de passeio,
disfarçados de amizade,
cheio de pretextos, de desculpas,
mas que trazem sempre um mundo sem fim
de possibilidades escondidas e ocultas.
Desses convites dissimulados
recebo muitos,
quase todos os dias.
Porque os anos passam,
a vida vai-se alterando,
mas os homens,
esses não mudam nunca…
Sei lidar bem com eles.
afinal há tantos anos que os conheço,
alguma coisa devo ter aprendido…

Na outra noite,
fui passear de descapotável cor-de-rosa,
até um lugar lindo aonde nunca tinha estado,
e aonde nunca estive realmente de facto.

Lembrei-me das motos da minha juventude,
lembrei-me de como o vento soprava nos cabelos,
de como a saia curtinha se levantava na estrada,
de como os motoristas assobiavam e diziam gracinhas patetas.
Á minha frente,
naquela altura,
foram tantos condutores diferentes!
Namorado que era namorado que se apresentasse,
tinha moto,
ou tinha automóvel,
calças de ganga russas,
barba mal feita, ou por fazer,
maço de tabaco a sair da algibeira,
capacete entalado em baixo do braço ou chaves enfiadas na dobra do dedo,
andar gingão,
muita conversa bonita
e muito sorriso malandro.
Tive tantos assim!
Feitos em fotocópia uns pelos outros.
Mudava o nome, quando o nome não ficava só pelas alcunhas.
Mudava a cor do cabelo, dos olhos,
Mas a pessoa em si era sempre a mesma.
Todos como eu era então,
livres, selvagens, soltos na vida e nas estradas da vida,
não importava se as estradas eram asfaltadas ou caminhos de terra batida.
De moto, de automóvel, andei vezes sem conta!
Fui e voltei de lugares que já esqueci,
Lugares aonde nem reparei que estava a chegar,
de onde nem me dei conta que estava a sair.

De descapotável,
que é a meu ver um género de carro á parte dos outros automóveis,
nunca tinha andado.
Nem nunca tinha saído com alguém que se despedisse sem um beijo atrevido,
sem uma tentativa,
sem um convite disfarçado na sombra do sorriso.
Veio-me á cabeça o meu melhor amigo dos tempos de criança.
Aquele que no pátio da escola me defendia dos outros rapazes,
me salvava dos apalpões,
dos empurrões,
dos ovos e da farinha na altura do Carnaval.
Aquele que anos mais tarde,
me levava para dançar,
para beber café,
para conversar.
Que nunca passou do braço pelos ombros,
que nunca foi além do beijinho no rosto.
Deixava-me á porta de casa,
um pouco afastado para o meu pai não ver.
Um sorriso lindo sem maldade!
Meu amigo querido de há tantos anos!
Mais do que os anos de que me consigo lembrar.
Meu amigo desde que desembarquei em Portugal.
Desde os tempos em que eu era a melhor aluna da classe,
e vestia bata branca bem engomada,
e era considerada pelas professoras
e admirada pelos colegas.
E meu amigo depois,
quando na minha busca desenfreada por liberdade
voava sem rédeas na garupa de qualquer moto barulhenta,
ou deslizava sem travões ao lado de qualquer paixoneta de ocasião.

Desde os tempos da minha juventude atribulada,
desde que me perdi do meu amigo,
(não do Jacob de ontem,
graças aos céus tenho tido vários bons amigos,)
até agora,
nunca mais tinha voltado a sair com ninguém só por amizade.
Nem nunca mais me tinham convidado para ouvir música pela noite fora,
nem tinha andado de salão em salão de baile,
á procura do lugar mais agradável para ficar.

Quando me fui deitar,
depois do passeio,
depois da música,
parecia que levava no rosto ainda
a deslocação do ar da estrada.
Parecia que levava nos cabelos o vento a soprar
na noite quente
Como se realmente tivesse saído.
E tivesse mesmo entrado no descapotável.
E tivesse de facto ido passear.
Como se depois do passeio,
tivéssemos voltado para o salão de baile,
em busca de novas músicas,
de novas conversas.

Quando na verdade,
Não cheguei nunca a sair da minha cadeira
em frente ao computador.
Não existiu descapotável cor-de-rosa nenhum,
nem houve qualquer salão de baile.
A não ser, claro,
no mundo da imaginação.
No mundo paralelo ao da realidade que conseguimos tocar,
nesse mundo mágico e maravilhoso que é o mundo virtual.

Fiquei com uma dúvida.
O passeio foi virtual,
O descapotável cor-de-rosa foi também virtual,
assim como os salões de baile dos quais entrámos e saímos.
Mas o acompanhante era uma pessoa real.
Se essa pessoa tivesse passado para o meu lado do ecrã,
Se se tivesse materializado num passeio a sério,
por uma estrada com vento quente a sério,
se me tivesse acompanhado para passear,
se me tivesse levado de facto a dançar,
e depois me tivesse deixado á porta de casa…
Será que se ia despedir com um beijo no rosto?
Será que ia abrir a porta do meu lado para eu sair?
Teria perguntado no dia seguinte se o passeio tinha sido bom?

Não sei…
Mas não quero saber.
A magia e o encanto do mundo que existe dentro dos nossos computadores,
não é para trazermos cá para fora,
salvo honrosas excepções, claro.
Nem há regra que sobreviva sem pelo menos uma excepção.
Já tenho a minha excepção.
Mas regra geral,
O que é virtual,
na virtualidade deve ficar.`

Gostei tanto de passear de descapotável!
Gostei tanto de ir ouvir música e dançar depois!
Fez-me lembrar,
fez-me sonhar.
Nestes últimos dias tenho andado bem precisada de quem me faça sonhar.
Ou de quem me faça acreditar que ainda vale a pena sonhar.
Ou de quem saia dos sonhos e se torne enfim real.
Tenho andado muito carente…
Queria que a minha excepção que confirma a regra,
se materializasse agora,
aqui em frente de mim!
E me convidasse para sair.
Me levasse de moto, de carro, a pé.
E não me deixasse passear de descapotável com mais ninguém.





Ainda queres ir comigo dar a volta ao mundo?


Ontem lembrei-me do Jacob.
Lembro-me do Jacob muitas e muitas vezes.
Mas ontem,
não sei porquê, a lembrança dele não me abandonou o dia inteiro…

Jacob foi um amigo querido que eu tive, há muito tempo.
Ficou na minha vida por uns meses largos,
está no meu coração até hoje,
e é daqueles amigos
que vai ficar comigo para sempre.
Eu tinha dezassete anos, ele, vinte e cinco.
Eu era louca, livre, alegre, solta no mundo.
Ele tocava violão, fumava, viajava e sonhava.

Em comum tínhamos os cabelos compridos,
a paixão pela liberdade,
a vontade de ir sempre mais além
do que aquilo que a próxima esquina deixava antever.

O Jacob conhecia países e lugares nesses países
que eu nem sequer sabia que existiam.
De vez em quando punha a mochila às costas
e desaparecia pela estrada fora.
Assim…
Sem mais nada a não ser a vontade indomável de ver o que está
para além da linha do arco-íris.
Acho que foi ele quem me ensinou a gostar do arco-íris!...

Depois voltava quando eu menos esperava.
Cheio de histórias, repleto de novidades.
Trazia sempre uma lembrança, um carinho, um agrado para mim.
Uma folha de jornal da localidade aonde estivera,
uma caixa de fósforos que usara e que tinha alguma coisa interessante para ler,
uma prata bonita de embrulhar chocolates…
No outro dia,
encontrei no fundo duma gaveta
a pulseira de missangas vermelhas, brancas e azuis
que ele me trouxe de um dos passeios a França.

Os meus outros amigos olhavam-no com desconfiança.
Não percebiam o que eu via nele,
tão pacifico, tão calmo, meigo, sossegado.
Tão bonito, com os seus cabelos cor de mel a rodearem-lhe o rosto como um manto.
Sempre pronto a partilhar tudo o que tinha.
Partilhar naquela altura em que não havia facebook,
era um conceito pouco divulgado entre a juventude.
Ele oferecia cigarros, cerveja, tocava as músicas que lhe pediam.
Não reclamava, não exigia nada em troca.
O único de entre todos os daquele tempo,
que era capaz de ficar perto de mim
sem me tentar agarrar, nem beijar,
nem puxar para um canto mais abrigado.
“Amaricado”, era o que lhe chamavam.
Querido, amigo, lindo companheiro do coração, era o que ele era para mim.

Muitas vezes o Jacob me convidou para ir com ele
“á volta do mundo”,
como ele dizia.
Claro que nunca pude ir…
“Pomos o pé na estrada, e depois já ninguém nos apanha. É tudo nosso! Vamos?”

Se fosse hoje?
Se ele ainda estivesse por aqui,
com o seu violão ao ombro,
os cabelos do tamanho dos meus,
a voarem como os meus voam ao vento,
os olhos castanhos tão parecidos com os meus,
aquele sorriso inocente que era só dele e nunca mais vi em ninguém…
Se ele me voltasse a convidar para ir com ele?
Ontem tinha ido de certeza!!!

Naquela altura nunca notei nada de diferente no meu amigo.
Não me apercebi de nenhuma mudança,
de nenhuma alteração de humor.
Ele sempre foi como continuava a ser,
calmo, atencioso, cortês, delicado…
Nunca se queixou comigo, nunca se lastimou de nada.
Aliás, eu pouco sabia da vida dele para além do seu amor pela aventura.
Sabia o que todos sabiam,
os pais eram ricos,
ele não precisava de trabalhar,
passava a vida a viajar e a tocar viola,
sem manorada fixa, sem amigos fixos,
sempre sozinho, ou comigo de vez em quando.

A última viagem á volta do mundo
levou o meu amigo Jacob para debaixo de um comboio.
Seguiu em frente, como sempre seguia,
só que daquela vez
não entrou na estrada bonita aonde costumava entrar.
Seguiu pelo trilho da via-férrea que passava atrás da mata
aonde entretínhamos os nossos dias.
Foi esmagado, trucidado, abraçado de frente pelo comboio.
Morreu com a sua mochila de caminhante às costas,
o seu violão pendurado ao ombro.
Porquê?
Nunca soube.
Dessa viagem ele não voltou mais
para me contar como tinha sido.
Nem me trouxe mais nenhuma recordação do mundo do outro lado.

Acho que ontem me lembrei dele
mais do aquilo que é costume,
porque finalmente percebi
o que o levava a partir sempre,
uma vez após outra,
sem se cansar, sem se deter, sem se saciar.

Chega uma altura na vida da gente
em que todos os caminhos que temos por perto
vão dar a lugar nenhum.
Em que todas as estradas que conseguimos ver da janela
estão experimentadas e são conhecidas.
Não há mais atalhos para explorar,
nem mais montanhas virgens
para subir e ver o que está do outro lado.
Tudo é igual.
Tudo é feio e é cinzento.
As cores bonitas fugiram todas para o arco-íris que está na outra ponta do horizonte.
Nessas ocasiões,
os viajantes como o Jacob,
põem a mochila ás costa e entram na estrada que os leva para longe.
Os que não são viajantes,
continuam aonde estão.
A morrer devagarinho em vida.
Á espera de algo que nunca vai chegar.

O Jacob escolhia sempre seguir ao acaso pela estrada
que lhe apetecia conhecer na altura.
Talvez tenha chegado uma ocasião
em que até todas essas estradas estivessem conhecidas.
Em que mesmo do outro lado do horizonte
já não houvesse mais nada para descobrir.
Nem nenhuma razão para parar em lugar nenhum…

Talvez tivesse sido por isso
que ele escolheu o abraço do comboio,
experimentar o único caminho por aonde ainda não tinha seguido…

Jacob, que tal vires-me contar como é por aí?
Que me dizes de apareceres um pouquinho,
como fazias dantes,
de mansinho, com um sorriso,
sem eu dar por isso?
Pode ser em sonhos,
ou pode ser aqui mesmo sentado na outra ponta do meu sofá.
Não tenho medo nenhum!
Não tenho medo de fantasmas, nem de almas penadas,
e tu és meu amigo, nunca ia ter medo de ti!
Conta coisas de lá,
se é sossegado, se existem também lágrimas e tristezas,
ou se é um lugar aonde se pode simplesmente descansar em paz…

Se for bom,
se estiveres a gostar,
convida-me de novo a ir contigo…
Quem sabe desta vez eu aceito.
Se fores comigo,
se me deres a mão
se me prometeres que não desapareces no caminho…
Acho que sim.
“Pomos o pé na estrada, e depois já ninguém nos apanha. É tudo nosso! Vamos?”

É que as minhas estradas estão todas batidas demais!