sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amor é... aquilo que nos der mais prazer


Ontem conversava com um querido amigo meu, sobre as dádivas que o Universo nos dá, e o modo como temos de retribuir essas oferendas.
Dizia ele, na sua sabedoria, que tudo o que recebemos, é compensado com algo que nos é levado em troca.
Perguntei-lhe se a troca vale sempre a pena, ou seja, se aquilo que o Universo nos dá, tem sempre o mesmo valor do que aquilo que nos pede como resgate.
A resposta desse meu amigo foi simples e maravilhosa, qualquer coisa como : “Tudo o que é assunto de coração e de amor, vale sempre a pena.”
Não é que eu não o soubesse já!
Mas, de qualquer forma, fez-me muito bem ouvir uma opinião masculina sobre o assunto. A opinião de um “entendido na matéria”, como se costuma dizer.

O amor vale sempre a pena.
Quaisquer que sejam as contrapartidas,
quaisquer que sejam os impedimentos.
Mesmo que seja necessário ganhar uma batalha por dia,
e ainda assim, ir para casa com medo de perder a guerra.
Mesmo que algumas partes do nosso sonho
não sejam sempre brilhantes e radiosas
como imaginámos,
ainda assim o amor vale a pena.

Até se deixarmos por vezes
de conseguir ver o sol,
se as nuvens ficarem carregadas de cinzento
a anunciar chuva
por cima do nosso verão,
se o vento soprar tão forte
que mesmo sem o Outono chegar
as nossas folhas voem desamparadas pelo ar,
e revelem os nossos galhos nus e desprotegidos
no meio do temporal sem fim,
continua sempre a valer a pena amar.

Quando nos cansamos de esperar,
e as horas se arrastam no desespero de olhar para o relógio,
quando nos apetece passar as folhas do calendário
duas a duas,
três a três,
e nem o silêncio responde mais á nossa voz,
e nem as sombras se mexem ao mesmo ritmo que dantes,
e ficam mais lentas,
mais vagarosas,
numa agonia lenta de quem desespera de estar no mesmo lugar,
ainda assim o amor vale a pena.

Naquelas ocasiões em que nos apetece chorar,
fugir,
correr porta fora,
deixar a chave esquecida de propósito em cima da mesa,
para não termos como voltar,
em que não há mapa de estrada,
GPS ou planta de caminho…
Alturas em que as tabuletas indicadoras de percurso
parecem ter sido todas tapadas por panos escuros durante a noite,
e damos por nós parados no meio da estrada,
sozinhos,
largados,
sem ponto de referência,
como uma bússola desorientada e perdida do norte,
até nessas ocasiões desesperadas de abandono,
o amor continua a valer tanto a pena!

Porquê?

Porque não há lágrima que não seja enxuta,
nem tristeza que não seja consolada,
ou sofrimento que não seja mitigado,
com o simples olhar de quem amamos.

Eu sei que parece lamechas, piegas, ou exagerado.
Aqui há uns tempos atrás
também pensava assim!
Também achava que os amores arrebatadores
pertenciam apenas ao reino encantado dos cinema e dos livros.
Pensava que os grandes amores
não eram possíveis de coexistir com o tumulto da realidade,
com as exigências da vida a sério,
mas enganava-me,
e ainda bem que me enganei!

Acreditava que no máximo dos máximos,
o que existia eram amizades mais profundas,
mais autênticas…
ou então apenas a busca do prazer físico,
da satisfação dos desejos,
da paixão…
que talvez tudo isso misturado na mesma pessoa
fosse o tal amor dos poetas.

Mas não,
Não é nada assim.
Amor é quando não há mais nada no mundo para além de quem amamos.
Quando nem o sol do céu,
nem o fogo da paixão na terra,
conseguem igualar o calor do sorriso de quem a gente gosta.
Amor é quando só o pensar naquela pessoa,
faz a respiração acelerar,
põe o coração a bater descompassado no peito,
faz subir um calor gostoso pelo corpo acima,
dá água na boca e em todos os lugares possíveis,
dá uma vontade danada de estar,
de ficar,
de fazer amor até saciar.

Amor é quando nos esquecemos de nós,
e dos nossos problemas e contrariedades,
e nos lembramos de que o mais importante
é deixar o outro feliz.

Amor,
meu amor,
é quando me respondes e me atendes,
e me procuras e me falas,
e me beijas e me amas.
E é quando eu me esqueço de te contar porque
é que estou a chorar
e só quero saber de como tu estás.
Amor,
meu amor,
é saber que existes,
e ficar feliz com a ideia de que me amas.
Mesmo que seja só uma vez por semana,
ou uma vez por mês.
Amor é aquilo que nos der mais prazer,
um beijo, um afago, uma piscadela de olho.

Amor é responder como o meu amigo respondeu : “Tudo o que é assunto de coração e de amor, vale sempre a pena.”




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