sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 14 de agosto de 2011

Amor no Computador


Desculpa-me, mas eu vou chorar.
Sei que não tens culpa, sei que não fazes de propósito.
Também sei que não podes evitar, nem prometeste que ias evitar.
Mas estou á tua espera há não sei mais de quantas horas!

Já conversei com todas as  amigas mais queridas da minha lista.
Já comentei, pus likes, ouvi música, disse disparates.
Mandei emails para todos os primos distantes,
Li todas as notícias do dia.
Quando é que vai surgir uma luz verde por baixo do teu nome?
Queria-te falar de tantas coisas!
Apetecia-me tanto namorar um bocadinho…
Queria muito ler-te a dizer que tens saudades.
Gosto tanto de conversar contigo!
O mundo inteiro fica mais lindo quando tu estás online.
O meu coração bate mais rápido entre o verde e o toque de chamada.
Vá lá, aparece, vem, fala comigo…
Não me deixes sem notícias a tarde toda!

Sai, inventa uma desculpa, arranja um compromisso de última hora.
Vem cá para fora, pega no teu telemóvel.
Manda-me uma mensagem.
Uma só, com palavras abreviadas para ser mais rápida, mas com um “amo-te” no fim.
Mesmo que depois tenhas de voltar para dentro, sem esperar pela minha resposta.
Ou telefona-me, fala-me de amor, fala-me de carinho, sussurra doçuras ao meu ouvido.
Não preciso de muito, afinal.
Só para eu saber que estás a pensar em mim…
Para ter a certeza de que ainda estou no teu coração,
Aonde quer que vás, com quem quer que estejas.
Só para eu me lembrar de como é bom ouvir a tua voz.
Adoro a tua voz, uma extensão de ti, forte, profunda, masculina!

Já tenho os olhos a arder de tanto olhar o ecrã do computador.
Não sei se ardem por causa do ecrã ou se ardem porque estou quase a chorar.
Ali, do cantinho direito, a tua foto sorri-me amorosamente, mas não me diz nada.
A tua luz nunca mais fica verde, o sinal da mensagem nunca mais chega.

Desculpa-me, mas eu vou chorar.
Os amores complicados são assim.
Não me importo com definições, regras ou preconceitos sociais.
Só queria que me falasses durante um pouquinho.
Nem sequer tenho assim muitos ciúmes…
Sei bem que não tenho esse direito.
Não me prometeste nada, não me fizeste acreditar em nada.
Tu és tu, com a tua vida, os teus compromissos.
Como já eras quando eu cheguei.
Eu sou a cara sorridente, que tu achas bonita, no ecrã do computador.
Como também já era quando tu chegaste.

Enquanto olho a tua foto no meu ecrã,
Ponho-me a sonhar.
Se a buzina lá fora fosse a do teu carro?
Se não tivesses aguentado as saudades e me tivesses vindo ver?
Se enquanto eu te esperava no computador,
Estivesses tu a caminho daqui?

Eu saía, ia ter contigo.
No meu sonho, não há mais mundo nenhum para além de nós dois.
Abria a porta do carro, sentava-me ao teu lado, como de costume.
Tu beijavas-me, abraçavas-me, despenteavas-me,
Desarrumavas-me a roupa e o coração.
E não havia vizinhos abelhudos a coscuvilhar por detrás das cortinas,
Nem ninguém que reparasse no nosso amor.
Nem o meu cão, que é um gigante gentil, ia ladrar nessa altura.
O meu gato, que gosta de vir atrás de mim para todo o lado, ia fugir para longe.
E eu perguntava-te porque tinhas demorado tanto,
E tu dizias que eu moro "longe para caramba".
E riamos felizes, e sem pressas, como se todo o tempo do mundo fosse nosso.

E tu arrancavas no carro e fugias comigo.
Só parávamos lá, no nosso sítio.
E subíamos,
E ficávamos os dois juntos.
E tu chegavas-te ainda mais a mim,
Apertavas-me e beijavas-me e despias-me.
E fazíamos amor de pé, deitados,
Por tudo quanto fosse lado, de tudo quanto fosse jeito.
E quando déssemos por isso,
Já tinhas perdido todas as tuas horas,
Todos os teus compromissos.
Já te tinhas esquecido da agenda,
Já tinhas chamadas em espera no telemóvel.
E não fazia mal nenhum demorar mais um bocadinho.

Desculpa-me, mas eu vou desligar o meu computador.
Por hoje chega, estou cansada de só poder olhar a tua foto,
E de só te poder acariciar o rosto com o cursor do meu rato.
Que vontade de ti, da tua boca, das tuas mãos, do teu corpo, dos teus abraços!
Sonhei demais, foi o que foi!
E agora fiquei assim, carente, afogueada, com uma chama acesa de desejo,
Um calor a abrasar-me o corpo inteiro.
Quem me dera que estivesses comigo!
Para me deitares em cima da secretária e me teres aqui mesmo,
Aonde tantas vezes passo horas inteiras a esperar por ti.
Já te deixei um recado no face para leres quando entrares.
O meu telemóvel fica ligado,
para o caso de me quereres falar,
Ou para se me mandares uma mensagem.
Adoro o toque das mensagens.
Sei que és sempre tu.

Amanhã passo por cá logo cedinho,
A ver se estás online
Vê se apareces, ou se dás sinal de vida.

Ou então, já sabes, pega no teu carro,
Buzina em frente ao portão da minha casa,
E foge comigo.
Não tenhas dúvidas de que eu vou,
Basta só chamares-me.
Não importa para onde, desde que esteja contigo.
Vou para o fim do mundo,
Se estiveres comigo, bem juntinho ao meu lado.
Amo-te tanto!
Que vontade de ti!


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