sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 21 de agosto de 2011

Espaço, liberdade


Espaço… Quem precisa de espaço?
Eu não!
Não preciso de espaço. Tenho muito espaço quando estou sozinha.
Quando gosto de alguém não sei dar espaço.
Não reconheço limites, não defino fronteiras.
A definição de mim própria,
de onde eu começo e de onde eu acabo,
fica esbatida.
Nada para mim é mais importante do que estar perto de quem amo.
Mesmo que o perto possível
seja só o ecrã do computador, ou o visor do telemóvel.
Quando amo um homem,
Sou capaz de segui-lo seja para onde for,
de que modo for,
quando tiver que ser.
Não pergunto pelo depois,
não me inquietam razões racionais,
nem vejo a minha vida sem ser ao lado dele.
Todo o espaço de que preciso,
é o espaço que existe entre os braços dele.
Toda a liberdade de movimentos de que necessito,
é a que me permita chegar até ele, sempre que puder ser.

Mas isso sou eu.
Não sei se as outras mulheres são assim…
Eu sou confusa, insegura, assustada.
Preciso a todo o instante de saber que sou amada,
querida, desejada.
Gosto de ouvir palavras de amor,
ainda sonho com príncipes e princesas e finais felizes.
Acredito sempre.
Confio sempre.
Demoro sempre tanto até dar o coração a alguém!
Apaixono-me sempre muito mais depressa do que amo.
Mais depressa me conseguem satisfazer o corpo do que a alma.
Entrego tudo junto comigo sem precisar de rede por baixo.
Eu, e a minha maneira estranha de amar num homem
muito mais do que os seus beijos, o seu corpo, o seu desejo.
Eu, e a minha maneira estranha de ver o amor
como se ele fosse uma tábua de salvação,
um porto de abrigo.
Um lugar bonito para encontrar protecção, segurança, asilo.
Um lugar aonde ninguém me pudesse fazer mal, nem magoar, nem fazer-me chorar.

Os homens não são assim!
Precisam de espaço para serem felizes.
Não gostam de se sentirem pressionados,
nem sufocados.
Acho que o amor dos homens é muito diferente daquilo que eu entendo por amor.
Talvez seja só uma forma diferente de amar.
Infelizmente não conheço o número suficiente de homens,
com quem possa falar sobre amor,
sem que eles pensem imediatamente que estou a convidá-los para a minha cama.
Mas gostava de saber…
Gostava de saber se é dessa forma fria e distante que os homens amam?
Se é normal que preferiram fazer todas as outras coisas do mundo,
em vez de ficar com quem dizem gostar?
Será que colocam a pessoa dos seus desejos e dos seus afectos sempre no fim da sua lista de prioridades?
É costume no mundo dos homens pedir espaço, liberdade, tempo para si?
Quando um homem diz a uma mulher que a ama,
mas lhe pede que ela se mantenha afastada até que ele a chame,
essa é a maneira masculina de amar?
Uma maneira tão fria, tão distante…
Tão sem sentimento, sem graça…

Os dois homens da minha vida que amei com loucura, com ternura,
Com o corpo e com a alma,
Têm exactamente essa forma de ver o amor.
Todos os outros, os que vieram entre um e o outro,
foram apenas passageiros rápidos na minha vida,
Não deixaram marcas, nem lembranças.
Vieram e foram apenas, calmamente, sem sobressaltos nem amores a sério.

O primeiro dos dois, quando eu tinha os meus dezasseis, dezassete anos.
O meu namorado mais querido, mais complicado, mais amado,
aquele que ainda hoje guardo num cantinho especial do meu coração.
Que dizia que me amava mais do que a todas as pessoas do mundo,
Que me protegia, me cuidava, me dava prazer, me fazia sentir tão especial,
mas que precisava de se sentir livre para me procurar quando quisesse,
e que não conseguia ser feliz se sentisse que eu o pressionava.
O mesmo que ás vezes me deixava á espera horas a fio,
que desaparecia durante dias,
e me procurava depois com um sorriso bonito nos olhos verdes.
Agarrava-me, beijava-me e lá se iam os ressentimentos e as mágoas…
Gostava de mim á sua maneira livre,
De vez em quando, sem compromisso, sem cobranças.
E eu que o adorava não quis assim para mim.
Fui-me embora,
Deixei-o mas não fiquei feliz.

E passados tantos anos,
Encontro de novo o mesmo tipo de amor.
A mesma vontade de separar as águas,
De compartimentar momentos de amor de um lado,
vida e compromissos de outro.
Quando pensava que tinha aprendido tanto com os erros do passado,
volto ao mesmo desafio dos meus dezassete anos.
Vale tudo para conservar um amor?
Vale aceitar todas as condições?
É possível um homem amar e não querer estar sempre perto?
Quando eu era jovenzinha decidi desistir e procurar outro género de amor.
Queria sair de casa do meu pai, queria casar, queria uma família…
Agora que os meus sonhos mudaram,
que já saí da casa do meu pai, que já passei pelo casamento, pela família,
aquilo que quero é apenas ser feliz!
E ainda me lembro tão bem
do quanto sofri quando abandonei o meu namorado livre e independente!
Escolho ficar.

Não me importo muito em não ser a prioridade,
(Ah, minha amiga, deves estar furiosa comigo!)
Importava-me muito mais se ficasse sem o amor dele.
Estando eu em primeiro ou em último lugar na sua lista de tarefas e afazeres,
o que quero é continuar com ele no coração a toda a hora.
Posso esperar, posso compreender, posso aceitar.
Só não posso imaginar a minha vida sem ele.
É verdade que não é o amor dos meus sonhos.
É verdade que não posso contar com ele para me ajudar quando preciso,
para me consolar quando estou triste,
para me beijar quando estou carente,
ou para me amar sempre que tenho vontade.
Mas é o amor possível dadas as circunstâncias,
e dada a personalidade dele.
E eu sempre soube que ia ser difícil,
E ele nunca me prometeu que ia ser um mar de rosas.

Desta vez não vou embora,
Nem vou desistir.
Afinal talvez tenha mesmo aprendido qualquer coisa com o passado…
Ainda me lembro da outra despedida,
do outro adeus.
Da tristeza que foi depois,
do vazio,
da solidão!
Do escuro sem fim que se seguiu a eu ter ido embora.
Da sensação de dor como se tivesse perdido uma mão, um braço, uma parte querida de mim.
Não, nem pensar!
Já não tenho tantos anos á minha frente como tinha aos dezassete anos.
O amor pode não bater mais á minha porta,
ou eu posso não querer abri-la outra vez.
Vou ficar e vou tentar ser feliz com o que tiver para mim.
Porque acho que vale a pena.
E porque este amor me é querido demais!

Fraca auto-estima?
Baixo amor próprio?
Talvez...
Mas eu nunca disse que sou perfeita.
Só disse que estou apaixonada.







Sem comentários:

Enviar um comentário