sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Mais do que amigo, mais do que desejo, mais do que gostar...

Não te adoro só, amo-te.
Adorar é pouco. Adorar, também adoro sentir o calor do sol na pele, a derreter o frio, a mandar embora o Inverno da alma. E adoro o fresco do vento a soprar segredos picantes ao ouvido, a despentear o cabelo, a descer pelo pescoço e a enfiar-se pelo decote da minha camisola. Adorar, adoro a chuva quando cai direitinha sobre o meu rosto, a minha roupa, sobre mim toda, e quando me deixa com aquela sensação deliciosa de estar limpa e pura, leve e solta, pronta para bailar ao vento, sem querer saber dos sapatos molhados, do cabelo ensopado, sem me preocupar com o frio no corpo, só com a sensação tão boa da água a pingar, a escorrer, a descer como uma carícia antiga mas sempre excitantemente nova. E adoro o pôr-do-sol, quando o mundo inteirinho fica vermelho e gostoso, quando o sol parece uma romã apetitosa e o céu fica como a paleta de um pintor alucinado, cheio de cores lindas, parecidas com o fogo vivo, quentes e envolventes. A ti não te adoro só. Amo-te. Adorar apenas, era comparar-te a todos os outros prazeres da vida, e tu és incomparável a qualquer um deles. Tens todos eles misturados dentro de ti. E és o mais excitante de todos os que já experimentei.
Não te desejo apenas, amo-te. Desejar, sou capaz de desejar um lindo gelado de chocolate, daqueles de bola gigante, numa taça transparente de vidro, com uma cereja a enfeitar. Desejar, desejo uma bebida fresca quando o calor é muito, quando a sede me faz sonhar com ribeiros, regatos, pedaços de gelo flutuantes, oásis no meio do deserto. Desejo é o que senti quando queria comprar o vestido verde, curtinho e justinho, da minha juventude. Quando queria ver algum filme novo que ia estrear no cinema ao pé da minha escola. Quando alguém que eu queria para mim, me convidava para sair, para passear, para namorar. Desejo senti muitas vezes, em muitas ocasiões, com muitas pessoas. Desejo simples, de um abraço, de um beijo, de um afago, de colo, de protecção, de um bocadinho mais, ou de um bocadinho menos. A ti, não te desejo só. Amo-te. És mais do que todos os desejos que já senti. Mais forte, mais intenso, mais inexplicável, o que me dá mais prazer do que todos os outros desejos que já consegui satisfazer na minha vida.
Não gosto de ti, apenas. Amo-te. O mundo está cheio de coisas, de pessoas, de quem gosto. Por todo o lado vejo algo que fascina, que me prende a atenção, algo de que gosto e de que me custaria separar. Fotografias bonitas, objectos delicados e encantadores, lugares especiais e diferentes de todos os outros lugares. Gosto de pessoas de dantes, de agora e de sempre, que fazem parte dos meus dias e das minhas memórias, pessoas de quem gosto realmente, porque são como que uma parte de mim, e me ajudam a ser um pouco mais feliz, de cada vez que estou com elas. Acho que sou mesmo uma “gostadora” profissional. Sempre apaixonada pelas coisas bonitas, pela beleza da vida, pela ideia linda de que a esperança nunca vai morrer e de que todos os dias que estão para chegar vão ser radiantes e maravilhosos. De ti não gosto, apenas. A ti, amo-te. Todos os gostos do mundo, não chegam para definir o que sinto por ti, pela pessoa especial que és, pelo gosto supremo de entre todos os meus gostos, que é saber que estás mais perto, ou mais longe, mas que até és bem capaz de gostar, pelo menos, um pouquinho de mim.
A ti não te quero como a um amigo. A ti, amo-te. Amigos tenho tido muitos ao longo da vida, felizmente. Alguns que se perderam de mim, outros que se mantiveram comigo até hoje. Amigos mais recentes, divertidos, bem-dispostos, amigos e amigas a quem eu adoro de paixão. Por alguma benesse especial da vida, vivo rodeada de amizades, faço facilmente amizades, e facilmente também, as pessoas ficam minhas amigas. É muito bom, é uma bênção que muito estimo e que preservo. O dom de fazer amigos, a capacidade de os conservar, é para mim muito, muito importante. Mas a ti não te quero apenas como amigo. A ti, amo-te. Um amigo pode ser quase tudo, a troco de quase nada. Um amigo pode estar sempre lá para mim, e pode dispor de mim sempre que precisar. Mas nenhum dos meus amigos, me faz bater o coração, nem me acelera a respiração, nem me excita o desejo só a um simples pensamento, como tu fazes. És muito diferente de um amigo. És o meu amor.
A ti não te agradeço só o estares por perto quando preciso, não te agradeço apenas o sorriso, a alegria, a vontade louca de viver. A ti, e porque te amo, agradeço-te o simples facto de existires, e de fazeres parte da minha vida. Sem papéis, sem compromissos, sem oficializações, sem nenhuma dessas pequenas coisas sem significado.
A ti, amo-te. Porque entraste em mim, de uma forma gostosa e linda, como mais ninguém tinha conseguido fazer. E agora estás em tudo o que sou eu. E estás mais em mim, do que por vezes eu própria. Fazes a minha vida mais linda, e o meu coração muito mais feliz. Penso em ti mesmo quando não dou conta de que estou a pensar. Desejo-te em mim, mesmo quando não dou contas de que te estou a desejar.
E se isto não é amor, então não sei o que possa ser. Mas, de qualquer maneira, tenha o nome que tiver, segundo quem o classificar, é muito bom, e é muito bonito!
Para mim és o mundo inteirinho resumido e condensado num simples “Amo-te”. Amo-te muito, tanto, demais!




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