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A mostrar mensagens de Setembro, 2011

Fui apanhada desprevenida

Fiquei admirada, fiquei surpreendida. Porque há emoções que nos apanham assim, sem estarmos preparados. Quando estamos por aí, demasiados ocupados, demasiado preocupados com a vida.
Somos sempre mais amigos daqueles com quem choramos Do que daqueles com quem rimos.
Comigo sempre aconteceu desta maneira. Quem tem paciência para me aturar, quem fica comigo sem pedir nada quando preciso de colo, quem me dá carinho quando choro, tem direito á minha gratidão eterna.
Tenho a felicidade enorme de ter alguns amigos queridos assim. Alguns devem estar a ler o que estou a escrever, e sabem quem são. E sabem que os amo de todo o coração, porque fazem parte da minha vida. E dia que não fale com cada um deles, é um dia mais triste para mim.
Um deles mora dentro da minha alma desde que desembarquei em Portugal. Alguns estão comigo quase desde a infância. Outros fui-os conquistando ao longo do meu caminho. E tenho os que vivem no meu coração há menos tempo, e ocupam um lugar tão importante como todos os outros. Tenho-os proc…

Não é assim que vou desistir...

Existem lugares aonde passamos e nos quais nunca nos imaginaríamos a viver… Casas aonde até moramos mas nunca chegam a ser o nosso lar… Pessoas que parecem não nos estar destinadas mas que não nunca deixamos sair das nossas vidas…
Eu não acredito muito, nunca acreditei muito no destino. Mas para quem acredita, existem certas coisas a que se chamam sinais. E certos desses sinais são fortes demais para serem simplesmente ignorados.
Quando tudo está combinado, acertado, encaminhado para acontecer de uma certa maneira, num certo lugar a uma certa hora, e de repente tudo fica sem efeito, não apenas uma, mas várias vezes com a mesma pessoa, somos decerto levados a pensar que estamos defronte de um desses tais sinais.
Ou um sinal, ou alguma coisa desconhecida que por alguma razão misteriosa nos afaste daquela pessoa.
Exactamente o género de situação que nunca resulta comigo! Apesar dos anos se terem passado, e de eu ter crescido e me ter tornado responsável nas coisas obrigatórias da vida, a minha reacção ás contrariedade…

Queria viver dentro de uma fotografia

Queria viver dentro de uma fotografia… Esconder-me num recanto qualquer. Deixar que todos passassem. E quando fechassem o álbum, finalmente sair a passear.
Podia ser numa fotografia de uma praia bonita, daquelas que têm palmeiras quase até pertinho do mar. Ou então num campo verdejante, enfeitado de mil papoilas vermelhas garridas e malmequeres amarelos e brancos. Num jardim luxuriante com avenidas largas de verde, orladas de canteiros misturados de várias cores e aromas espalhados ao vento. Ou num deserto escaldante, bem pertinho de um oásis eterno, sentindo o gostoso da areia quente por baixo dos pés, e com a certeza consoladora de não mais ter frio.
Podia ser numa fotografia qualquer de qualquer lugar bonito. Bastava que me sentisse feliz, por lá ficar.
Podia ser numa fotografia da tua cama, juntinho de ti, por debaixo dos teus lençóis. Podias acordar e em vez de me mandar embora, perguntar porque é que eu tinha demorado tanto para chegar. E aí eu lembrava-te de que quem tinha fechado a porta tinhas sido…

Soube tão bem ter quem me quisesse ouvir

Como se fosse hoje… As escadas do avião, tão íngremes, tão a descer sem fim… a lembrar o escorrega grande do Dragão de Ouro, mas sem nos podermos deixar escorregar. A minha mãe que levava a minha maninha pela mão… Eu que ia como sempre, a espreitar o mundo por detrás das calças bem engomadas do meu pai.
Estava escuro. Pensei que era noite… Mas não. Era só falta de sol. Falta de luz. Estava frio… Muito frio! E as nossas coloridas roupas tropicais abanavam pobremente como bandeiras desfraldadas, assinalando o desembarque desconsolado, de mais um grupo de abandonados, repatriados, exilados, refugiados, tristemente retornados.
As minhas célebres tias de Lisboa estavam á nossa espera. Todas elas. Temíveis nas suas roupas escuras, nos seus cabelos estranhamente enrolados á volta da cabeça… Numa pressa urgente de resgatar a irmã mais nova, que finalmente regressava do degredo de África.
O meu pai mantinha a sua atitude digna e reservada, Sempre composto, sempre cavalheiro. Sempre olhado de lado e com desconfiança pelo bando de…

Devia cuidar melhor de mim

Devia… Preservar-me do sofrimento. Proteger-me de tudo o que me possa deixar triste. Fugir de tudo o que me possa fazer chorar.
Mas assim não sou eu. Deixo de ser quem sou. Se não arriscar, perco a liberdade de sonhar.
Bem sei que a história da minha vida tem sido um risco constante. E sei que a maior parte das vezes, tenho saído muito maltratada das minhas lutas e das minhas batalhas. Têm-me encostado contra a parede, Têm-me empurrado, Têm-me feito chorar, Têm-me levantado a saia da alma E têm-me violado o coração. Têm-me deixado sozinha, Têm-me desfeito as ilusões, Têm-me feito perder as esperanças, e têm reduzido o meu amor a mera distracção passageira.
Mas também tenho tido momentos muito bons. Ainda que por meros instantes, tenho sido muito feliz! Mesmo que essa felicidade não costume durar mais do que o tempo que se leva para despertar de um sonho. Mesmo assim, tem valido a pena!
Cada suspiro, Cada gemido, Cada carícia, cada afago, cada beijo… Tudo tem valido a pena… Cada palpitar do coração, As boas novidades, A…

Um telegrama para ti

Telegramas, lá em casa, eram sinónimos de más notícias. Nas duas casas, na nossa, a verdadeira de lá longe, e na outra, na caverna, de cá perto.
Sempre que recebíamos um telegrama, vinha nele uma noticia de que alguém tinha falecido. Uma tia, um tio, um primo afastado, próximo, direito ou em qualquer outro grau. Numa família numerosa e cheia de pessoas idosas, como a minha, aconteciam mortes muito mais vezes do que aquelas de que me quero lembrar.
A maioria dos falecidos era-me completamente estranha. Não visitávamos muitos parentes, nem eles queriam muito saber de nós. Tradição, aliás, que ainda hoje mantemos em família para espanto meu, que se pudesse vivia grudada em todos, numa alegria simples de ter pessoas a quem amar. O meu pai sempre valorizou muito mais os amigos do que os do próprio sangue. A minha mãe, essa, sempre valorizou aquilo que o meu pai mandava valorizar.
De maneira que, pelo menos para mim, o sofrimento era menos do que pouco. Lá acontecia que nos vestíamos de preto, (coisa que abomino e q…