sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Assim... livre, solta, louca

Queria tanto fugir,
sem ter mesmo aonde parar!
Queria tanto abrir a porta, sair para a rua,
passar o quintal sem me deter,
deixar o portão escancarado
sem me preocupar se vai bater…
Apanhar a estrada principal
até me surgir um atalho.
E desaparecer no mundo..
Sem prazo marcado,
nem hora combinada para voltar.

Sem chave,
Sem relógio, sem telemóvel, sem mapa de estradas…
Nem malas, nem bagagens
porque nada é meu
e nada me pertence.
Sozinha,
como sempre fui desde que me conheço.
Triste como sempre me lembro de ser.
Livre, solta, louca
da forma única que conheço para viver.
Mesmo com as lágrimas a escorrer pelo rosto,
apesar dos cabelos despenteados,
dos olhos vermelhos,
da roupa desarranjada…
Apesar do medo no coração,
da solidão enorme que me enreda a alma,
apesar de todos os pesares, e talvez mesmo por causa deles…
Queria tanto fugir!
Apenas isso, fugir.

Esquecer,
Deixar,
Desaparecer.
Não levar comigo, nem na mão, nem no coração,
amores,
nem afectos,
nem paixões.
Todos esses sentimentos,
todas essas sensações,
me fizeram sofrer demais, chorar demais…

Não quero mais saber…
Nem de beijos,
Nem de carinhos,
Nem de abraços,
Nem de palavras sussurradas ao ouvido,
Carícias escaldantes
Por cima, por baixo da roupa.
Nem de mãos ardentes a mexerem-me,
A deixarem-me louca.

Nem quero mais dar permissão para ninguém entrar.
Cansei!
Cansei de sofrer, cansei de chorar.
Só queria fugir,
E nunca mais precisar de voltar.

Não sei para onde,
Não sei como,
Só não queria mais chorar,
Nem sentir-me assim pequenina,
Infeliz,
Sozinha
Perdida num mundo cheio de pessoas grandes e ocupadas,
E sem a mão de ninguém para agarrar.

Sem colo,
Sem carinho,
Sem nenhum sitio aonde descansar.

Só queria fugir,
Não ter mais que voltar.
Chega,
Assim não quero mais.
Assim não aguento mais.

O mundo é tão grande!
Tão bonito de olhar!
Quem sabe se noutro sitio…
Se noutro lugar…
Passar uma borracha por cima de tudo…
Começar do principio…
Sem nenhuma história para contar,
Sem dar o direito a ninguém de perguntar.

A não ser que o mundo seja mesmo redondo,
Como se lembraram de ensinar,
E passado algum tempo
Eu viesse de novo aqui parar…

Queria tanto fugir,
Só queria fugir…
Não é preciso saber para onde ir...

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