sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Depois de ti...

A minha primeira noite depois de ti…
Chegou a hora em que te costumava
desejar boa noite,
e em que me respondias.
Ao princípio
com palavras lindas e apaixonadas.
Depois,
com um “dorme bem, noite descansada para ti” formal e distante.
E nos últimos dias,
em que muito simplesmente já nem respondias.
E eu ficava á espera,
de telemóvel na mão,
de olhos no ecrã do computador,
Á espera,
de um toque,
de uma mensagem,
de um sinal que tantas vezes não chegava a parecer…
E ia-me deitar com o telemóvel ligado, na mão, perto do coração,
e ficava á espera, á espera…
Esta foi a parte que não me deixou nenhumas saudades.

A minha primeira noite depois de ti…
Quando acordava durante a noite,
durante o tempo em que estávamos juntos,
bastava pensar em ti,
e os problemas que a noite sempre aumenta de forma gigantesca,
desapareciam todos.
A tua lembrança afugentava o escuro,
e as sombras por trás dos armários.
Espantava os medos,
as inseguranças.
Lembrava-me de que existias e tudo á volta se enchia de luz!
Ontem não!
De cada vez que acordava
só a escuridão da noite estava á minha volta.
Nenhuma certeza,
nenhuma sensação de protecção,
nehuma esperança de que estivesses também
acordado a pensar em mim.
Não mais aquela sensação boa de acordar com o toque das mensagens,
a dizeres que “só agora vou dormir”, “só agora cheguei”, “correu tudo bem”,
Não mais o voltar a adormecer com o teu beijo vindo de longe,
cheio de carinho,
cheio de amor.
Esta foi uma das partes que me deixou muitas saudades.

A minha primeira noite depois de ti…
Além das saudades na alma,
senti também as saudades no corpo.
A recordação dos teus beijos, do teu toque,
daquela sensação gostosa de calor, de paixão.
A forma incrível que sempre tiveste
de fazeres com que eu te sentisse perto de mim, quase dentro de mim,
mesmo estando tu tão longe.
A saudade do poder que tinhas de me acelerares a respiração,
o bater do coração, o desejo,
só com uma palavra,
só com a maneira como falavas, como rias…
Aquela forma que era só tua de me acender por dentro,
de me queimar por fora.
de ,me amares e teres inteira, por inteiro,
sem reservas,
sem restrições.
Num só fôlego.
De uma só tragada.
Sem descrição…
Sem definição certa…
Sem comparação a homem nenhum que eu já tenha tido antes de ti.
Esta foi uma parte tão boa de nós dois, tão deliciosa, tão cheia de saudades!

A minha primeira noite depois de ti…
Foi para além das saudades do toque do telemóvel,
da chegada das mensagens
que não vais voltar a mandar…
Foi para além do medo do escuro e
de não estares mais para me proteger.
Foi para além da vontade do corpo na cama,
Da paixão e do desejo.

A minha primeira noite depois de ti…
Doeu demais na alma!
Lembrei-me do que conversávamos.
Das palavras bonitas que me dizias.
Do quanto aprendi contigo.
De todas as coisas que me ensinaste e eu nem imaginava que existiam,
que se faziam,
que se diziam.
Lembrei-me dos planos simples e tão realizáveis.
Dos códigos que eram só nossos.
Das conversas disfarçadas
que todos liam,
mas mais ninguém percebia.
Das musicas que ouvíamos.
De quando dizias que ninguém me faria mal,
que ias estar sempre disponível para me cuidares, protegeres.
Lembrei-me de como corria para perto de ti sempre que estava triste,
sempre que estava alegre.
Das vezes em que te disse que te amava, te queria, te desejava.
Das vezes em que me disseste o mesmo, e eu te cobri de beijos apaixonados.
E destas partes todas, tive tantas, tantas saudades!

A minha primeira noite depois de ti…
Foi horrível!
Justifiquei-me e arrependi-me mil vezes sem conta.
Arrependi-me de te ter encostado á parede.
De te ter exigido decisões.
De te ter obrigado a tomar uma posição clara.
Arrependi-me da minha falta de sensibilidade,
De tacto,
De compreensão.
Do meu egoísmo,
por te querer demais para mim,
por não ser capaz de esperar,
por não ter mais paciência contigo e com os teus problemas.

Mas esteve na tua mão, esteve sempre na tua mão.
Podias-me ter tido para sempre.
Podia ter-te esperado anos,
toda a vida se fosse preciso.
Não olhava para mais ninguém.
Não queria mais ninguém.
Mesmo sem compromissos,
sem reconhecimento oficial.
Sem papéis, sem nenhuma dessas coisas inúteis.
Mesmo com todo o teu trabalho,
com todos os teus horários preenchidos e todas as tuas infernais agendas electrónicas,
toda a tua vida brilhante e tumultuada de um lado para o outro.
Ainda assim,
Eu tinha aguentado,
Tinha esperado esta fase má passar.

Bastava que me tivesses pedido para ficar.
Bastava que tivesses dito que ainda me amavas.
Só isso “Fica comigo!”
Mas não foste capaz.
Deixaste-me ir sem dizer nada.
E eu fui…
E agora estou perdida,
Sem rumo, sem caminho.
Triste e cansada, tão cansada!

De que serve seres tão inteligente, tão culto, tão brilhante e tão bem sucedido,
se és tão parvo, estúpido e palerma?

Bolas, caramba! Porque é que me deixaste ir embora?

2 comentários:

  1. Muito sentido. Eu senti. Mas, Glória, é só um homem i.e. um ser humano com tudo o que isso acarreta...e tu outro ser humano, por isso aconteceu, para o bem e para o mal...não estejas triste (é teu o poema!)

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  2. Olá Microbio,
    Obrigada, amiga! É só um homem, mas era o homem a quem eu tinha escolhido para ser mais do que todos os outros homens, pelo menos para mim. Tenho muita pena que tenha terminado assim! Talvez eu devesse ter sido um ser humano mais compreensivo e menos egoísta...A tal condição de "humanos", cheios de fraquezas e defeitos, torna-nos tão capazes de errar!
    Aconteceu. Talvez pudesse não ter acontecido. Nunca saberei, não é? Mas estou triste, muito triste!
    O poema é meu. Achas que lhe posso ainda alterar o final?
    Muitos beijinhos pata ti, amiga querida! Obrigada pela "troca de ideias" de ontem. Fez-me muito bem!

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