sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Eu não sou forte!

Forte, eu?
Mas eu não sou nada forte!
Eu choro.
Eu fico triste.
Eu sinto-me ás vezes tão sozinha
que parece que o meu coração diminuiu de tamanho,
ou desistiu de bater.
Em certas ocasiões,
é como se as portas e janelas todas do mundo
estivessem abertas,
e o frio entrasse livremente na minha alma pequena e indefesa.
Como se o vento levasse não só o cabelo e a saia,
mas também o calor do corpo e do espírito.

Mas por alguma razão engraçada,
as pessoas continuam a pensar que sou forte,
destemida, invencível e corajosa…
Só porque passo a vida a rir,
só porque digo coisas engraçadas,
e tenho sempre um sorriso no rosto…
Mas eu sou sorridente por natureza!
Sorrio como respiro,
sem notar, automaticamente…
E digo coisas divertidas desde que me conheço!
Gosto de conversar, de rir,
de ver coisas bonitas,
de me sentir admirada, amada, querida.
Gosto de uma boa gargalhada,
e gosto de gostar das pessoas.

Mas daí até ser forte…

Se fosse realmente forte,
não precisava sempre de alguém comigo.
Não precisava de ter aquela sensação gostosa de ser protegida…
Sim, porque eu adoro de paixão
sentir um braço á volta dos ombros,
Poder refugiar-me toda dentro de um abraço gostoso,
fechar os olhos e deixar o mundo girar.
Que gire quanto quiser,
á velocidade que conseguir,
Enquanto eu estiver guardada com carinho
encostadinha ao peito de quem amo,
não há vertigem que me atinja,
nem mal que me ataque.

As pessoas fortes não precisam disso, acho eu…
Desembaraçam-se sozinhas.
Arranjam forças nelas próprias.
Vão em frente sem precisar de um braço aonde se apoiarem.
Coitadas delas!
Deve ser bem triste e solitário,
o mundo de quem é assim tão forte!
Eu prefiro ser pequenina e vulnerável,
e pedir ajuda,
e necessitar de carinho,
e precisar de colo, de apoio, de companhia!
Prefiro ter um dia lindo
se quem eu amo me procura.
Prefiro sentir-me feliz, a mais feliz do mundo,
se ele diz que me quer, que me adora.
Embora depois também me sinta
a mais miserável e desgraçada quando ele não quer saber de mim…

Forte? Eu? Nem pensar!
Sou muito dependente de todos a quem amo.
Não era capaz de viver num mundo aonde não tivesse afectos,
amizades, simpatias, paixões.
Não há força, nem independência, nem espírito combativo na vida
que valha para mim,
o mesmo que um afago, uma carícia
um beijo, um olhar carinhoso.
Nem há forma de eu ser feliz
se não estiver apaixonada,
no corpo e na alma,
no desejo e no coração.

Por isso, eu não sou forte!
Não daquela maneira determinada que o são as pessoas realmente fortes.
Sou talvez teimosa a conseguir o que quero,
persistente quando amo alguém e não imagino a vida se o perder,
apaixonada se me despertam os sentidos e o coração,
esperançosa sempre que sonho com uma vida melhor e mais linda.
Mas forte, invencível, corajosa e valente…
isso não sou!

“Somos responsáveis por aqueles a quem cativamos”
Quem me cativar não vai conseguir uma mulher especial, maravilhosa e imbatível.
Sou só eu,
indefesa, pequena, assustada,
Perdida num mundo grande demais,
confuso demais.
Um mundo cheio de pessoas que andam depressa demais
que pedem demais.
Quem me quiser vai ter que me dar colo,
vai ter que ter paciência comigo,
com as minhas feridas mal fechadas,
vai ter que fechar os olhos ás minhas cicatrizes de combate.

Porque eu não sou forte.

Desculpa amor, devia ter-to dito,
antes de te deixar desabotoar o primeiro botão da minha blusa.

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