sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Queria viver dentro de uma fotografia

Queria viver dentro de uma fotografia…
Esconder-me num recanto qualquer.
Deixar que todos passassem.
E quando fechassem o álbum,
finalmente sair a passear.

Podia ser numa fotografia de uma praia bonita,
daquelas que têm palmeiras quase até pertinho do mar.
Ou então num campo verdejante,
enfeitado de mil papoilas vermelhas garridas e malmequeres amarelos e brancos.
Num jardim luxuriante com avenidas largas de verde,
orladas de canteiros misturados de várias cores e aromas espalhados ao vento.
Ou num deserto escaldante, bem pertinho de um oásis eterno,
sentindo o gostoso da areia quente por baixo dos pés,
e com a certeza consoladora de não mais ter frio.

Podia ser numa fotografia qualquer de qualquer lugar bonito.
Bastava que me sentisse feliz,
por lá ficar.

Podia ser numa fotografia da tua cama,
juntinho de ti,
por debaixo dos teus lençóis.
Podias acordar e em vez de me mandar embora,
perguntar porque é que eu tinha demorado tanto para chegar.
E aí eu lembrava-te de que quem tinha fechado a porta
tinhas sido tu.
E tu rias-te e querias saber se eu já me tinha esquecido
de que não precisava de chave para entrar.

E quando eu te contasse
como tinhas estado tão perto de me perder,
Tu calavas-me com um beijo,
e perguntavas-me se mais alguém me tinha beijado assim.

E quando eu te dissesse que tinha faltado tão pouco
Para ser doutro,
Respondias que sou muito mais do que um corpo,
Que se pode lavar e que se pode esquecer.

Se eu te acusasse de, como sempre, não teres ciúmes,
e não quereres saber de mim,
simplesmente me recordavas que não precisas de sentir ciúmes,
porque tens a certeza de que ninguém além de ti
chegará ao meu coração.

E quando eu me quisesse levantar para ir embora,
Porque ainda estou magoada contigo,
Tu prendias-me nos teus braços e abraçavas-me com ternura,
E fazias.me aquelas coisas que só tu me consegues fazer,
E enfiavas a tua mão por entre os meus cabelos,
por baixo da minha camisola,
por todo o meu corpo,
devagarinho e com tempo,
até me sentires enlouquecer,
até me ouvires gemer de prazer.

Quando eu te dissesse que nada daquilo era real,
que eras só uma fotografia aonde eu escolhi ficar,
Tu paravas um bocadinho,
deixavas-me respirar.
E com aquele jeito que é só teu
e que não consigo deixar de adorar,
olhavas-me sorrindo nos olhos,
pedias-me licença para entrar.

Queria viver dentro de uma fotografia…
Esconder-me num recanto qualquer.
Deixar que todos passassem.
E quando fechassem o álbum,
finalmente sair a passear.

2 comentários:

  1. Olá Glória!

    A Vida nunca é como queremos, e por vezes, insistimos em deitar abaixo nossos alertas que são também nossos instintos de sobrevivência. Espero que a pessoa a quem tens tanto amor, saiba que amor assim é raro e não deve ser desperdiçado. Não gosto de saber-te infeliz. Bjinho grande.

    Anabela

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  2. Olá Anabela,
    Sou mesmo assim. Não há alertas que cheguem para me deter, quando estou apaixonada...
    Sabes que aprendi uma coisa muito importante: não há só um género de amor. Mesmo o amor ente um homem e uma mulher, não tem que obedecer a uma regra predefinida. Existem amores diferentes, mas amores na mesma. O problema está em que nem sempre se consegue acompanhar o ritmo de quem ama de forma muito diferente... Mas ninguém tem culpa de ser, nem de amar, da forma que sabe.
    Obrigada por te preocupares comigo! Não estou infeliz. Não tanto como estive, pelo menos. Há sempre uma estrela que ilumina o nosso firmamento, mesmo nas noites de maiores trevas. Tenho tido uma estrela dessas,a brilhar para mim, nos últimos dias.
    Obrigada pelo comentário, e pelo carinho.
    Um beijinho muito grande para ti, amiga querida.
    Glória

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