sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 3 de setembro de 2011

Voltei... e não há nada para onde voltar

Voltei.
Voltei ao mesmo lugar,
aonde um dia, eu achava que era o meu lugar.
O mesmo sítio para onde eu queria sempre voltar,
do qual mal me conseguia afastar.
De volta aos mesmos rostos,
ás mesmas ruas.
A tudo aquilo que fez a minha vida,
que preencheu os meus anos…
Sei lá,
pareceu-me assim meio que pequenino…
despido de encantos,
balão desenchido,
gasto, vazio,
apagado,
sem brilho.
Já sabia que tinha mudado.
Já sabia que há muito não estava como costumava ser,
ou como era apenas dentro dos meus sonhos.
Mas o ir para longe
tem destas coisas…
dá-nos uma perspectiva diferente do mundo aonde estão montados os nossos cenários.

De tudo o que era a minha vida,
de tudo aquilo que me fazia levantar todos os dias,
ficou só uma saudade sentida,
daquelas que não gosto de ter,
porque fazem chorar.
E chorar faz os olhos vermelhos,
e dá um aperto sem tamanho no coração!
E faz com que me sinta pequenina demais,
num mundo cheio de pessoas gigantes.
Ficou só a sensação de ter deixado passar tantos anos
empenhada em lutar numa batalha que só existia na minha imaginação.
Uma batalha cheia de soldados que eram afinal só figuras de cera,
generais feitos de pau de vassoura
e planos de defesa escritos em simples papel higiénico.

Como foi possível
que nunca me tivesse dado conta de que nada era real?
Que não havia nenhum príncipe,
nem nenhuma torre encantada em castelo nenhum?
Que o dragão não podia ser morto pela princesa,
porque as princesas é que são supostas serem salvas pelo cavaleiro…
e que o herói das histórias de amor,
não pode deixar de decorar pelo menos
as deixas mais simples,
ainda por cima se não for capaz de improvisar nada, em cena nenhuma?

Voltei,
Mas não voltei a sério,
Porque se nada existia,
então também não havia o para onde voltar.
Fiquei assim parada,
perdida num espaço sem nome,
numa zona indistinta e confusa
que ainda não foi descoberta pelos que gostam de catalogar
e dar nomes ás coisas todas da vida.

Voltei e queria antes
ter podido ficar por lá.
Aonde o sol brilha mesmo quando está escuro na rua,
aonde é possível sorrir,
e sonhar,
e dançar á chuva.
Andar quilómetros de seguida sem sentir cansaço,
beber café e comer bolos
em qualquer pastelaria de qualquer rua bonita.
E ir ao cinema,
voltar para casa á meia noite,
sem pedir licença para entrar,
sem medo do que vou encontrar
do outro lado quando a porta se fechar.
Sem receio nenhum de andar no escuro,
ter as estrelas todas do universo, por cima a piscar,
e o céu enorme de veludo
para admirar.

Voltei.
Mas não é o paraíso!
Nem é nada parecido.
É só um lugar cheio de esqueletos,
cinzas e tristeza.
Se tudo correr bem,
voltei só de passagem.
Voltei só pelo tempo que precisar para lavar a alma,
empacotar os meus sonhos,
despachar em segurança as minhas esperanças,
e partir com a minha velha mochila ás costas.
Em busca daquele lugar bonito
que via da janela da casa que se perdeu na terra sem nome,
quando ainda era pequenina
e ninguém podia mandar no que eu queria sonhar.
Um lugar de magia e encantos,
que tem que existir nalgum sítio,
aonde tem que haver um cantinho livre para mim.
Prometi a mim mesma que um dia ia havia de encontrar.
Perdoa menina pequenina dos olhos tristes,
Perdoa eu estar a demorar tanto tempo a lá chegar!...





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