sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 11 de outubro de 2011

De saltos baixinhos, dou a volta ao mundo!

De saltos baixinhos, dou a volta ao mundo.

Não me peçam para andar de salto alto.
Faz doer as pernas.
Desequilibra o andar,
E, pior,
muito pior do que isso tudo,
não me deixa correr as ruas todas para cima e para baixo.

Eu sei que fica mais bonito.
Mais apresentável.
Balança o caminhar…

Mas para que serve isso tudo,
Se não me deixa andar?

Não me seduzo com sapatos de luxo.
Nem me interessa se têm uma etiqueta importante de marca.
Se foram comprados no chão de uma feira,
se vieram da sapataria mais cara.
Só quero conseguir caminhar.

Porque o mais bonito de qualquer passeio,
é o tempo que levamos a passear.

Não gosto muito de passear de carro.
Não me interessa nem um bocadinho se é um carro de luxo.
Gosto de chegar a andar aonde quero
E depois ter as ruas todas para mim.
Subir e descer,
sem me preocupar com traços contínuos,
nem com zonas para estacionar,
nem com limites de velocidade para respeitar.

Para mim passear é como namorar…
Sem tempo para acabar.
Passear é só ver o mar.
Sentar num banco de jardim.
Olhar uma montra só para sonhar o que comprar.
Á hora do almoço,
comer um pacote de batatas fritas e ficar feliz como uma criança.
Andar num centro comercial qualquer,
com a mesma alegria
que se estivesse na rua mais chique de Paris…
Apanhar lugar na fila
para comprar o bilhete de comboio,
sair na estação que calhar.
Descobrir o que há para ver de tão bonito,
que me possa fazer querer voltar.

Eu não estou á venda.
Não me podem comprar.
Não me podem pôr preço.
Não me conseguem catalogar.
Nem tão pouco quero saber de riquezas para nada!
Tudo o que sempre quis,
foi apenas ser feliz.

Prefiro fazer o meu caminho sozinha.
Prefiro decidir por aonde quero caminhar.
Não pedi boleia nenhuma…
Não aceitei companhia…
Sempre fui á minha maneira.
Uma caminhante solitária.
Se levar algum acompanhante comigo,
Vai ter que querer andar.

De saltos baixinhos, dou a volta ao mundo.

Pode não ser tão bonito.
Pode não fazer a mesma vista.
Se for preciso,
vou até descalça.
Mas não paro de andar.
Era o que faltava!
Nesta altura da minha vida,
deixar-me vender,
deixar-me comprar…

Não estou interessada em sapatos de marca cara.
Não os pedi, não os encomendei.
Prefiro continuar como sempre fui.
Mulher que gosta de usar sapatos baixinhos,
Para poder passear.

De que serve ter tudo
o que o dinheiro possa comprar,
se como todos,
me deixa sozinha?
Se não me convida para caminhar?

Não, obrigada. Cansei de experimentar.
Sozinha por sozinha,
Prefiro que seja com todas as ruas para andar.

De saltos baixinhos, dou a volta ao mundo.
Não preciso de saltos altos para nada!

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