sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 16 de outubro de 2011

Deixei o sol entrar

Ás vezes temos que deixar o sol entrar.
Em casa, pela janela.
Na vida, pelos sentimentos.
Em nós, pelo coração.

Gosto de sol.
Sempre gostei.
Sou como uma gata friorenta
que procura o calor gostoso,
em cada esquina da vida.

Quando era menina,
tinha sol grátis todos os dias da vida.
Chegava até mim,
sem ter que me preocupar.
Só porque sim.
Só porque era sempre Verão
no lugar aonde eu nasci.
E era sempre Verão
na inocência confiante do meu coração.

Com os anos,
o sol foi ficando mais baço,
Perdendo o brilho…
Aqui faz tanto frio!
Durante tanto tempo!
Esqueci-me quase de como é bom!
De como sou uma criatura nascida para sentir calor,
para viver debaixo do sol
que abrasa e incomoda os que estão á minha volta.
Mas que derrete a neve eterna
que se foi juntando na minha alma.
Em tantos anos de exílio…
Em tanto tempo de solidão…

Ás vezes temos que deixar o sol entrar.

Não suporto viver muito tempo no escuro.
Sofro demais com a falta de luz,
Com a falta de esperança…
Não sei lidar bem com o descaso,
Fico muito triste com a indiferença.
Não estava a aguentar mais.

O sol entra em nós por onde calha.
Por qualquer fresta,
Por qualquer migalhinha de espaço mal tapada.
Em mim,
sempre entrou pelo coração.
antes de entrar por qualquer outro lado.

Ainda tenho um bocadinho de frio,
muitas saudades sem fim do Verão...
Mas já me sinto muito melhor.
Mais acompanhada, menos sozinha,
menos perdida no nevoeiro do caminho.

Fiquei tanto tempo á espera…
Que bom que ainda não veio a chuva!

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