sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 9 de outubro de 2011

A estrada está a passar depressa demais!

Deita-me a mão, pára-me no caminho.
Aparece-me numa esquina que eu vá a dobrar distraída.
Surge-me atrás da porta quando eu for a sair com o saco do lixo na mão.
Sorri para mim no espelho quando olho o meu rosto e me lembro do teu.

A estrada está a andar depressa demais.
Consigo senti-la a voar
mesmo que feche os olhos
e desvie a atenção da janela.
Eu estou aqui na mesma.
Não fui a lugar nenhum.
Prometi que não ia.
Não fui eu que fiz.
Não fui eu que pedi.
A estrada é que começou a andar sozinha…

Desculpa.

Ainda conheço o caminho.
Ainda conseguia voltar.
Mas não levo comigo nenhum mapa,
sabes como sou,
lá mais para a frente já não sei aonde estou.
Nem tu sabes para onde eu vou.

Deita-me a mão, pára-me no caminho.
Faz-me descer,
faz-me parar.
Podes segurar-me pelo braço com força.
Não tenhas medo de me magoar.
Não faz mal,
acaba por passar.
Mas faz-me sair.
Faz-me parar.
Não me deixes seguir.
Vem-me buscar!

Não pensei que fosse tão depressa…
Nem que a velocidade fosse tanta!
Julguei que podia descer
sem me arrepender,
Sem me comprometer.
Sem me atrapalhar.
Como eu sempre sei fazer.
Mas de repente a estrada começou a andar…

Tu é que me deixaste sozinha
naquele apeadeiro escuro,
e disseste que não sabias se me vinhas mais buscar…

Eu nem sabia aonde estava.
Nem sabia por onde começar.
Mesmo assim fiquei á tua espera…
Sem sair dali.
Como uma menina bem comportada
que tem medo de deixar de esperar.

Mas eu sou bonita…
Seu parvo, estúpido, palerma!
Eu dou nas vistas!
E mesmo quieta
faço-me notar.
Alguém passou por mim e me viu a chorar…
Pensaste que me podias deixar sozinha
no meio da rua,
e que ninguém me ia reparar?

Agora a estrada não pára de andar…
A paisagem passa por mim a voar…
Não imaginei que fosse ser assim.
Ao princípio era devagarinho,
Era só atenção, era só carinho.

Mas ainda sei aonde estou!
Ainda reconheço o caminho.
Ainda me podes vir buscar…
Posso pedir para parar.

Antes que eu comece mesmo a gostar.
Antes que me habitue á velocidade louca.
Ao prazer de ter os cabelos a voar ao vento,
Ao sabor do sal na boca.
Áquela sensação deliciosa de ter o mundo todo na mão,
E de fechar os olhos e sentir o calor do sol,
Ficar desarrumada desalinhada sem nenhuma preocupação,
Perder a hora de tudo e não me ralar…

Antes que eu comece a gostar demais...
Antes que o carinho se transforme de vez em desejo,
Antes que do desejo acabe por nascer a paixão,
E antes que a paixão vença a razão.
E, quem sabe…
O que era para ser só teu
até ao fim de todo o sempre,
comece devagarinho a mudar de mão.
Comece devagarinho a mudar de rosto,
de gosto,
de toque, de cheiro.

É que sabes,
nem todos os homens entram pelo caminho mais directo.
Existem os que sabem entrar pelo coração.

Mas eu ainda sei aonde estou.
Ainda encontro o caminho.
Posso explicar,
Posso pedir para parar.
Se tu me vieres buscar.
Se me pedires com certeza para esperar.


Antes que o meu coração se deixe conquistar.
Depois já não saio,
Já não páro.
Depois ficas sozinho com o que conseguires recordar.

            Eu fartei-me de te avisar…

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