sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mas como chove!

Está a chover tanto!
Tudo junto,
Vento, chuva, relâmpagos e trovões…

E agora são tantos,
mas tantos meses de chuva…
Quem me dera poder hibernar.

Um amigo querido, que está em África, disse-me que por lá está calor!
Saudades…
Vontade de entrar no computador,
Ir ter com ele,
Entrar no ecrã
Sair do outro lado.
Fugir do frio que está para chegar,
Fugir do gelo, do vento, dos relâmpagos e dos trovões.

Chegar lá,
Abrir os olhos e não precisar mais de guarda-chuva.
Nem de casacões pesados que sufocam
E não deixam o corpo mexer.
Nem ter que ficar encolhida no aquecedor,
Esfregando as mãos congeladas
Por um temporal que nunca passa,
Que é muito mais do que um nevão,
Que é inverno na alma.
Que é solidão no coração.

Tantos meses de tempo mau!
De dias maus!
Queria tanto ir embora daqui…
Ir ter a um lugar cheio de sol,
Cheio de calor
Aonde não fizesse frio,
Aonde pudesse andar de manga curta e calções
o ano inteiro.
Porque me disseram este verão,
que posso andar de calções.
E que posso fazer o que eu quiser.
Que sou capaz de fazer o que eu quiser…
E como gostei de ouvir,
como me fez bem á alma,
Vou acreditar…

Tanta chuva!
Saudades do calor, ainda agora ele foi embora.
Mais ainda, saudades do tempo bonito,
Da despreocupação de não tremer, de não tiritar,
Da beleza que é andar com pouca roupa
Sair para a rua e ter sempre verão no coração.

Mas quem sabe se este inverno não pode ser
Um pouco menos gélido do que os outros?
Talvez um pouco menos escuro,
Um pouco menos cinzento?
Nunca tive um amor de inverno...
Sempre me apaixonei no verão.
Sempre fui uma mulher de sol e mar,
e de passeios no campo,
e de flores selvagens, de espaços grandes, de imensidão sem fim.
Quem sabe,
Se até isso não pode mudar?

Se alguém gostar de mim,
Mesmo por debaixo de mil e um casacos grossos
E impessoais…
Se alguém me conseguir encontrar por debaixo das luvas, dos gorros,
Se espreitar o meu rosto por entre as varetas do guarda-chuva…
Mesmo sem mais,
Sem enxergar mais,
Sem pedir, por agora, mais
Se quiser ficar por perto,
se tiver paciência comigo
Se me fizer sorrir,
Se me quiser esperar,
Até o meu sol voltar a brilhar…

Pode ser que eu aprenda a gostar mais do inverno.

Porque são os gestos mais simples que ganham o meu coração.
Sempre foram, sempre serão.
Gestos simples e lindos,
como um dia gostoso de verão.

                              Bolas para ti, vais acabar por não ter para onde voltar!
                              Bem feito, cansei de te avisar!

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