sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Passos sem retorno

Será que podemos dar passos sem retorno?
Será?
Tudo tem remédio…
Sempre ouvi dizer.
Para tudo há solução…
Mas será?

Se eu entrar num caminho desconhecido,
E for sozinha,
Posso sempre mudar de estrada,
Voltar atrás,
Procurar por indicações,
Refazer a minha caminhada.

Mas se levar alguém comigo?
Continuo a ter esse poder?
De mudar de trilho,
De procurar indicações,
De parar em vez de seguir caminho?

“Pensa bem primeiro.
Aprende a esperar.”
Não sei fazer assim…
Tenho tanta pena!
Nunca consegui aprender,
E não foi por falta de me ensinarem!...

Continuo na mesma,
Impulsiva,
Irreflectida,
Impaciente…
Indisciplinada.

Continuo a sonhar demais,
A querer viver os sonhos
que me deixam apaixonada.
Continuo a viver pelo coração,
pelos sentimentos,
Continuo a fazer o que me parece melhor,
mais capaz de me trazer felicidade.

Nem o tempo,
Nem os anos
Me conseguiram fazer mudar.

Se seguir pelo caminho que se me abriu,
poderei voltar atrás?
Terei possibilidade de pedir perdão se me arrepender de ir?
Conseguirei dar com o ponto de partida?
Conseguirei encontrar-me de novo?
Recuperar os sonhos,
As esperanças?

Não sei porque as tais campainhas de alarme
teimam em tocar na minha cabeça…
Não vislumbro mal nenhum...
Nem perigo qualquer.
Tudo bem,
Tudo em paz.
Então porquê o aviso?
Porquê esta sensação de “não vás por aí?”
Exageros.
Só podem ser exageros.
Nada mais...

Se por acaso o caminho,
não for um bom caminho,
posso sempre voltar,
não posso?
Mesmo que magoe quem for comigo…
Mesmo que deixe alguém de coração partido…
Tenho esse direito?

Mas estou a fazer tudo bem.
A ser verdadeira, franca, sincera…
Nunca levo ninguém na minha boleia,
Se não explicar para onde estamos a ir.
Nem aceito convite nenhum,
Sem deixar claro o que tenho para dar.
Então?
Porquê o receio?
De todos os lugares se pode voltar.
Para tudo há solução.
Não se dão passos sem retorno?

A dúvida,
A hesitação,
A falta de certeza...
Não era para existirem receios,
Nem preocupações.
Era para ser lindo,
Um desejo da alma,
Um arrepio do corpo…

Como era com ele...
Quando o mundo parava de rodar
assim que ele me olhava.
Quando até respirar era difícil se ele estava por perto...
Quando apenas ler o que ele escrevia fazia acelerar a respiração.
E o coração batia tão depressa no peito
como se fosse rebentar de amor e de desejo.
E muito antes de se chegar a mim, de me tocar,
de me beijar, de me querer,
de me acariciar,
já eu era dele de corpo e alma...
E pensar nele bastava para mergulhar tudo o que era eu
num turbilhão de emoções que sabiam bem demais!
E cada vez era como se fosse a primeira,
e cada beijo era como se fosse o mundo a começar de novo...

Esse é o problema!
Foi bom demais.
Soube bem demais.

E agora?
O que vou fazer?
Devo ir?
Devo ficar?
Melhor desistir?
 Insistir?
Continuar?
Até quando pode o tempo esperar?

                             Até quando uma resposta pode ficar por dar?


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