sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Tímida, eu?

Tímida, eu?
Acho que não sou.
Afinal gosto tanto de falar,
de rir,
de dizer coisas engraçadas…
Não coro,
nunca fico sem resposta.
Não fujo e nem me escondo…

Tímida, eu?
Não me parece.
Conheço todas as palavras.
Estou habituada a ouvir tantas coisas,
Já me falaram de todos os assuntos.
Já me abordaram de tantas maneiras.
Já me cercaram por tantos lados, em tantas posições.
Sei sempre exactamente o que vem a seguir de cada coisa…

Tímida, eu?
Não concordo.
Afinal sei-me defender bem.
Sei o que quero responder,
o que escolho fazer.
Até aonde me apetece ir.
Quando devo pedir para parar,
ou quando quero deixar seguir.

Porque seria tímida?
Difícil é apanharem-me desprevenida.
Complicado é pensarem que me conhecem.
Que me decifraram.
Que me têm na mão.
Eu sou escorregadia.
Passo por entre os dedos,
Desapareço em frente aos olhos como uma miragem
Ou uma alucinação.

Para alguém me achar tímida
Teria que conseguir ver
Muito para lá daquilo que sempre mostro.
Teria que entrar na minha alma,
E procurar no meio da alegria,
dos sorrisos,
da animação.

Para alguém me achar tímida,
Teria que esquecer o rosto,
Os caracóis do cabelo,
O corpo,
Os lábios.
Os abraços, a sedução.

Porque eu sei-me defender bem
daquilo que conheço,
e daquilo a que estou habituada.
Mas fico assustada como um gatinho pequeno,
com novidades,
com formas diferentes de chegar até mim.

Para me mostrar tímida a alguém,
É porque essa pessoa estaria perto,
muito perto de roçar no meu coração.
É difícil chegar lá.
É o que guardo e preservo.
O que só entrego por amor,
e nunca apenas por desejo,
ou por excitação.

Tímida, eu?
Só se fosse com um homem muito especial…
Que me fizesse bater o coração,
Mesmo antes de me inundar de paixão.

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