sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 13 de novembro de 2011

Agora estou de birra!

Não sei que mais possa fazer,
Não sei que mais consiga imaginar,
Nem onde mais ir buscar coelhos branquinhos para tirar da cartola.
Passei toda a vida a fazer isso mesmo,
A prolongar o acto depois da tragédia acabar, a tentar que o fim não chegasse,
A magicar soluções e artimanhas para que o que já estava partido
não se desagregasse e caísse em pedaços no chão.

Agora não sei mais que fazer.
Cansei de inventar.
Vou ficar provocadoramente á espera que a vida dê por mim,
Que eu me torne tão incómoda para ela,
Sempre que me vir aqui parada,
Que seja obrigada moralmente a dar-me algum destino.
Porque por mim,
Cansei,
Não vou fazer mais nada.

Nem vou ter mais nenhuma ideia salvadora.
Não foram todas recusadas?
Não deram todas em nada?
Então chega!
Que se dane, que se lixe.
Estou de birra e não saio daqui.
Agora não serve para nada animarem-me,
E dizerem-me que tudo pode dar certo.
Já não acredito mais.
Já tive tanta esperança,
Já sonhei tanto…
Fartei-me!

Palavras são só palavras,
Perdem-se de nós quando as dizemos,
Voam da boca de quem as solta e deixam de ter valor
Porque não existem mais.
Beijos são só beijos,
Que saem com sabão quando lavamos a cara.
E abraços são só abraços gostosos,
Que fazem o coração bater mais forte,
Mas que se desfazem passado um instante
E nem os braços se lembram mais de quanto
Tiveram que abrir
Para dar lugar ao abraço.

E prazer é só prazer.
Acaba como vem.
Não fica para sempre,
Não faz companhia quando está escuro,
Não nos abraça quando temos medo dos trovões.
Prazer é bom,
Faz suspirar, faz gemer,
Faz querer que o mundo pare naquele instante.
Mas o mundo nunca pára naquele instante,
E quando o instante passa ainda estamos sós.
Também não quero mais disso.
Não interessa se temos que aproveitar o melhor da vida.
Não é só esse o melhor que eu queria…
Eu queria tudo, como a heroína do Sonho de Mulher,
Eu queria o romance!

E chega de conversa,
E de pensar como mudar a vida,
Porque a vida não é algo que se consiga mudar.
É como uma massa viscosa que se agarra em nós
Desde que nascemos,
E por muitos esforços que façamos para nos soltar um pouco,
Sempre sabe como fazer para nos tolher os movimentos
De novo.

Como os cães raivosos,
Que correm sempre atrás de quem mostra medo.
Não vou fugir mais,
Nem vou mostrar mais do imenso medo que tenho.
Fico aqui,
Impassível, serena para quem me vê,
Controlada para quem não me conhece,
Feliz para a maioria que se cruza comigo.

E agora?
Como vai ser?
Parei de correr!
Destino, vida, sei lá o quê
Que está por aí
Entretendo-se com as tropelias que provoca,
Como é que vai fazer para me obrigar a andar?
Ou será que posso ficar?
Aqui, assim, parada…
Duvido que tenha dessas generosidades…
Mas só se for carregada,
Estou de birra,
Não ando,
Fico aonde estou,
Não quero saber de mais nada.

            Muito daquilo que tu dizias não se aplica á realidade…

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