sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não gosto que se zanguem comigo

Não gosto que se zanguem comigo.
Não gosto que me tratem mal.
Nem gosto que me deixem triste.
Faço sempre tudo o que posso para ficar de bem com todos.
Tento sempre resolver a bem todos os problemas.
Costumo sorrir mesmo se me mostram cara feia.

Sei bem o que as zangas e as intrigas disparatadas podem fazer,
e o poder que elas têm pelo tempo fora.
Na minha família,
talvez por ser tão numerosa,
talvez por ser estranhamente desunida demais para poder ser uma família,
sempre existiram conflitos, disputas, mal entendidos.
Todos esses dissabores passaram de pais para filhos,
como uma herança assombrada que nos continua a dividir.
Apesar de eu vir a tentar desde há que tempos
ser amiga de todos e dar-me com todos,
lá está sempre presente o ressentimento ancestral
que já ninguém consegue justificar ou explicar,
mas que se herdou no sangue como se herdam algumas doenças genéticas.

Não me lembro de ter terminado nenhuma amizade
por me ter zangado com essa pessoa.
Mesmo quando discordo sou amável e delicada.
Não sou capaz de acusar, nem de atacar, nem de melindrar ninguém.
Prefiro muitas vezes ficar calada a magoar, a fazer chorar, a entristecer.
Até dos meus namorados antigos fiquei amiga.
Tenho alguns de quem não me perdi até hoje,
Com quem me encontro de vez em quando para rirmos um pouco,
lembrarmos tropelias antigas,
lambermos algumas das feridas que a vida nos tem feito.
Porque sempre me fez uma confusão danada ficar de mal
com uma pessoa a quem já quis tanto bem.
E porque mesmo sem pensar,
sem analisar, nem calcular primeiro, (até porque sempre fui péssima a matemática)
gosto mais de sorrir e de falar simpaticamente
do que de fazer cara feia e desviar o olhar.

Mas não sou perfeita,
nem nada que se pareça com isso.
Tenho um feitio complicado,
Sou geniosa,
teimosa, birrenta,
infantil e mimada, muitas vezes.
Consigo fazer de uma pequena mágoa,
uma grande dor na minha imaginação,
Consigo chorar e rir de seguida.
Consigo ter desejo de beijar, de amar,
e ao mesmo tempo vontade de morrer.
Não sou uma mulher fácil.
Nunca fui.
Não sou para qualquer um aguentar.
Nem todos os homens me conseguem amar.

Mas não gosto que se zanguem comigo.
Não gosto que me tratem mal.
Nem gosto que me deixem triste.
Porque afinal preciso de tão pouco para ser feliz.
Uma palavra simples do homem a quem amo,
um sorriso das pessoas de quem gosto,
um gesto amigo dos meus amigos,
uma música, uma mensagem,
Um carinho…

E porque magoar-me é tão fácil,
tão sem mérito, e sem valor,
tão escusado, tão cruel!
Nem chego a dar luta,
nem chego a duelar.
Um amigo perguntou-me o que faço quando me atacam,
e disse que tenho que aprender a defender-me.
Não soube o que lhe responder,
não faço nada.
Fico apenas triste,
O meu sol apaga-se,
O meu brilho enfraquece.
Não fui feita para lutar,
Nem tenho jeito para ripostar.

Não peço muito á vida, nunca fui mulher de pedir muito.
Aprendi que o muito se transforma em pouco se pedirmos demais,
(pois é, afinal tinhas razão, reconheço)
Só queria ser feliz.
Nem que fosse só mais um bocadinho outra vez,
E queria que mais ninguém me fizesse chorar.

                Sem condições. Pode ser?

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