sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 19 de novembro de 2011

Noites em lençóis de cetim branco

Lençóis de cetim branco
Não quero, não preciso.
Fronhas de renda, também não.
Nem cama de dossel com escadinha para subir.
Tão pouco brocados de veludo ou acolchoados de seda.

Não me faz falta ser a não sei quantos,
Do senhor não sei quê,
Ou poder ter todas as coisas que nunca tive.
Muito menos que me considerem na rua,
Ou que me dirijam olhares respeitosos quando passo.

Nenhuma dessas coisas me atrai ou me seduz.
Nem roupas bonitas, nem sapatos da moda,
Nem penteados sofisticados ou pinturas elaboradas no rosto.

Sou como tu sabes,
Tão simples e vulgar.
Sem batom nos lábios, nem sombras nos olhos,
Nem verniz nas unhas ou cor artificial no rosto.
E uso o cabelo da maneira que sabes,
Desmanchado, selvagem e coberto dos caracóis com que nasci.
Visto-me como tu já viste,
As velhas calças de ganga apertadas,
Ou as saias justinhas das ocasiões especiais.
Quando não vou ter contigo,
Nem saltos altos uso…

E não sei falar de todas as coisas bonitas de que tu falas.
E não conheço os sítios interessantes que tu conheces.
Nem tenho um francês tão bom como o teu,
Nem te consigo acompanhar em todos os lugares aonde vais.
E estou constantemente a perguntar-te o porquê de tudo que não sei.
E vejo-te como ao homem mais inteligente do mundo,
Aquele que tem sempre todas as respostas,
Aquele que sabe sempre justificar tudo.
Passo a vida a incomodar-te com alguma coisa,
Com algum recado.
Não consigo começar o dia feliz,
Se não me dizes olá.
Não consigo desligar o telefone á noite
Se não me dizes até amanhã.

Não preciso de quartos de luxo.
Não preciso de lençóis de cetim branco.
Nem de recordações caras para levar para casa antes de sairmos.

Não sei como se abandonam, como se entregam, as mulheres finas e requintadas,
Como suspiram, como gemem,
Que palavras sussurram quando fazem amor.
Nem que gestos delicados empregam para abraçar o homem
Que se deita com elas na cama.
Só sei que quando me tocas,
Muito antes de me tocares,
Quando me beijas,
Muito antes de me beijares,
Ou quando me apertas de encontro a ti,
Muito antes ainda de me apertares,
Já perdi o controlo e a noção,
E já não consigo nem pensar,
Quanto mais ser sofisticada e elegante na arte de amar.

Não preciso de lençóis de cetim branco.
Preciso de ter o teu abraço para me confortar,
Para me guardar toda lá dentro,
Para me fazer sentir protegida e acarinhada.
Preciso do teu sorriso para me alegrar quando estou triste.
Dos teus olhos lindos para eu poder olhar á vontade,
De frente, de cima, de baixo,
De onde eles se deixarem fitar.

E preciso que fiques comigo,
E tires o casaco, e esqueças a gravata.
E desligues essas maquinarias intrometidas que apitam e tocam,
E te deites comigo ainda que em lençóis de flanela,
Ou sem lençóis nenhuns nem cama nenhuma,
E sintas como eu sentir…
E respires como eu respirar,
E me beijes por todo o lado que eu precisar,
E te percas comigo
E deixes que eu acabe por te encontrar,
E que não saias mais depois de entrar.

            Não preciso de lençóis de cetim para nada. Só preciso de ti perto de mim…

2 comentários:

  1. É bem verdade, querida Glória! Não precisamos de nos sentirmos cheias de "nove horas", quando o importante é o amar e o sentir. Lindos versos, como sempre... Continuam com esperança. Bjinhos

    Anabela

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  2. Olá Anabela,
    Continuam com esperança, e um bocadinho cansados. Mas hoje é Domingo, e os fins de semana são sempre terríveis, há que dar um desconto. Vejo sempre tudo mais cinzento quando é fim de semana. Não dá para pegar no carro e fugir para perto do mar.
    Também penso como tu, o importante é amar e sentir. Tudo o resto não importa, não atrasa, não adianta. Talvez por ser tão simples, se torne tão complicado para algumas pessoas perceberem. Pior é quando uma dessas pessoas é aquela a quem mais amamos.
    Obrigada pelo comentário, querida Anabela.
    Aproveita bem o teu Domingo e diverte-te.
    Muitos beijinhos,

    Glória

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