sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 19 de novembro de 2011

Porque hoje é Domingo

Porque hoje é domingo,
Não queria ter que ficar por aqui.
Não queria arrastar as horas, os minutos, os segundos.
Nem queria que o dia demorasse tanto a passar.
Queria poder fechar os olhos,
E fazer como fazem alguns bichinhos,
Hibernar.

Não gosto de me sentir fechada,
Nem que os meus olhos vão de encontro às paredes
E não consigam voar.
Não aguento muito bem o barulho,
Os gritos de agora que fazem lembrar os gritos antigos.
As portas trancadas que recordam
Tantas trancas que lutei para abrir, para forçar.
As janelas fechadas,
As cortinas sem voar,
O ar sem poder entrar.
Dá-me um sufoco, um aperto no coração…
Queria fugir, desaparecer, não voltar.
Ir dar a volta ao mundo,
Ou ir só até á esquina e continuar,
Beber café,
Ver montras,
Apanhar sol,
Conversar.

Queria convencer os fantasmas antigos
De que já não pertencem a mim,
Que podem ir embora,
descansar e desaparecer.
Mas os espectros antigos e os novos confundem-se e misturam-se
Num jogo macabro de me fazer sofrer.

Como detesto os fins de semana,
Com todo o tempo que me separa da semana nova!
Com todos os silêncios,
Com todas as promessas que ficaram por cobrar…

Quem me dera que o meu calendário
Fosse diferente dos demais.
Quem me dera que os meus dias
Fossem parecidos comigo,
Soltos, leves, irreais.
E não tivesse que parar,
Que pensar,
Que chorar.

Há quantos anos não gosto do fim de semana!
Há quantos anos não tenho um feliz fim de semana…

Queria que alguém aparecesse para me vir buscar,
Que alguém se lembrasse de mim,
E me viesse salvar.
Mas o pó da estrada nunca se levanta
Com os cascos de nenhum cavalo branco a chegar.
Nem o barulho que ouço,
É o barulho de alguém a bater
Para poder entrar.

Se pudesse ao menos ir ver o mar…

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