sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Posso? Ir beber café contigo?

Posso?
Ir beber café contigo?
Posso?
Aparecer de surpresa como gosto de fazer?
Posso?
Telefonar-te a dizer que cheguei,
A pedir-te que me venhas buscar?

Não precisas de me marcar nenhum dia,
Nem de me dizer nenhuma hora.
Os nossos dias e as nossas horas,
São um bocadinho diferentes entre si.
Tu tens horas para tudo,
E tens cada coisa arrumada no seu dia.
Eu baralho dias e horas numa mistura confusa,
e faço o que me der mais prazer a cada instante.
Tu tens prioridades, agendas e calendários,
Eu só tenho o coração a bater a cada segundo.

Posso?
Chegar e baralhar-te o dia?
Posso?
Fazer-te desmarcar compromissos e adiar os prazos?
Posso?
Fazer-te encostar o carro,
Dar-te um beijo ali mesmo na estrada,
Com os outros condutores a verem?
Deixá-los com água  na boca?
Posso?
Atrapalhar-te quando metes as mudanças,
E fazer-te uma carícia no rosto enquanto conduzes?

Vá lá, diz que sim!
Eu vou na mesma, tu sabes que vou…
E sabes que vais ter comigo…
Porque eu sei que vais.
Para quê tanta complicação?
Para quê tanta confusão?
Posso?
Dizer que ainda te amo?
Não tens culpa.
Não precisas de ficar aborrecido contigo mesmo.
Assim como não há nada que tu possas fazer,
Que me obrigue a amar-te menos.
Nada.
Sou muito mais teimosa do que podes supor…
Só consegues que eu fique triste,
Consegues fazer-me chorar.
Não consegues matar o meu amor.

Posso?
Encostar-me a ti, devagarinho, um pouquinho?
Posso?
Olhar-te nos olhos, bem de perto,
Para ver se ainda estão azuis,
Ou se o Outono lhes conseguiu mudar a cor?
Posso?
Sentir a tua respiração no meu rosto,
Passar a mão no teu pescoço,
Puxar-te um bocadinho para mais perto,
Abrir-te um botão da camisa,
Afrouxar-te o laço da gravata?
Posso?
Acariciar-te o peito,
Fechar os olhos
Beijar-te na boca?
Esfregar devagarinho o meu corpo no teu,
A experimentar,
A avaliar…
A ver se me deixas ficar,
Se respiras mais depressa,
Se me apertas nos braços,
Se perdes a cabeça e fazes uma loucura.

Posso?
Tirar-te o casaco, despir a minha camisola?
Está calor, dentro do teu carro está sempre tanto calor!
Posso?
Segurar-te na mão com cuidado
Quase sem reparares,
Pousá-la no meu peito,
Fechá-la sobre mim,
Fazê-la deslizar na renda delicada do meu soutien?
Deixá-la ganhar vida própria e fazer-me estremecer e fazer-me suspirar…
E deixá-la descer
Sem culpa, sem remorsos,
Deixá-la mexer,
Sentir-te a enlouquecer?
Apertar-me mais de encontro a ti,
Tanto, tão perto
Ser capaz de só sentir o teu prazer
E quando fores tu a perguntar se podes,
Nem ter mais forças para dizer…

Posso?
Ir beber café contigo?
Posso?
Aparecer de surpresa como gosto de fazer?
Posso?
Telefonar-te a dizer que cheguei,
A pedir-te que me venhas buscar?

            Amo-te tanto! Meu querido homem complicado!

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