sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tenho aprendido muito nos últimos tempos

Tenho aprendido bastante sobre as pessoas, nestes últimos tempos.
Sempre li muito, adoro ler, pensei que sabia o suficiente do mundo, das coisas do mundo e das pessoas do mundo… Enganei-me!
Descobri que só aprendemos a fazer um bolo quando batemos a massa, e juntamos os ingredientes. Podemos até saber de cor receitas sem fim, mas ao certo, só seremos capazes de tirar o bolo da forma, quando formos capazes de o fazer, e não apenas de o sonhar.
Aprendi que não existem duas pessoas iguais. Que não existem séries de pessoas, feitas segundo o mesmo molde e realizadas para funcionarem da mesma maneira. Que duas pessoas podem até ser muito parecidas entre si, mas que quando as conhecemos a fundo, tanto uma, como outra, têm um manancial infinito de características e possibilidades para serem desvendadas.
Vi que não existem formas predefinidas para me relacionar com as outras pessoas. Que posso falar de certa forma com um amigo, mas que com outro, essa forma pode ser simplesmente desastrosa. Que posso brincar com as palavras, como adoro fazer, com algumas pessoas, mas que se o fizer com outras, elas se podem ofender e até ficarem magoadas, o que me deixa sempre triste demais! E que existem amigos e pessoas queridas que gostam do meu jeito amolecado de ser. Mas que, apesar de também gostarem de mim, existem outras pessoas que ficam desconcertadas com as minhas brincadeiras, com as minhas gracinhas, e com os quais tenho que usar de maior cautela e contenção nas palavras e nos gestos…
É complicado acertar sempre! Não acerto sempre… Erro tantas vezes, digo tantas coisas que não era suposto dizer. Mordo a língua e tento voltar atrás, mas as palavras não nos pertencem, e, assim que as proferimos deixam de ser nossas. Perdem-se no espaço, fazem o que têm a fazer, segundo a importância e o valor que cada um lhes dá. As palavras são algo de assombroso, cheias de poder, sem significado decisivo, sem sentido próprio, dúbias, confusas e simplesmente deliciosas!...
Aprendi que a minha mãe estava completamente errada, e que os homens não gostam de ser maltratados! Sempre tinha suspeitado que naquele conselho dela havia algo que não fazia sentido, mas nunca o tinha podido constatar como agora… Na minha juventude, nenhum dos meus namorados, ou pretendentes, se lembrou sequer de se atrever a contrariar-me, a desdizer-me, a ficar ofendido comigo, fosse pelo que fosse. Eu era bonita demais, vistosa demais, eles eram crianças e infantis demais, sabia-lhes muito bem circular comigo pelas ruas, mostrar aos amigos o quanto eram competentes para terem uma namorada assim… Mas agora, que me relaciono com homens, e não com rapazinhos, vejo que nenhum deles aprecia ser ignorado, desfeiteado, desprezado. Não posso marcar horas e não aparecer sem avisar, não posso desconversar, nem menosprezar, e não posso esperar que as afeições durem eternamente, se não me dispuser a lutar por elas e a fazê-las sobreviver.
E aprendi também que não faz mal pedir desculpa, que não é vergonha nenhuma admitir que errei, que agi de forma menos correcta. E que não tenho que ser perfeita, inteligente e sensata o tempo todo da vida. Que é tão bom perder a cabeça de vez em quando, fazer uma daquelas loucuras atrevidas que justificam quase que por si todos os dias cinzentos do inverno que ai vem. Que o mundo não vai parar de rodar, nem ninguém me vai arrastar pelos cabelos se me resolver divertir um pouco, brincar um pouco, deixar de ser tão organizada, tão metódica, tão tristemente cumpridora de tudo o que é para cumprir.
Descobri que continuo bonita, desejável, que fico muito bem de minissaia, de decote, de cabelos a voar ao vento, de coração a bater desenfreadamente no peito, de boca entreaberta como que á espera de um beijo. E que continuo a despertar o interesse masculino por onde passo, e que continuo a gostar muito disso, e que não tem nada de mal, sabe muito bem, é bom demais!

No outro dia, há poucos dias, fiz um comentário parvo e estúpido, e magoei um amigo de quem gosto muito. Não foi essa a minha intenção. E eu lá tenho alguma vez intenção de magoar alguém… quanto mais as pessoas a quem prezo! Mas não interessam muito as razões, interessam mais os efeitos, e ele ainda não me desculpou… Existem pessoas como ele, com quem qualquer pequena palavra pode ter grandes efeitos. Pessoas tão sensíveis, que nem se deram ainda conta do extremamente sensíveis que são e prosseguem por aí, á solta neste mundo complicado, convencidas de que são muito fortes, muito frias, mas depois, ao primeiro contratempo, mostram o coração lindo que têm e ficam tristes demais! Se ele estiver, por acaso a ler, sabe que é com ele. Desculpe, foi sem querer… quem me conhece melhor sabe que eu sou assim, falo muito e digo disparates, mas sou boa rapariga.

            Não tinha aprendido nem metade, se tu não me tivesses ensinado…

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