sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Vem lá o Natal

Vem lá o Natal…
Como todos os anos costuma vir.
Já o sinto, já o cheiro.
Nas prateleiras dos supermercado, nos anúncios da televisão,
Nas conversas das pessoas,
No meu coração.

Nos outros anos,
Por esta altura já eu tinha caixas de chocolates,
Frutos secos, iguarias das que não se estragam
E que podemos comprar assim que são postas á venda.
Já tinha ido buscar os “cabazes de Natal” á arrecadação do quintal,
Já os tinha lavado, arejado,
Começado a encher um a um.
E já teria feito planos para a ceia, para o dia, para as encomendas…

Vem lá o Natal…
Mas este ano,
O Natal vai ser muito diferente.
Não é que não continue a ser a época do ano que mais adoro,
Nem tão pouco que tenha deixado de sentir
 aquela magia cheia de neve que paira no ar.
Não é que tenha deixado de gostar de chocolates, gulosa como sou, seria impossível!
E vou montar a minha árvore bonita de sempre,
e enchê-la de luzinhas coloridas a piscar.
Colocar o presépio grande por baixo, a estrela pendurada a anunciar.
E tenho ideia de pôr a mesa com bolo-rei, tronco, lampreia, tartes e tudo isso.
E vou fazer os sonhos, as azevias, os coscorões, as filhoses, os fritinhos de abóbora…
E vou-me queimar no óleo quente, e ficar com a bata cheia de canela,
Tão bom que é! Tão lindo!

Mas é o primeiro Natal na minha casa nova.
O primeiro depois de vinte e cinco anos em que vou ter sossego.
Sem precisar de me preocupar como irá ser, como irá correr,
Em que estado vai chegar, o que vai dizer,
Sem ter que medir e pesar as palavras antes de as dizer.
O primeiro Natal calmo e tranquilo em muito tempo.
Talvez desde sempre.
Porque até os primeiros, apesar de lindos e encantadores,
Traziam sempre consigo
Aquele medo das discussões, dos desentendimentos…
Do meu pai que considerava o Natal uma farsa, um desperdício,
Da minha mãe que queria um Natal branco numa terra de sol escaldante…

Queria ter tantas pessoas de quem gosto, comigo,
Na Noite de Natal!
A minha maninha, os meus sobrinhos, os primos de longe que encontrei,
Os primos de perto que voltaram quase, quase a estar na minha vida.
As amigas do tempo da escola, a minha melhor amiga dos quinze anos,
Os meus amigos e amigas mais queridos do facebook J (smille grande para eles)
Pessoas daqui do meu blog…
O amor da minha vida que está sempre tão perto e tão longe,
A quem eu trago no coração a toda a hora,
E que no Natal estará já tão perigosamente perto de se ir embora de mim…
Mas que eu teimosamente não perdi a esperança de que volte,
De que me procure,
De que me chame.

Vem lá o Natal…
Os meus filhos já falam no que vão querer como prendas,
Cada um á sua maneira, já fazem os seus planos,
Já pensam nos seus pedidos.
Eu sempre acreditei no Pai Natal.
Continuo a acreditar.
Tem-me posto demasiadas prendas no sapatinho
Para me atrever sequer a duvidar da sua existência.
Gosto de paixão daquele velhinho bonito,
De barbas brancas como a neva, gorducho e bonacheirão.
Sei que nunca se esquece de mim,
E que costuma vir no seu trenó quando todos dormem,
Deixar-me o que pedi,
Numa paciência do tamanho do mundo inteiro,
Com uma bondade que nem sempre mereço.

Pai Natal,
Sei que estás a ler,
Sei que não te esqueceste de mim.
Já somos amigos, tu e eu,
Desde o tempo em que eu era pequenina e fugia das discussões natalinas da sala,
Escondia-me debaixo das mantas e pedia-te para eles se calarem…
Ás vezes resultava, outras não…
Mas eles eram teimosos demais para conseguires fazer melhor!

Este ano foi muito bom.
Tive quase tudo o que te pedi.
Tive até mais do que sonhei em pedir-te.
Mas já agora,
Sem querer abusar da tua bondade,
Faz com que ele não vá embora!
Não para sempre.
Não para tão longe!
E eu prometo que vou ser muito bem comportada
Durante o ano que aí vem.
Vou ser boazinha e vou tentar sossegar o meu espírito inquieto que não sabe parar.
E não te vou incomodar tão depressa com os meus pedidos.
Pode até chover todos os dias que não vou reclamar.
Pode até o nevoeiro sair da praia que eu amo e inundar a minha sala,
Podem as árvores misteriosas da serra deixarem de sussurrar e começarem a gritar,
Podem os gatos passar toda a noite a miar e a lutar que não lá vou enxotá-los…
E mesmo que eu chore não te vou pedir nenhum lenço, vou-me desembaraçar.

Querido Pai Natal,
Vá lá… em nome dos velhos tempos…
Mesmo que ele não me queira,
Como as pessoas cruéis me estão sempre a dizer,
Eu sei que tu podes…
Ès tu cá, tu lá,
Com o grande Pai do Céu,
Tens muito mais crédito do que eu,
Eu sei que tu podes…
Estala um dedo,
Dá uma gargalhada e
Faz com que de um momento para o outro ele se lembre de mi vir buscar.

            Vês? Também tenho amizades influentes e que gostam de mim!

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