sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vou ver o mar

Passaram-se anos sem que eu fosse á praia sequer.
Agora, quase todos os dias vou ver o mar.
Porque ir ver o mar,
Não é a mesma coisa do que ir á praia.

O mar é grande, sem fim,
Vai mas vem,
Até as ondas mais furiosas vão beijar a areia.
Nunca se afastam dela por muito tempo.
E é bonito, lindo demais,
Tão gostoso de se ver!
Já o tenho visto azul da cor do céu,
Semeado de estrelas douradas do sol,
Quase como um espelho cristalino.
Já o tenho visto escuro e triste,
Da cor do meu coração quando está de inverno na alma,
Como se cada vaga fosse uma lágrima molhada e gigantesca.

E tenho estado às vezes alegre quando estou perto dele.
Às vezes desesperadoramente infeliz!
Tenho-me rido, sorrido para ele,
Tenho-o seduzido á distância pequenina que nos separa,
E tenho feito amor com cada gota da sua água.
E de vez em quando choro e soluço,
Sinto-me perdida e confusa,
Como desgraçada aflita, que desperta de um coma prolongado,
E perdeu tudo o que já foi rumo para si.

E sinto-me tão pequenina, ali parada a olhar.
Com o vento a despentear-me sem eu me importar.
Com a água a salpicar-me,
Sem eu me limpar.
E o mar que é grande e é imenso
Toma conta de mim.
Não me manda embora,
Não me pede tempo,
Não me pede espaço.
Deixa-me estar por perto,
Vai-me enviando uma a uma as suas vagas de conforto.
Porque não peço mais do que isso.
Um lugar aonde possa ficar.
Um abraço do tamanho do mundo aonde possa descansar,
Uma mão imensa que me limpe o rosto,
Me acaricie quando eu chorar.

Às vezes o telefone toca,
E é uma mensagem tua a entrar.
Às vezes não toca,
E eu fico na minha eterna senda de esperar…
Mas o mar não cobra.
Não quer saber o porquê,
Nem o depois,
Nem pede justificações para os risos,
Ou para as lágrimas.
Deixa-me apenas ficar.

E é por isso que não imagino a minha vida,
Sem ir ver o mar.

E é bonito ouvir o barulho que faz!
Grita e brame, agita espumas, atira água para o ar…
Molha os pescadores que por ali andam todos os dias,
E que recuam numa fuga divertida e respeitadora
De quem conhece mas teme,
De quem tem uma relação antiga de companheirismo,
Mas reconhece a hora de recuar.

Lambe as rochas aos meus pés,
Como um amante que se aproxima do corpo da amada,
E o avalia, o prepara, se demora com ela,
Antes de avançar.
E não tem pressa,
Faz com vagar,
Com cuidado, com paixão,
Até ouvir gemer,
Até ouvir suspirar…
Até nisso é parecido contigo, o mar…

E posso ficar tanto quanto puder.
Porque não existe outro relógio do que o da vida cá fora.
Lá, pertinho do principio do fim do mundo,
Nem o calendário me consegue atingir,
Nem o tempo me consegue segurar.
E sou finalmente livre de partir ou ficar.
Não há por perto braços que me possam manietar,
Nem mãos que me possam magoar.
Sou só eu e ele.
Eu e o mar.

            Vou comprar um chocolate, vou para perto do mar. Já não te posso contar…

2 comentários:

  1. Sabes que adoro o que escreves... Sabes que sinto que, contas como se fosse uma história, ou uma fábula, mas percebo-te tão bem!!! Adoro ler os teus textos. Continuo a achar que foram escritos no Céu.

    Obrigada por acreditares em mim. Deus sabe, que às vezes, nem eu acredito. Obrigada por partilhares esse teu coração maravilhoso, e esse teu talento divino. Ambos são uma dádiva. Fica bem. Tudo há-de correr bem. Tens razão: ambas seremos ainda muito felizes, porque nós merecemos!!! Bjinhos e abraços! Estou sempre aqui.

    Anabela

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  2. Olá Anabela querida,
    Eu sei que gostas dos meus escritos, e agradeço-te muito por isso. São histórias da vida real, como dizem na televisão de vez em quando...
    Claro que acredito em ti! Então no fim de passares por tanta coisa menos boa, e sempre com tanto sucesso, põe-se lá a hipótese de não acreditar? Nem tu própria tens esse direito. Quando ultrapassamos muitas dificuldades, quando vencemos muitos desafios, e ainda estamos de pé no fim de mais um combate, só podemos sentirmo-nos muito orgulhosos e satisfeitos connosco próprios!
    Obrigada pelo comentário. Uma boa noite para ti, amiga. Beijinhos grandes! Não me vou esquecer que estás aí. É muito bom saber, obrigada por me lembrares.

    Glória

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