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A mostrar mensagens de Dezembro, 2011

Continuas a ser único!

As mesmas palavras, Quase frases iguais… Termos idênticos. Mas tu não eras único?
Forma parecida de abordar, Talvez sem tanto requinte, Sem tanto galanteio, Mas o resto… Tudo lá. Mas tu não eras único?
O mesmo cuidado em não magoar, Em não desapontar, Os mesmos rodeios e salamaleques Antes de começar. Igual descaramento doce na forma de falar… Mas tu não eras único?
Não sei que me doeu mais… Se ver escritas outra vez as palavras que me dizias, Se ter a certeza de que não as tinhas inventado tu. Se perceber que tudo podia ter sido estudado antes, Se encarar a verdade de que nada daquilo era só para mim. Mas tu não eras único?
Difícil é ganhar-te aos pontos na forma de bem falar, Complicado saber mais palavras do que tu, Saber quando as empregar, Que forma bonita lhes dar, Como usá-las e transformá-las até parecerem barro moldável Na roda experiente de oleiro batido no ofício. No entanto, Apesar de ligeiramente diferentes, Mais toscas, Mais improvisadas, Elas estavam lá. As palavras que me faziam sonhar, Delirar, Suspira…

Saudades de andar de moto...

Hoje lembrei-me Das saudades que tenho de andar de moto! De andar apertadinha na garupa de alguém… De deixar o cabelo ao vento, De não me importar se a saia sobe…
De desfazer as curvas da estrada, Com os joelhos quase a raspar no alcatrão, Ou de saltitar por cima das pedrinhas dos caminhos das matas… Serpentear pelo meio do trânsito, Numa alegria de cobra liberta que se esgueira por cima da folhagem, Ou voar pela estrada comprida que segue paralela ao mar…
Ouvir as buzinas dos condutores, Acenar em resposta, Sorrir-lhes por entre as madeixas despenteadas. Fechar os olhos e confiar… Confiar em quem me vai a dirigir, Acreditar que sabe escolher o melhor percurso, Que sabe como fazer para enfrentar o trânsito…
Não ter medo quando a velocidade aumenta E quando o vento sopra tão forte Que mal se consegue respirar. Não ter medo quando cai o vermelho e estamos ainda tão longe de conseguir parar… Segurar-me com força, encostar-me, fechar os olhos E acreditar.
Tive vários namorados com moto, Vários amigos com moto. No …

Não vou cortar os cabelos...

Não, não vou cortar os cabelos, Nem vou pintar a cara, Nem vou pôr de lado as minhas calças apertadinhas de ganga… Quero nem saber se não posso entrar em todos os lados… Se não sou sofisticada o suficiente, Cuidada o suficiente, Disfarçada o suficiente.
Sempre fui assim! Selvagem e solta. Nunca tive paciência para cortes de cabelo complicados, Nem para passar horas perdidas num cabeleireiro. Tão pouco gosto de pôr tintas no rosto, Nem nos olhos, Nem nos lábios…
Gosto de mim como sou. Cabelos compridos, cheios de caracóis indomados, Mal presos, desarrumados, a voarem ao sabor do vento. A baterem-me no meio das costas, A fazerem-me comichão no pescoço, A brincarem-me no rosto e a afagarem-me os lábios.
E simpatizo com a minha cara lavada, Com os meus olhos castanhos sem lápis, sem sombras, A brilharem sozinhos como duas sentinelas de vigia. E simpatizo com os meus lábios cheios e carnudos, Entreabertos como que sempre a pedir um beijo, Sem batom, sem brilhos cintilantes, Só e simplesmente lábios de carne Que gost…

Vês o que fizeste?

Vês o que fizeste? Embebedaste-me de vida… Ainda estou a ressacar. Mostraste-me os picos mais altos Das montanhas mais escarpadas. Levaste-me a voar por sobre os campos orvalhados da madrugada, Ensinaste-me a saltar de paraquedas sem puxar a corda Deixaste-me espreitar pelas mais belas vidraças E deixaste-me pôr a mão nos vidros para ver que não estavam lá. E disseste-me o que fazer para não sentir vertigens, Não ter medo de cair, sem precisar de me apoiar.
Vês o que fizeste? Mandaste-me fechar os olhos, Sentir quase sem respirar, Saber quando é a altura certa para avançar. Disseste-me que só uma vez é pouco, E mostraste-me como era bom repetir até saciar. Sentar, cruzar as pernas, pressionar, gozar… Sem ninguém ver, sem ninguém desconfiar, Onde mexer, como tocar, E agora foste embora e já nada me consegue contentar…
Vês o que fizeste? Já não encontro novidade em nada. Nenhuma conversa é igual á tua, Nenhumas palavras são as que tu usavas, Nenhum outro homem se sabe aproximar de mim como tu te aproximavas. Mai…

Feliz Natal, meu amor!

Feliz Natal, meu amor. Não era muito o que tinha para te dizer… Nem muito complicadas as palavras que tinha guardadas para ti. Um beijo, um carinho, uma carícia no rosto… Um sussurro misturado num afago. A fotografia que me deste, Emoldurada para veres. -Feliz Natal, meu amor.
Não te queria invadir, Não te queria perseguir. Tinha saudades, só saudades. Queria recordar a que soa a tua voz. Queria lembrar a que sabem os teus lábios Quando me beijas na boca. Queria sentir o toque da tua mão Quando corre o meu corpo numa intimidade sem fim. -Feliz Natal, meu amor.
Desculpa… Não faço mais. Não te procuro mais sem avisar. Deixo-te sozinho na agonia que escolheste, Porque não consigo forçar as tuas defesas, Porque sou fraca demais para lutar contra ti, E porque não sei como te salvar de ti próprio. Também porque fiquei muito triste desta vez. -Feliz Natal, meu amor.
Prometo que vou tentar. Prometo que vou procurar. Hei-de encontrar outro alguém para pôr no teu lugar. Posso ter quem eu quiser. Não é muito fácil dizer-me q…