sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Diz-me só olá!

Chamaste-me para beber café…
Mas diz-me só olá.
Não te chegues muito próximo,
Não te aproximes demasiado.
Cheiras bem,
Ah, hoje cheiras bem demais!
Mas és meu amigo há muito tempo…

Diz-me só olá.
Nem me dês os dois beijinhos na cara…
É melhor não.
Estou carente,
Não me chegues fogo porque eu posso queimar.
E depois ficas triste também.
E ficas á espera de coisas que não tenho para te dar.
Porque beijos, abraços e carícias parecem muito,
mas às vezes são só isso mesmo…
Respostas de um corpo sedento de amor.
Formas de matar o desejo.
Nada mais.

Diz-me só olá,
Não me acaricies o rosto,
como costumas fazer na tua maneira meiga de falar…
Não me desvies os cabelos de frente dos olhos,
como estás habituado, e fazes a brincar.
Não pouses hoje a tua mão distraidamente
na minha perna
enquanto falas.
Sei que fazes sem notar,
mas a tua mão pode aquecer a ganga das minhas calças,
E fazer-me sentir coisas esquisitas na perna,
e em muitos outros lugares.
Não contes segredos no meu ouvido,
posso-me arrepiar de forma gostosa.
Não me encostes a ti para me confortar,
como fazes nos outros dias em que eu estou mais triste.
Não te quero fazer mal.
Não quero que fiques decepcionado comigo.

Diz-me só olá,
Sei que julgas que és forte,
que estás convencido que percebes e aguentas.
Sei que dizes que depois dás a volta por cima,
e que consegues superar.
Acreditas que não te prendes, nem te acorrentas…
Mas olha bem para mim.
Vê o que a força teimosa faz de nós!
Nem tu,
Nem eu somos fortes…
Somos dois aprendizes de malabaristas
Perdidos entre um e outro número do circo da vida.
Meu amigo querido dos olhos de mel…
Não te aproximes demais.

Diz-me só olá,
porque conheço-me bem.
Sei como o meu coração pode palpitar.
Como os meus olhos se podem começar docemente a fechar,
E sei como respiro mais depressa
quando sinto o prazer a começar a chegar.
E adivinho,
porque não sei,
que se pousares em mim os teus lábios,
se me beijares,
não vou ter como me aguentar.
Somos amigos há tanto tempo!

Diz-me só olá,
Leva-me a beber café a um lugar com muita gente.
Ficamos lá sentados a conversar.
Não é boa ideia ir dar uma volta,
Nem falar dentro do carro,
Ou ir para um jardim qualquer descansar.
Não fiques muito sozinho comigo.
Eu sou fraca.
Estou triste.

Diz-me só olá,
E não te demores.
Porque eu posso não resistir e dar-te um beijo na boca
enquanto estiveres a falar.
E enquanto estiveres tão surpreso,
que nem consigas dizer nada,
sou bem capaz de me sentar ao teu colo,
e de te calar as perguntas com uma carícia.
Sou bem capaz de suspirar nos teus braços,
de te despentear o cabelo,
de me roçar em ti,
de me encostar,
de fazer com que percas a cabeça!
E depois…
Olha, depois…
Garanto-te que já não vais mais querer parar.
Porque estou sozinha há tempo demais.
Porque ando cansada de me oferecer barato
a quem nunca me quer nem de graça,
E porque sou mulher,
Caramba!
Sinto falta de carinho,
Estou com saudades de amar.
Fica longe, meu amigo,
Não te queiras enganar…

Diz-me só olá,
Ou nem me digas nada.
Deixamos o café calhar para outro dia…
quando eu estiver melhor.
Quando não correres o risco de te magoar.
Meu amigo querido de olhos de mel,
gosto muito de ti.
Noutra altura combinamos,
Eu não me esqueço de te procurar…

            Olha, agora chega! Estou a ficar cansada de lutar!

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