sonhando, escrevendo e imaginando

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como se este fosse o último mês da minha vida


 Como se nada mais interessasse depois deste mês.
Nem necessidade de fazer mais planos,
nem estabelecer mais metas,
nem objectivos.
Como se este fosse
o último mês da minha vida.

Sempre pensei que se o mundo acabasse no Natal,
eu acabaria feliz.
Estamos no Natal.
A chegar lá,
a um passo dos pequeninos, de lá.
Então…
Premonição…
Antevisão…
Não sei.
Também agora o que é que isso interessa?

Três, quatro semanas.
Talvez menos.
Poucos dias
se comparados ao mundo sem fim
de tempo
que deixo para trás!
Anos!
Muitos anos…
Mas agora,
a chegar.
Finalmente.
Como se este fosse
O último mês da minha vida.

Não quero mais saber de prazos,
de horas,
nem de calendários.
O tempo para mim passou a ser contado
noutro relógio.
As horas,
vistas doutra maneira que não ensinam na escola.
Os dias passaram a ter outra duração.
O sol e a lua
só se põem,
e só nascem,
quando o ocaso da imaginação se lembra deles.

E já não choro.
Toda eu sou uma lágrima.
E já não rio.
Transformei-me numa gargalhada contínua
soltada num pranto de desespero.
Fiquei presa num grito de garganta arranhada.
Fiquei entalada num soluço cansado de tanto arquejar.
Porque chamei durante tantos e tantos anos,
e nunca ninguém me ouviu chorar.

Como se este fosse
O último mês da minha vida.
E eu pudesse descansar.
E não precisasse mais de me preocupar.
Para quê?
Sem amanhã,
sem semana,
nem ano que vem…
Sem fim do mês,
Nem nada de mais dia nenhum para esperar.

Pobre de mim,
Igual a uma máquina que se cansou de trabalhar.
A quem se esqueceram de mudar o óleo
para não enferrujar.
Esquecida num canto escuro.
No frio do chão
da arrecadação bolorenta de alguma caverna.
Imagem perdida num universo
que sonhei,
num dia em que ainda haviam tantos dias
para chegar.
Dias que nunca chegaram a começar.
Que nunca apareceram para me encontrar…

Como se este fosse
O último mês da minha vida…

                … e eu parasse enfim de te perturbar. Quem sabe, até vais gostar?

2 comentários:

  1. Querida Glória!

    Nunca, jamais desistir. Foste tu quem me ensinou isso! Por favor, permanece esperançosa no amanhã, aguardando sempre pelo melhor desfecho possível. Estou longe, mas estou aqui ao pé de ti. Não te vás embora da minha beira. Que faria eu se tu te fosses??

    Beijinho grande cheio de Luz, Amizade e Carinho.

    Anabela

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  2. Olá Anabela,
    Quando te ensinei isso, se é que me posso dar a pretensão de te ter ensinado alguma coisa, era feliz. Nessa altura a vida sorria-me de forma tão maravilhosa que me cheguei a esquecer de como é triste ficar perdida no escuro. Agora estou de volta ao que era, antes de ter visto a luz. E a desilusão doí demais! E o desfecho não há meio de chegar, e estou a ficar muito cansada de esperar. Sei que estás ao pé de mim. Só que não sou uma companhia lá muito boa durante estes últimos dias... Desculpa se te desiludi...
    Beijinho muito grande para ti.
    Glória

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