sonhando, escrevendo e imaginando

sábado, 31 de dezembro de 2011

Continuas a ser único!

As mesmas palavras,
Quase frases iguais…
Termos idênticos.
Mas tu não eras único?

Forma parecida de abordar,
Talvez sem tanto requinte,
Sem tanto galanteio,
Mas o resto…
Tudo lá.
Mas tu não eras único?

O mesmo cuidado em não magoar,
Em não desapontar,
Os mesmos rodeios e salamaleques
Antes de começar.
Igual descaramento doce na forma de falar…
Mas tu não eras único?

Não sei que me doeu mais…
Se ver escritas outra vez as palavras que me dizias,
Se ter a certeza de que não as tinhas inventado tu.
Se perceber que tudo podia ter sido estudado antes,
Se encarar a verdade de que nada daquilo era só para mim.
Mas tu não eras único?

Difícil é ganhar-te aos pontos na forma de bem falar,
Complicado saber mais palavras do que tu,
Saber quando as empregar,
Que forma bonita lhes dar,
Como usá-las e transformá-las até parecerem barro moldável
Na roda experiente de oleiro batido no ofício.
No entanto,
Apesar de ligeiramente diferentes,
Mais toscas,
Mais improvisadas,
Elas estavam lá.
As palavras que me faziam sonhar,
Delirar,
Suspirar.
Mas tu não eras único?

Agarraste numa técnica que já existia e melhoraste-a…
Foi só isso?
Incutiste-lhe o teu charme próprio,
A tua cultura,
O teu modo brilhante de falar…
Nada mais do que isso?
Não sentias o que dizias,
Não acreditavas no que escrevias?
Por isso eras tantos homens num homem só,
E tudo o que me fascinava mais em ti,
Eram afinal as pontas soltas
Que não conseguias juntar e disfarçar?
Mas tu não eras único?

Aquele homem que eu amo,
Aquele a quem beijei como se não houvesse amanhã,
Aquele que me apertou nos braços com desejo e ternura,
Era o quê no fim de contas?
Impostor,
Perdido num labirinto de espelhos e personalidades,
Outro que não cheguei a conhecer,
Ou ninguém de muito especial?
Apenas alguém que soube jogar com as palavras,
Numa altura em que eu não me sabia defender melhor do que um bébé assustado?
Mas tu não eras único?

Por isso o adeus sem adeus,
O terminar sem ter nenhum fim,
O arrastar de quem não quer sair,
Mas não tem coragem de entrar?…
Porque não tinhas pensado que ia ser assim?
Porque te deixaste envolver,
Porque ficaste mesmo a gostar?
Ou porque essa parte já não vinha no teu guião?
Ou porque era para ter acabado muito antes de onde deixaste chegar?
E não está previsto nenhum fim alternativo,
Nos livros em que andaste a estudar?
Mas tu não eras único?

Mas eu não imaginei,
Não inventei
Nem alucinei de tanto chorar.
As mesmas palavras estavam lá
Descaradamente escritas da mesma forma como as escrevias,
Tentadoramente alinhadas como as costumavas alinhar.
Como num filme,
Como num vídeo.
Ler como olhar,
Comentar como sentir.
Escrever como beijar.
Aquele prazer conhecido a querer subir,
Aquele calor a começar…
Tudo,
Esta lá tudo.
Só tu não estavas…
Só não era a tua foto que acendia do lado do meu ecrã,
Só não era o teu nome que piscava…
De resto,
Era idêntico,
Parecido,
Quase a mesma coisa.
Mas tu não eras único?
Quantas outras semelhanças ainda vou encontrar?

            Mesmo assim, não deixei de te amar… És muito mais do que simples letras num computador!

Sem comentários:

Enviar um comentário