sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Não sabes, pois não?

Tu não sabes, pois não?
Tu não sabes que estou assim tão triste,
Tu não sabes que estou a chorar…
Se soubesses,
Eu sei,
Vinhas-me buscar.

Chegavas sem avisar,
Entravas sem precisar de bater,
Abrias a minha janela fechada,
Levantavas-me do chão,
Davas-me um abraço,
Pedias-me para não me preocupar…

Não te importavas com os meus olhos vermelhos
E inchados de chorar,
Dizias que ainda assim sou linda,
Dizias que nunca mais ias embora,
Pedias-me desculpa pela demora…

Tu não sabes, pois não?
Tu não podes adivinhar.
Não sabes como a vida ficou sem cor,
Não podes ver que tudo em volta desapareceu,
Que fiquei sem chão,
Não tens como calcular
Tu não me ouves,
Tu não me vês,
Não podes adivinhar…

Se soubesses,
Guardavas-me dentro do teu abraço,
Não deixavas mais ninguém fazer-me mal,
Punhas a correr tudo o que me fizesse sofrer,
Encostavas a minha cabeça cansada de pensar
No teu ombro protector,
Fazias o meu choro abrandar.
Não me deixavas mais soluçar.

Sei que pensas que sou forte,
Segura e cheia de valor.
Não sou nada.
Finjo que sim,
Para não te preocupar, para não te pressionar.
Para conseguir estar á altura
De uma migalhinha do teu amor.

Porque me vejo assim,
Pequenina, insegura, indefesa,
Sempre sem saber em que esquina virar,
Sempre a pedir colo e carinho,
Sempre sem nada para te dar,
A não ser o meu tão grande amor,
Que por ser tão grande acaba por te asfixiar,
Que por ser tão insano não te deixa respirar,
Um amor que é tudo para mim,
Mas que é tão assim…
Simples, sem valor…

Ainda assim eu sei que vinhas,
Se soubesses.
Eu sei que afastavas as nuvens
Que tapam o meu sol.
Meu sol lindo que era tão cor de laranja,
E que agora vive perdido no nevoeiro
De uma madrugada sem fim,
De um dia que não há meio de chegar.
Limpavas-me as lágrimas,
Sentavas-me ao teu colo,
Esperavas até eu sossegar.

Depois,
Só depois,
Quando eu já não estivesse a chorar,
Depois de ter ouvido o teu coração bater,
Depois de ter escondido o rosto no quente do teu peito,
De ter sentido a segurança do teu braço
Em volta dos meus ombros…
Depois das sombras e dos fantasmas terem ido para longe,
Dos precipícios terem fechado as suas bocarras sedentas de me agarrar,
Do nevoeiro ter levantado,
Do sol já estar a brilhar…
Só depois quando levantasse para ti os meus olhos,
Saberias que estava na altura de me beijar.

E as saudades que tenho de ti
São tantas,
São tão imensas,
São tão de fora deste mundo,
Que assim que os teus lábios pousassem devagarinho nos meus,
Que a tua respiração aquecesse o meu pescoço,
Sussurrasse nos meus ouvidos,
Que a tua mão acariciasse com cuidado o meu corpo
Eu ia ter a certeza de que valeu a pena
Até ter descido ao inferno e ficado por lá,
Valeu a pena cada segundo que chorei,
Só para te ver voltar.

            Não sabes, pois não? Que estou a chorar…
            Se soubesses, vinhas, não vinhas? Para me salvar…


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