sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vês o que fizeste?

Vês o que fizeste?
Embebedaste-me de vida…
Ainda estou a ressacar.
Mostraste-me os picos mais altos
Das montanhas mais escarpadas.
Levaste-me a voar por sobre os campos orvalhados da madrugada,
Ensinaste-me a saltar de paraquedas sem puxar a corda
Deixaste-me espreitar pelas mais belas vidraças
E deixaste-me pôr a mão nos vidros para ver que não estavam lá.
E disseste-me o que fazer para não sentir vertigens,
Não ter medo de cair, sem precisar de me apoiar.

Vês o que fizeste?
Mandaste-me fechar os olhos,
Sentir quase sem respirar,
Saber quando é a altura certa para avançar.
Disseste-me que só uma vez é pouco,
E mostraste-me como era bom repetir até saciar.
Sentar, cruzar as pernas, pressionar, gozar…
Sem ninguém ver, sem ninguém desconfiar,
Onde mexer, como tocar,
E agora foste embora e já nada me consegue contentar…

Vês o que fizeste?
Já não encontro novidade em nada.
Nenhuma conversa é igual á tua,
Nenhumas palavras são as que tu usavas,
Nenhum outro homem se sabe aproximar de mim como tu te aproximavas.
Mais ninguém me deixa excitada só de pensar,
Só de ler, só de ver, só de imaginar.
Mais ninguém me consegue fazer delirar…
Nem nenhum outro beijo sabe a beijo,
Nenhum outro cheiro é o teu cheiro,
E ninguém mais tem mãos como as tuas,
Que mesmo sem encostar,
Já estavam a queimar.

Vês o que fizeste?
Os teus olhos azuis continuam por todo o lado.
E eu tento não os ver, não os enxergar.
Mas eles surgem na água do mar,
No céu lindo por cima de mim,
E o som da tua voz ouve-se no canto dos pássaros
e no silêncio da praia no inverno.
E a tua imagem aparece mesmo quando fecho os olhos,
Porque nunca estás cá,
E eu te vejo mesmo assim, com os olhos do coração,
Aqueles olhos que nem a morte consegue fechar.

Vês o que fizeste?
E afinal só me fizeste bem…
E afinal só me deste amor…
Perdoa porque não paro de te importunar.
Porque não quero perceber,
Porque me recuso a acreditar!
Porque não podia ser tudo mentira!
Porque tu és o melhor homem do mundo,
O mais inteligente, o mais maravilhoso…
Não ias fazer uma maldade tão grande comigo,
Que nunca te fiz mal nenhum,
Que só te queria amar…

Vês o que fizeste?
Seu parvo, idiota, estúpido!
Por causa de ti,
E porque estive contigo,
E me ensinaste que quase tudo é só gaz,
Não consigo achar graça nenhuma ao esforço tremendo
Que aquele pescador engraçado lá ao fundo,
Está a fazer para me impressionar:)))
Enquanto estou aqui sentada,
De computador ao colo,
A ver o mar…
Quantos mais saltos terá ele que dar,
Quantos mais malabarismos arriscados nas rochas terá que ensaiar,
Para conseguir que me sorria para ele,
Que me demore a olhar?
Se fosse dantes…
Ah, se fosse dantes…
Acenava-lhe, deixava-o chegar,
Conversava e arranjava companhia para o resto da tarde.
Agora…
Está na hora de ir embora,
Antes que ele caia de vez ao mar:))))

Vês o que fizeste?

            Agora vê lá se tens coragem de continuar a dizer que não te sentes culpado?...

1 comentário:

  1. Muita coisa hoje dá certo na minha vida, porque muita outra deu errado primeiro... Este texto tem quase dois anos. Se este amor tivesse dado certo, eu não estaria hoje tão feliz como estou. Porque aprendi que não basta ser só um a gostar, e que não se mendiga, nem se pede amor. E que coisas boas, são coisas simples.
    Se a minha mãe fosse viva, diria na sua sabedoria de ditos populares sem fim "Deus escreve direito por linhas tortas". Com qualquer um dos meus amores do passado,não podia estar mais feliz do que estou hoje.

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