Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

Dou por mim...

“- Dou por mim e nem sei aonde estou…” E eu pensava que ele era tolo, que estava a brincar…
Era um amigo meu, Daqueles de há muitos anos atrás… Tinha um automóvel vermelho, Não lembro a marca, (desculpa Albano) Também não percebo nada de automóveis… Lembro que era vermelho, Bonito, Brilhante. Mas isso agora não interessa. Interessa que muitas vezes ele dizia “- Dou por mim e nem sei aonde estou… Ponho-me a conduzir, Sem tomar nota da estrada, Sigo, E quando vejo, não sei aonde vou…”
E eu pensava que ele era tolo, que estava a brincar.
Mas quantas vezes agora Não tenho dado por mim A errar sem destino, Embora pareça tão consciente do caminho… E olho em redor admirada, Surpresa, pasmada, Sem saber Como me fui encontrar naquela estrada… Mas presto atenção aos obstáculos Aos peões e ás outras viaturas, Ao limite de velocidade, A todas as regras do mundo… Porque o meu piloto automático não se desliga nem por um segundo… No entanto Não sei, Não percebo O que faço em muitos dos lugares Aonde dou por mim, No mapa grande e confu…

Ela sonhava, ele tinha os pés bem no chão...

Ela gostava de sonhar, Ele vivia de pés bem assentes no chão. Ela acreditava em histórias de princesas e contos de fada, Ele acreditava que o mundo é um lugar bem só e muito triste. Ela queria encontrar um amor maior do que o universo, Ele só queria alguém que lhe chegasse água quando tinha febre. Ela era minha mãe, Ele era meu pai. Os dois casaram… e não foram muito felizes…
Nunca conheci mulher como a minha mãe! Aventureira, atrevida, romântica… Linda, tão linda tinha sido em novinha! Capaz das loucuras mais insólitas, Como casar com um desconhecido Que vivia num país estranho Para lá do mar sem fim… E seguir rumo a uma nova vida de aventuras e incertezas, Com uma malinha de mão cheia de vestidos lisboetas E meia dúzia de sapatos da moda, com salto alto de agulha…
Voava como uma borboleta que bate de encontro á vidraça… Não conseguiu nunca aceitar Que o príncipe não era príncipe, Nem tinha vindo para a salvar. Era apenas um homem cansado de muito lutar, Que queria companhia para conversar… E que o castelo d…

Vem-me no encalço...

Segue-me o cheiro, vem-me no encalço. Diz que me amas, diz que me queres Ou não digas nada, Só me segue.
Vou-te mostrar como é bonito o sol a nascer, Sim a essa hora em que às vezes estás a adormecer… Vou-te fazer subir ao monte mais alto, Para nos sentarmos nos malmequeres, E vais sujar o teu fato de terra, E vais ficar com lama nos sapatos… E vou ficar com o teu telefone mal educado Que está sempre a tocar, Quando queremos conversar.
Não adianta nem reclamares, Nem olhares o relógio, Ou colares os ouvidos na campainha da porta da rua… O sol está a chegar para render a lua.
Vou na frente porque conheço o caminho, O meu coração sabe-o de cor sozinho. E o meu corpo obediente, Vai atrás do que o coração sente.
Segue-me o cheiro, vem-me no encalço. Diz que me amas, diz que me queres Ou não digas nada, Só me segue.
Não tenhas medo se me perderes de vista Nas curvas do caminho. Estou logo bem ali, Mais um pouquinho á frente. Eu prometi-te que não ia a lado nenhum sem ti… Também tu tens que aprender a confiar mais em mi…

Ter calma... não sei esperar

Tem calma, aprende a esperar… De novo! Sempre me recomendam para ter calma, Para esperar… Mas não sei fazer assim… Não sei dar tempo, Nem sei sentar e ficar a olhar.
E quando quero, Quero logo. E quando vou fazer, Faço logo. Não consigo parar, Observar, Ponderar. Não aprendi a esperar.
O meu querer é um querer num segundo, Como se a vida acabasse, Como se fosse sempre Véspera do fim do mundo. E não houvesse depois, Nem amanhã garantidos. E não tivesse mais do que hoje, Do que agora, Para unir num, todos os gritos, Que me fugiram do peito, Que andam perdidos…
Resguarda-te, protege-te, Conhece bem primeiro, Não arrisques, Não saltes no escuro… E não consigo, E não quero. E vou sem rede, Sem protecção, Sem testar o pára-quedas. E salto porque sim, Ou porque não. Porque confio no coração. E porque o coração, Para mim é tudo.
Depois vais chorar de novo, Depois vais ficar triste de novo… Entra-me por um ouvido, Sai-me pelo outro. De novo, ou de antigo,

... para afugentar os malandros :))

“-Vou comprar um cinturão com duas pistolas, Para afugentar os malandros” Dizia o meu pai, Quando estava mais bem disposto. Ainda lá. Cá, nunca o ouvi de novo falar assim…
E eu ouvia e ria! E achava delicioso… E achava na minha inocência de pequena, Que ele ia estar mesmo lá para me defender, E pôr todos os malandros do mundo a correr…
E os amigos lá de casa riam junto, E a minha mãe abanava a cabeça num desconsolo rendido Á evidência de não segurar todas as rédeas nas mãos como julgava, E ao embaraço que era ter uma filha rebelde, Convencida de que era atrevida Que não sossegava ao pé dela, E um marido severo com assomos repentinos de boa disposição.
“-Vou comprar um cinturão com duas pistolas, Para afugentar os malandros” E eu era miúdita ainda, Mas já tinha os meus admiradores… Os colegas da Fazenda que me subornavam com chocolates, Para me verem sorrir, E para me ouvirem falar como uma pessoa crescida Enfiada num corpito gorducho de menina.
As visitas dos Domingos de sol, Que vinham para as patuscadas demor…