sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não deixei de gostar de ti...

Deixei de te procurar,
Porque tu me pediste.
Mas não deixei de gostar de ti.

Não te preocupes, não fiques triste.

Só porque não te tenho telefonado,
ou mandado mensagens,
Nem te tenho escrito ou falado,
Perseguido, ou como tu dizes “torturado”,
Isso não quer dizer que te esqueci.

Continuo a gostar tanto de ti!

Ainda estás no meu coração,
Em qualquer lugar que eu vá.
E penso em ti até quando não sei se ainda sou capaz de pensar.
A cada hora,
A cada instante
Em cada segundo que demora a passar,
É o teu rosto aquele que vejo quando fecho os olhos,
E quando os abro,
Antes de acordar,
e antes de deitar.

Não confundas o meu silêncio
Com falta de amor.

Deixei de te procurar,
Porque tu me pediste.
Mas não deixei de gostar de ti.

Porque me conheces um bocadinho,
Dentro daquilo que me conseguiste conhecer,
Sabes que por mim eu estaria lá,
Para te abraçar,
Dar um beijo,
Desejar-te que voltes depressa.
Nem que tivesse que esperar todo o dia até te ver aparecer,
Só para estar um minuto contigo,
Para te ver…

E sabes que eu era bem capaz de aparecer de surpresa
Sentada na cadeira atrás da tua, ao lado, de frente da tua…
E sorrir-te descontraidamente como se fosse
A coisa mais natural do mundo,
Encontrares-me ali de repente.
A atravessar meio firmamento
Montada numa nuvem de esperança
Com o céu todo a concordar.

E sabes que só não o faço,
Porque eu sei que te ias zangar comigo.
E ias-me ralhar como fazes sempre.
E não me ias querer falar,
Eras bem capaz de te enervar,
Perder a paciência
Virares as costas e seguires
Como se eu não estivesse ali,
Vinda do fim do mundo,
para me despedir.
 Porque tu achas muito engraçado que eu pareça uma adolescente,
E depois detestas que me comporte como uma…

Mas eu sou mesmo assim,
Solta,
Selvagem e louca.
E queria sair-te a meio do caminho,
Levar-te escondido na bagageira do meu carro,
Devorar-te de amor nalgum barracão abandonado,
Manter-te comigo ,
Fazer de ti um viciado
De carícias, de carinhos,
De beijos húmidos e molhados.
Não te devolver nunca mais,
Deixar tocar as campainhas,
As agendas,
Os sinais…

Queria rir-me na cara do mundo,
Atónito e escandalizado,
Quando visse que em vez de seres mais um capacho,
Tinhas acordado, tinhas renascido,
E trazias um sorriso bonito,
No rosto mal barbeado.

Queria rir-me na cara do mundo,
Quando o mundo horrorizado visse
Que trazias o laço da gravata afrouxado,
A camisa amarrotada,
As calças com o vinco perdido,
O casaco desapertado…

E que vinhas feliz,
E que vinhas comigo.
E que tinhas reencontrado o prazer
Simples e antigo de viver.
Sem medos,
Sem cobranças,
Sem sombra de pecado.
Porque pecado é ter um amor
E deixá-lo morrer,
Deixá-lo partir
Só por ter medo de o viver.
Ainda por cima agora que o tempo da vida
Começa a ser menos do que era dantes…
Quando temos que nos apressar para acertar o passo
Com o que nos falta ainda fazer.

E queria, ah como eu queria!
Que as beatas escuras e sombrias,
Desviassem o olhar aterrorizadas,
Quando eu te beijasse na boca bem em frente delas!

E queria que me agarrasses com força e me abraçasses,
E te colasses em mim, e te encostasses,
E mostrasses que eu sou tua.
Para que os homens santos teus amigos,
Que me pedem o telefone de casa,
Quando tu não estás a olhar,
Percebessem que o pecado,
Não é agarrar
Amassar,
Amar,
Pecado é viver de mentiras,
Ser hipócrita e enganar!

Deus nunca mandou nenhum recado,
A proibir os homens de amar…

Deixei de te procurar,
Porque tu me pediste.
Mas não deixei de gostar de ti.

            Procura na tua mala com cuidado, quem sabe se misturada nas tuas roupas bem dobradas, não me encontras a mim, a sorrir?

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