sonhando, escrevendo e imaginando

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não me faças promessas

Não me faças chorar,
Não me faças promessas
Não me faças sonhar.

Tenho o péssimo hábito de confiar.
De me deixar ir,
De me deixar levar.

E construo castelos de areia,
Com a mesma facilidade com que as ondas os levam,
E recheio-os de reis e rainhas,
Príncipes e princesas,
Duendes e fadas madrinhas.

E invento histórias de finais felizes,
Aonde o fim é sempre igual,
E onde o igual é sempre bonito.
E o príncipe casa com a princesa,
E vivem juntos no palácio encantado,
Felizes e juntinhos,
Numa mistura de amores e carinhos
Para todo o sempre.
Até muito para lá do sempre ter acabado.

Por isso, como vês sou tonta,
Sou crédula e sou infantil.
Não me mintas,
Não me iludas,
Não me faças acreditar.

Não é preciso.
É uma maldade.
É o mesmo que assustar um gatinho pequenino.
É o mesmo que tirar o doce das mãos de um menino.
É igual a espantar á paulada uma pobre criatura que vem pedir um carinho…

Já acreditei tanto!
Já sofri tanto!
Já chorei demais…

Não precisas de me falar de amor.
Não precisas de dizer que gostas de mim.
Não precisas de te esforçar…

É só beber um café,
Passear,
Almoçar…

E vamos ser amigos,
Porque até nem tenho tantos como isso,
E tudo o resto é só resto,
Não é preciso…

Não te aproximes demais,
Não te interesses demais,
Não me cobices,
Nem me invadas.

Eu rio-me contigo na mesma.
Dou-te na mesma dois beijinhos,
E falo e converso e brinco tudo igual,
Só não me digas que tens a certeza,
Quando sabes que estás a inventar…

Porque eu sou insegura,
Sou carente,
Sou muito sozinha.
Vivo á espera de um agrado,
De um carinho,
Vivo em permanente pedinchice de atenção,
Mesmo quando não quero mais do que um afago de mão.
Sou bem capaz de acreditar.
Então,
Não me faças também tu, chorar…

Se um dia acontecer,
Se nos deixarmos levar,
Que não seja pelo que tu me possas dizer
Que seja por aquilo que me conseguires mostrar.

Não me leves a confiar
Se depois não quiseres ficar…

Se for só prazer,
Não precisas dizer nada,
Podemos só fazer,
Porque assim não me deixas a sonhar.

Não me faças maldades,
Não me faças chorar…

            Homem complicado vês o que fizeste?… Mais nenhum se te consegue comparar.

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