sonhando, escrevendo e imaginando

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vais-te lembrar de mim...

Não me queres levar contigo,
Mas eu vou estar lá na mesma.

Vais encontrar-me de cada vez que acordares de manhã,
E alguém te der os bons dias.
E vais lembrar-te de como eu dizia,
Quais as palavras que eu empregava,
Quais os termos que eu escolhia.
E vais olhar para o teu telefone,
Á espera que eu te chame,
E ele vai estar mudo e quieto.
E vais-te lembrar de mim.

Vais encontrar-me quando fores tomar o pequeno almoço,
“Matar o bicho” como nós dizemos,
E vais sentir a falta de quando te digo “bom apetite”,
E vais olhar em volta á procura do meu sorriso,
E não me vais encontrar por lá.
E vais-te admirar de estares com saudades,
Quando eras tu que me mandavas parar,
Quando muitas vezes nem me respondias,
E vais-te lembrar de mim.

E quando fores á rua passear,
E ninguém te desejar “bom passeio que tudo corra bem”,
E quando fechares a porta e ninguém te disser ”estou aqui, volta depressa”.
Na altura de ires trabalhar, falar, discursar,
Quando eu não estiver pata te dizer adeus e mandar smilles,
Nem para te sussurrar “acredito em ti, és brilhante, vai que és capaz”,
É bem natural que te sintas sozinho,
Que me procures no ecrã do computador,
Nas luzes verdes acesas dos teus contactos,
E que te lembres de mim.

Quando acabares,
Quando desceres do palco, apagares as luzes e fechares a porta,
E eu não estiver no meu lugar do costume a aplaudir,
E não te contar o que mais gostei, aonde foste mais marcante,
O que melhor disseste,
E não te apresentar sugestões para a próxima semana,
Não te saltar ao pescoço para te festejar,
Não te olhar nos olhos na minha forma simples de te adorar,
É bem capaz que te lembres de mim.

Na hora de almoço,
Sem tocar o telefone a perguntar “o que vai ser, é bom?, vais gostar?”
Sem eu te desejar “almoça bem, bom proveito, depois vai descansar”…
E quando vires que não sabes com quem vou almoçar,
Nem sabes se estou em ti a pensar,
E quando te trouxerem o prato sem história nem anúncio,
E te deitarem a água no copo,
Vais ficar um bocadinho perdido, vais recordar
De como foi quando eu fui almoçar contigo,
Quando te apareci de surpresa,
Do que te disse, do que conversei,
Até saudades de dividir a despesa vais ter,
E sozinho na mesa, vais-te lembrar de mim.

Não me queres levar contigo,
Mas eu vou estar lá na mesma.
 Á tarde depois de dormires a sesta,
Como fazíamos na nossa terra,
Vais acordar sem ninguém com quem conversar.
Sem ninguém que se interesse em saber “a tua tarde como vai ser?”,
Sem ninguém á tua espera em cada intervalo que tenhas, para te falar,
Tagarelar, namorar, presa no que dizes e no que escreves,
Com a mesma necessidade que existe em respirar.
Vais sentir a minha falta,
Vais sentir que pediste espaço demais,
e tempo muito para lá do que aquele que consegues gastar.
Talvez reflictas sobre o quanto me fizeste chorar,
Quando me pedias para eu desistir de ti porque não tinhas nada para me dar.
E entre uma hora e a outra, tu vais-te lembrar de mim.

Á noite quando for hora de jantar,
E eu não te puder dizer “janta bem, mas não comas demais, é noite, vais-te deitar.”
E te sentares em frente á mesa desolada,
Sem votos de bom jantar,
Sem beijinho do coração,
Sem nada,
Sem o aviso da mensagem a chegar,
E conversares coma televisão porque eu não te vou conseguir ligar,
No escuro da sala desconhecida, tu vais-te lembrar de mim.

Não me queres levar contigo,
Mas eu vou estar lá na mesma.

De noite,
No vazio da tua cama,
No deserto dos lençóis bem esticados,
No virar do corpo sem sono,
Perdido no abandono,
De não ter outro corpo para abraçar, tu vais- te lembrar.
E vais ver-me deitada perto de ti,
Com a adoração no rosto que sempre tenho quando te vejo,
Te sonho ou te imagino.
E vais sentir o meu olhar castanho pousado no azul do teu,
Vais sentir a minha mão a acariciar-te o peito, a despentear-te o cabelo,
Até o calor da minha respiração quando te beijo,
E vais-te arrepiar, e vais-te excitar,
E vais mexer o corpo para me abraçar,
E vais querer que eu esteja contigo ali na cama
Para te amar.
E eu vou estar tão longe e tão sozinha perdida em mais uma noite de chorar…

Vais recordar como eu fazia, o que eu dizia,
Como me abandonava, como me entregava,
Como suspirava, como gemia,
Como te acompanhava, de que jeito mexia,
O tempo que demorava,o bem que me sentia
E vais-me ouvir a fazer amor contigo, mesmo sem eu ali estar,
Talvez fiques triste, talvez consigas também chorar…
Talvez te consoles sozinho,
Talvez não te consigas consolar,
E fiques só ali deitado á espera que o dia comece.
Sem te recordares que eu não te vou poder telefonar.

Talvez sonhes comigo,
E me vejas entregue e nua,
Linda, solta e toda tua.
E quem sabe se no teu sonho molhado me consegues tocar,
Agarrar, apertar, mexer, desarrumar.,
Puxar de encontro ao teu peito até eu não conseguir aguentar…
Até te pedir “agora, vem por favor”,
E assim pode ser que te consigas aliviar.
Mas uma coisa é certa, vais.te lembrar de mim.

Não me queres levar contigo,
Mas eu vou estar lá na mesma.

            Só para saberes o que eu tenho vindo  a aguentar, desde que me pediste tempo para pensar…

2 comentários:

  1. Gostei muito do que li, gostava de saber escrever assim, por no papel aquilo que tenho dentro do meu peito, ainda hás-de ser muito feliz pois os teus filhos são maravilhosos, e tu mereces ser feliz, um beijo grande Amiga

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  2. Olá Manuela querida,
    Obrigada por teres gostado, e obrigada pelo teu comentário. Não precisas de pôr no papel o que tens dentro do peito, porque pertences àquele número de pessoas admiráveis que conseguem falar o que têm no peito. Eu preciso muitas vezes de escrever, e escrevo bem melhor do que falo. Por isso, tens bastante mais sorte do que eu.
    Espero que tenhas razão, e que eu consiga ser feliz... Não só com os meus filhos, mas feliz como entendo que uma mulher deve ser como homem que ama. Aí está outra coisa em que tens , outra vez, muito mais sorte do que eu. Porque tens um homem que te ama, e eu amo um homem que nem se lembra se calhar que eu existo... Enfim! Não mandamos no nosso coração, não é verdade?
    Um beijinho muito grande também para ti, Manuela.
    Glória

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