sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nunca me prometeste nada...

Nunca me prometeste nada,
Mas disseste que gostavas de mim…
Isso bastou-me.

Tens razão,
Toda a razão,
Como tens sempre.
Inteligente, culto, brilhante…
Nem precisaste de me prometer nada.
Amei-te de graça,
Sem razões, nem porquês…
Não precisei de garantias,
Não precisei de promessas.
Amei-te porque amar-te era fácil.
E porque amar-te era irresistível,
E porque era bom, tão bom demais!
E porque encheste a minha vida de alegria!
Porque estava perdida e tu me achaste.
E porque me fizeste bem,
E me fizeste voltar a acreditar.

Nunca me prometeste nada,
Mas disseste que gostavas de mim…
Isso bastou-me.

Nada de depois,
Nada de amanhãs complicados,
Nem de daqui a uns anos…
Só naquele momento,
Só naquele tempo,
Naquele tempo bonito em que amar era fácil,
Tão fácil…
E naquela altura em que estavas comigo,
E o mundo parava para não nos apressar

Não preciso de promessas,
Não preciso de garantias,
Nem de papeis,
Nem de alianças.
E sei que a respeitabilidade que se ganha numa vida,
Se perde num dia,
Porque a opinião do mundo
É cruel,
E é mesquinha.
E avalia as pessoas pelo que as regras ditam,
E porque o mundo se acha no direito de emitir opiniões quando somos felizes,
Mas não é capaz de estender a mão para nos consolar,
Quando sofremos, e estamos tristes…

Nunca me prometeste nada,
Mas disseste que gostavas de mim…
Isso bastou-me.

A maior garantia que me podias ter dado,
Era o sorriso bonito com que me olhavas,
Era o azul inocente dos teus olhos quando me encaravas,
Era o doce da tua boca de mel quando me beijavas devagarinho.
Devagarinho primeiro,
Com paixão e com urgência depois…
Num descontrolo total de falta de razão,
De noção,
Num vazio delicioso de juízo e de tino.

A maior garantia que me podias ter dado,
Era quando ficavas depois de cada vez de termos acabado.
Quando me conservavas encostada ao peito,
E me convencias de que não ias partir.
E me afagavas os cabelos desarrumados de amar,
E dizias que tinha sido bom,
Mas não tinha sido tudo,
E que o tudo nunca ia chegar.

Nunca me prometeste nada,
Mas disseste que gostavas de mim…
Isso bastou-me.

Não sei qual o género de mulheres,
a quem te costumas dar.
Nem qual o género de relações que costumas ter,
Quando andas perdido a procurar.
Nem quero saber sequer
O que lhes dizes,
Como lhes fazes.
O que lhes ensinas quando estão a amar.
Desconheço se lhes prometes alguma coisa,
Se depois elas surgem como fantasmas para cobrar.
Se te perseguem, se te vêm infernizar.
Se te difamam apenas,
Se pensam que se estão a vingar…
Eu confio em ti.
Eu escolho acreditar.

Eu não precisei de nada disso.
Nem de promessas,
Nem de truques de luzes,
Nem de simulações de entusiasmo,
Nem de miragens a acenar num oásis distante.

Bastaste-me tu.
Bastou-me o que conversávamos,
O que dizíamos.
O que fui conhecendo de ti,
E aprendendo a admirar,
Ainda antes de te amar.
Ainda antes de te deixar encostar.
 Bastou-me o que me davas quando fazíamos amor.
O calor de ti todo que me fez parar de ter frio.
Bastou-me o som bonito da tua voz,
Masculina, quente e apaixonada.
O sussurrar arquejado nos meus ouvidos,
O correr das tuas mãos ateando o fogo do meu corpo.
O sentir-me pequenina,
E segura,
E protegida,
Aceite pela primeira vez na vida.
Soube-me bem o ficar guardada dentro do teu abraço,
Dobrada e arrumada na algibeira da tua camisa,
Aquecida num cantinho do teu coração.

Nunca me prometeste nada,
Mas disseste que gostavas de mim…
Isso bastou-me.

            E ainda me basta. Confio em ti. Continuo-te a admirar…e a amar.
            É preciso muito mais do que intrigas de salão, para me afastar.
            Homem complicado, vem ter comigo, vem-me buscar…

2 comentários:

  1. ...lindo gostei, apesar de longo. Mas nota-se que te vai na alma e que é um porto de abrigo ;-)))
    beijão grande
    Elsa Abreu

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  2. Olá Elsa!
    Que bom que gostaste! Escrever é isso mesmo, um porto de abrigo. Como ficar no centro do furacão. Os ventos agreste sopram á volta, mas enquanto estivermos no centro do furação, não nos conseguem tocar...
    Beijinhos para ti,
    Glória

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