sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Para a minha amiga Paula

(sim, para ti mesma, Paulinha)

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.

A Paula, que já é minha amiga desde os tempos em que eu ainda não usava soutien, nem sonhava vir a ter uma multidão de namorados.
A minha melhor amiga da escola. Aquela tal amiga especial, que nós raparigas sempre gostamos de ter. Com quem eu passava os intervalos, os tempos mortos dos horários, os furos, as horas em que os professores faltavam… a que sabia todos os meus pequenos e grandes segredos, todos os meus medos, as minhas alegrias e as minhas tristezas.
Ela que era já naquela altura, não tanto como hoje, linda! Alta, elegante, bem vestida, de cabelos bonitos... Confiável, carinhosa, confidente, meiguinha… A melhor “melhor amiga” que alguém poderia querer.

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.

A Paula, que mudou de escola, e desapareceu da minha vida durante tantos, tantos anos! Durante quase trinta anos… Mas de quem eu nunca me esqueci. De quem a vida me separou quando éramos ainda meninas, ainda cheias de ideais, de aspirações, de vontade de comandar o destino, com os corações repletos de cantores preferidos, de amores proibidos, de paixonetas escaldantes…
A quem eu reencontrei, quase por acaso, quase por um golpe de sorte, ou quase por um golpe de magia do destino. Que me foi devolvida depois de tantas peripécias de caminho, de tantos encontros e desencontros com o mundo, com as pessoas do mundo, depois de tantos encontrões que a vida nos deu a uma, e á outra.

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.

A Paula que continua igualzinha ao que sempre foi. Igualzinha ao que me lembro dela, com o mesmo sorriso de alegria, os mesmos olhos sonhadores, o mesmo entusiasmo bonito na voz. Que é tão fascinante por fora, como é por dentro, que merecia um amor maior do que o mundo, se os homens não fossem cegos e se a vida fosse um bocadinho mais justa. Mas que é tão feliz, tão bem sucedida, tão cheia de êxito, e de sucesso…tão querida e tão acarinhada pelos que têm o privilégio de privar com ela…

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.

A quem eu procuro sempre que estou desesperada e triste. No ombro de quem choro sempre as minhas mágoas, e as minhas desventuras. A quem eu escrevo emails longuíssimos de madrugada, quando me sinto perdida demais neste mundo estranho. A que me diz que eu posso telefonar a qualquer hora, e que eu tenho a certeza que me atende mesmo o telefone a qualquer hora. Para perto de quem corro quando me maltratam muito, e me deixam triste a chorar. A quem eu conto todos os meus disparates, todas as minhas fantasias, todas as minhas faltas de senso…
A Paula que nunca me manda calar, que nunca me diz para ter juízo. Que nunca se ri das minhas esperanças, nem condena as minhas fantasias Nem se indigna com as coisas loucas e desvairadas que eu faço, mesmo as mais malucas, mesmo as mais impensáveis. Aquela que me anima sempre, que me diz que vai correr tudo bem, que me consegue fazer voltar a sorrir, mesmo antes de as últimas lágrimas pararem de cair. E mesmo assim, apesar de toda a barafunda sem explicação, e sem lógica nem sentido, que eu sou, ainda gosta de mim…

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.

Obrigada por estares comigo, Paula. Obrigada por seres minha amiga. Por gostares de mim e teres paciência comigo. Por me aturares, me escutares, me dares esperança. Obrigada por tudo o que foste, és e serás sempre para mim!
Não sei como será a minha vida amanhã, não sei para que porto me irão atirar os ventos do destino, nem quantas tempestades terei que enfrentar ainda, mas se nos voltarmos a separar, se nos perdermos uma da outra de novo, fica sabendo que gosto muito de ti! E que és a melhor “melhor amiga” que alguém pode ter. E que não te vou esquecer, como não te esqueci desta vez. Se nos desencontrarmos outra vez, assim que puder, procuro-te de novo e vamos beber café, numa dessas pastelarias da vida. No Poney, no Talismã, na Flor da Granja, na Evian… e mesmo as que já não existem, vão estar lá de portas abertas para nos receber, porque connosco sempre foi assim, o faz de conta veio sempre primeiro do que tudo o resto. “Faz de conta que ele olhou para mim, faz de conta que ele gosta de mim, faz de conta que vamos ser felizes…””

E fica sabendo também que ter-te reencontrado foi uma das duas melhores coisas que me aconteceram desde há muitos, muitos anos. A outra melhor coisa que me aconteceu, tu sabes qual é, e é mais uma das minhas loucuras…

Hoje não me apetece fazer versos.
Nem me apetece fazer rimas com as palavras.
Hoje apetece-me falar um bocadinho da minha melhor amiga, a Paula.


Ai Paulinha amiga, estou tão triste… O tempo está-se a acabar. Não consigo saber se ainda há mais capítulos. Esta incerteza dá cabo de mim… É isso mesmo em que estás a pensar… e ainda muito mais que nem me atrevo a imaginar.
Um dia destes passo aí, para almoçarmos juntas.
Beijinhos,
Glória

2 comentários:

  1. Gloria, adorei a tua partilha sobre a tua amiga Paula. Todas nós deviamos ter o previlegio de termos uma amiga Paula como a tua, ou melhor dizendo,ter uma amiga GLORIA como tu. Tu és de facto uma AMIGA com letra grande. Não te conheço pessoalmente mas tenho por ti uma enorme estima e grande admiração. Um beijo grande com muita amizade.
    Fernanda Caseiro

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  2. Olá, Fernanda Caseiro. Boa tarde!
    Muito obrigada pelo teu comentário! Fico muito contente em saber que tens assim uma opinião tão boa sobre mim! A minha amiga Paula é a minha melhor amiga dos 14, 15 anos, que voltou de novo para a minha vida, da forma simples como as coisas boas sempre nos acontecem... E tens razão, Fernanda, todos devíamos ter uma amiga assim, alguém em quem confiar, alguém que goste de nós sem ligar muito aos disparates, e ás loucuras que possamos fazer.
    Obrigada pelo comentário, e pelas palavras bonitas, Fernanda.Também simpatizo muito contigo!
    Muitos beijinhos para ti.
    Glória

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