sonhando, escrevendo e imaginando

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tenho os meus segredos

Eu sou difícil de conhecer…
Difícil de decifrar,
Difícil de entender…

Não chega saber que sou alegre,
E que gosto de sorrir
Porque logo depois
Já estou a chorar,
Já sou incapaz de rir.

Não é suficiente imaginar
Quanto tempo vou levar
Até me passar,
Até me recompor,
Até me refazer,
Porque até esse tempo de ter tempo,
É desfasado do relógio de mim.
É um não ter tempo cronometrado
Por tantos não sei quês,
Que nenhum calendário do mundo,
Consegue registar os meus dias,
Nem os anos dos meus porquês.

Não basta ver-me a andar
Para ter a certeza de que estou a vir.
Mesmo esse andar que me parece trazer
Me leva para mais longe
Do que a lonjura que eu consigo ver…
E enquanto me julgam aqui,
Fiquei afinal,
Nem cheguei a sair...

E por eu ser desta forma tão louca e insana,
Sem cura nem remédio,
De doidice tamanha,
Tudo o que anda e mexe junto comigo,
Vive assim pendurado do meu não ser.
Na mesma desinquietude,
Na mesma confusa realidade,
Aonde passo a minha vida,
Que é só a realidade aonde consigo viver.

E os beijos, e as carícias
São paragens do caminho.
E os prazeres e as paixões,
São chamas que adormecem no braseiro
Do meu ser.

E o meu coração,
Ah esse é muito mais do que um órgão.
É uma rua cheia de cor,
Aonde habitam lado a lado,
Em comunhão de mesa farta, a felicidade e a dor.
E o meu corpo é feito só de amor…

Não é fácil ficar-me a conhecer.
Não é sempre assim bonita a minha maneira de ser…
Mas faltam-me as palavras quando quero prevenir,
Falta-me o saber como dizer
Não sei como avisar
“-Não te chegues a mim, não te aproximes.
Não sou flor boa para cheirar.
Sou bonita mas tenho espinhos, posso picar,
E tenho feridas antigas por baixo da renda da minha lingerie,
Que podem abrir
Que podem sangrar.
Cicatrizes mal disfarçadas
De batalhas que perdi,
Doutras que nem cheguei a lutar.
Tenho pétalas fracas,
Posso-me desfolhar…”

Não me ponham numa jarra,
Mesmo que tenha água no fundo.
Morro de tristeza se me prenderem,
E não sou capaz de respirar a água parada
Que existe nos grandes lagos,
Sou mulher de mares bravios e revoltos,
Mas quando á deriva, esperneio,
E luto para encontrar a costa e descansar.
Ao mesmo tempo que fico com saudades
Do espaço, do sal,
Do céu e do mar,
Que existem novos só para mim
Nascidos de fresco, e virgens todos os dias,
nas areias das minhas praias sem fim…

E mesmo enquanto fujo para a rua, sonho em que me peçam para ficar.
E mesmo enquanto digo que não,
O meu coração queria forçar-me a aceitar…

E quando me debato,
Quando reajo,
Quando puxo o braço para me soltar,
Até aí quero que me encostem na parede,
Me segurem com força,
Me levantem a saia,
Me cubram de beijos selvagens,
Me invadam,
Me façam parar de lutar,
Me façam querer mais,
Me façam gemer e me façam gostar..

E quando a minha boca foge do beijo,
E o meu corpo teima em recusar
Tudo o que queria
Era que houvesse um poder
Para me convencer a ficar.
E queria que eu não fosse assim tão livre,
Tão selvagem,
Tão solta,
Que não vivesse perdida como uma barata tonta,
Que vai de encontro aos móveis da sala,
Porque não encontra a porta
Que está ali aberta mesmo ao lado
Para conseguir escapar.

            Até tu, não podes garantir se eu sou mesmo aquela a quem fizeste delirar…


Open book,
é só para quem souber ler…:))) para quem souber decifrar…

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