sonhando, escrevendo e imaginando

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ter calma... não sei esperar

Tem calma, aprende a esperar…
De novo!
Sempre me recomendam para ter calma,
Para esperar…
Mas não sei fazer assim…
Não sei dar tempo,
Nem sei sentar e ficar a olhar.

E quando quero,
Quero logo.
E quando vou fazer,
Faço logo.
Não consigo parar,
Observar,
Ponderar.
Não aprendi a esperar.

O meu querer é um querer num segundo,
Como se a vida acabasse,
Como se fosse sempre
Véspera do fim do mundo.
E não houvesse depois,
Nem amanhã garantidos.
E não tivesse mais do que hoje,
Do que agora,
Para unir num, todos os gritos,
Que me fugiram do peito,
Que andam perdidos…

 Resguarda-te, protege-te,
Conhece bem primeiro,
Não arrisques,
Não saltes no escuro…
E não consigo,
E não quero.
E vou sem rede,
Sem protecção,
Sem testar o pára-quedas.
E salto porque sim,
Ou porque não.
Porque confio no coração.
E porque o coração,
Para mim é tudo.

Depois vais chorar de novo,
Depois vais ficar triste de novo…
Entra-me por um ouvido,
Sai-me pelo outro.
De novo, ou de antigo,
Se for bom um bocadinho,
Vai ser sempre como a primeira vez.
Se me fizer sonhar,
Se me fizer sorrir,
Só porque escolhi,
Só porque quis,
Que direito tenho a negar-me ser feliz?

Pensa no amanhã,
Pensa no que vem depois…
Depois é muito longe,
Depois posso já não ser quem sou,
Posso já não me reconhecer no que quero
No que faço
E nos sítios aonde vou.
Não quero pensar no amanhã
Longe demais, fictício demais!
Quero já
Quero agora!
Quero quando me der na gana!
O tempo foge e vai embora.
O próximo ano,
Está tão longe como a próxima semana…

 Sempre foste teimosa,
Nunca tiveste muito juízo…
E teimo porque sou sempre louca,
E teimo porque sei que a vida é pouca.
E aprendi que muito juízo não é preciso.
É preciso é correr atrás do tempo
Enquanto ele foge á nossa frente,
Agarrá-lo por um braço de repente,
fazê-lo parar o suficiente
Para nos dar boleia enquanto tem o motor quente…

Que importa o correcto,
O que é certo,
O que nos impõem?
Que importa seguir á risca
Esta e aquela, e todas as regras do mundo,
Se chorarmos de noite num deserto de não ter e não saber,
E não houver ninguém para nos vir socorrer?
Sim, porque o mundo não quer saber…
Mesmo que estejamos sempre a tentar agradar-lhe,
Nunca nos vem agradecer…
E vamos passar pela vida sem viver
E podemos ficar tristes até morrer…

Comigo não!
Comigo isso nunca vai acontecer…
Porque eu não aprendi a esperar,
Porque eu não sei ter calma,
Porque sigo sempre o que me vai na alma,
E nunca planeio o que vou fazer.

Falas assim porque andas perdida,
Não sabes o que queres da vida…
Sei sim!
Não tem muito que saber…
Quero poder sentir
A chuva e o vento,
Ou o sol a bater bem cá dentro,
Todos juntos a aquecerem-me o coração,
a molharem-me a alma
num tormento sem calma,
ou a despentearem-me o cabelo,
a levantarem-me a saia,
a brincarem
com a minha imaginação…

E quero ver o dia a nascer,
numa qualquer varanda sem precisar de balcão,
e ser dona das ruas e das esquinas,
como quando era menina,
e não havia fronteira nem portão.

E quero ser capaz
De manter a força audaz
De me deixar levar,
De me deixar ir,
Sem precisar de saber
O que vem atrás
Ou o que está a seguir…
Sem pedir garantias,
Nem atestados, nem assinaturas reconhecidas nos notários da vida.

Confiar porque gosto do sorrir,
Do falar,
Do que o coração me estiver a pedir.

E quero continuar a conseguir
Fechar os olhos e ser capaz de sentir
O bem que sabe um carinho,
Uma ternura ou um afago,
A maravilha que é dar um abraço,
Um beijo ou um pouco mais,
E perder-me de prazer,
De paixão, de tesão,
Quando estiver a fazer
Tudo aquilo que de bom pode acontecer,
Quando se quer,
Quando se é capaz
De seguir em frente sem se deixar perder,
Sem se preocupar com o que ficou para trás…

            E tu? Quando vais perder o medo de viver?

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