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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2012

Um estranho consolo

Há um estranho consolo em não esperar nada. Um estranho bem estar em não acreditar em mais nada, E descrer, E desandar, Não perceber, Desconfiar.
Existe um certo prazer em já não ter esperança, Uma certa atitude de varonil desafio, De enfrentar de peito aberto, De total confiança. Vá, não tenho mais nada! E agora? O que se segue? Eu? A própria vida? Tão só? Não há mais para levar? Nada mais para me tirar? Mostra-me lá, vá, Mostra aquilo de que és capaz!
Há um estranho consolo em não esperar nada, E em não precisar mais de chorar, De lutar, De procurar. Não, não é aceitar, É ainda assim um duelo, Um combate, Entre quem tirou tudo, E mesmo assim ainda bate, E entre quem ficou nu, Mas de pé, Abanando ao vento agreste da infelicidade.
Um desafio que não se ganha Nem se perde, Só se desenrola Só prossegue, Até á altura que for do fim. Até não haver mais eu, Até não ser mais depois de mim. E aí então, sim…
Há uma certa alegria em já não ter mais lágrimas para chorar… Não porque se acabou a tristeza, Mas porque se esgotou a noção d…

Má, mázinha!

Má! E ela tinha razão… Não é que eu queira ser má, Não é que eu faça por mal… Mas está sempre lá presente, O indicio, a semente, Algo que não se explica E só se sente… E faz de mim com que eu seja má, mázinha… Má!
Bem luto, Bem tento, Bem prometo, a mim própria, ao mundo, Ser diferente. Mas é inevitável, Como um susto que se pressente… Igual a um espectro que se enfrente Todos os dias, A todas as horas, Um diabrete ruim que se ri de mim, de contente… Má!
Quem queria fugir era eu. Quem precisava de respirar era eu. Quem não queria morrer mais, devagarinho, Era também eu. Só eu… Não tinha que ter trazido mais ninguém comigo. Não podia ter arrastado mais ninguém para uma guerra Que era só minha, Não devia ter provocado baixas em fileiras Alheias á minha batalha. Sem me importar, Sem querer saber, Sem ponderar. Como sempre sou, Como sempre faço… Má! Tão má…
Ela tinha razão… Um dia virá Em que hás-de ser a desgraça desta casa… Era assim, Ou era coisa parecida… Não me lembro bem, Tantos anos… Foi sempre assim durante toda a minha vida…

Anjo da Guarda dele

Anjo da Guarda dele, Toma conta dele por mim… Porque está lá tão longe, Está lá tão sozinho… Demora um bocadinho por perto dele, Ouve o que tem para dizer, Porque comigo ele ainda não quer falar… Vê o que podes fazer para ajudar. Se é preciso ajuda, Se basta conversar… Faz o que puderes para o animar… Ele merece, Anjinho da Guarda… Está a ser tão forte, Está a lutar!...
Não deixes que ele fique triste, Não deixes que esmoreça, Que se perca… Dá-lhe a mão, Empresta-lhe o ombro, Faz-lhe uma carícia no rosto. Como as que eu fazia… E ele gostava… Só com meiguice, Mais nada. Sei que és um Anjo, não entendes de paixões… Nem de desejos, nem de emoções…
Diz-lhe só que ele vai conseguir, Diz-lhe ao ouvido como é inteligente… Não te estou a ensinar o teu trabalho, Anjo da Guarda dele, É só que o conheço bem, E sei que fica confuso sem ninguém, E que estranhamente, Porque apesar de ser o mais brilhante, O mais maravilhoso também, Precisa de apoio, E de carinho… Para sentir que vai correr tudo bem.
Manda-lhe um smille todos os dias de …

“- E então, valeu a pena?”

“-E então, valeu a pena?”
Foi assim, Uma pergunta concreta, simples, Como ainda não tinha feito a mim própria…
E pensei em tudo que deixei para traz, E lembrei de tudo o que ficou na outra vida.
Vi-me de novo com vinte, vinte e poucos anos… Sozinha, de noite fechada, pela estrada escura de alcatrão ruim, Com pouca iluminação e os carros a passarem, E eu a andar! Quilómetros… ainda não tinha o meu latinhas… E eu que nem sou uma mulher medrosa, E que me rio de fantasmas e de assombrações, De ratos e de cobras, Tinha medo das sombras, dos barulhos Que vinham de dentro dos arbustos, Dos pássaros da noite que rasavam a estrada e piavam maus agoiros… Dos camiões que abrandavam, Dos camionistas que espreitavam… E eu andava, hirta e direita, A contrariar o meu balançar natural, Em passadas rápidas, militares, desajeitadas... Num não me aborreçam, não vos quero nada, e eles seguiam finalmente pelo negro da estrada.
Tudo porque tinha sido parva, Porque tinha ficado á espera… Talvez venha no comboio das sete, Talvez perde…

“- Mas do que é que estavas á espera?”

“- Mas do que é que estavas á espera?”
E eu nunca sei responder… De mais, de muito mais! Para além do óbvio, Para lá do que consigo sentir… Quero sempre mais, Espero sempre demais.!
Depois, Quando me perguntam do que estava á espera… Quando não percebem o brilho de desconsolo nos meus olhos, O retrair do corpo passado o momento, Nunca sei responder… Nem vale a pena. Nenhum deles teria a capacidade de perceber.
Sei que não é só isso que quero. Calor, aperto, bom, prazer, ardor… Passa. Acaba logo, esfria depressa. Sei, É gostoso… Faz suspirar, Faz gemer, Faz arquear o corpo á procura de mais, Á procura de tudo. Pouco, mas é tão pouco… Passa o ultimo suspiro, Passa o ultimo tremor, Some, desaparece, Muito aquém do amor…
“- Mas do que é que estavas á espera?”
Um homem, Uma mulher… Sozinhos, Perto, juntinhos… Mãos, abraços, Bocas, beijos molhados, Uma mão, um afago, Um dá-me calor, Um faz-me sentir… Não chega, Não satisfaz, Não faz querer mais do que fechar os olhos, Mexer o corpo, pedir… Não toca o coração. Não acaricia a alma. Não …