sonhando, escrevendo e imaginando

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Desculpa, eu não sabia...

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

Pensei que estavas a ser fraco,
Acomodado,
Medroso…
Julguei que tivesses preferido o conforto do conhecido,
O aconchego do sem novidades.

E tinhas-me dito para confiar…
E tinhas-me pedido para ter paciência…

Mas também me mandaste embora,
E também me disseste que não valia a pena ter esperança…


Porque é que não falaste claramente comigo?
Quantas vezes vou ter que te explicar a importância de uma virgula,
De uma palavra mais para frente, ou mais para trás?
Eu podia não ter percebido, podia não ter entendido…
Podia não ter esperado…

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

E se fosse tarde demais!
Já pensaste nisso?
Podias já não me teres apanhado no caminho…
Podia já outro alguém me ter levado
Montada na garupa do cavalo branco para um palácio distante…
Podia já não haver nada de mim…
Podia eu estar perdida para ti…

Mas preferiste assim!
Homem complicado…

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

E mesmo assim,
Ainda dizes para eu desistir,
Ainda me deixas a porta aberta para eu poder sair…
Será que és tão inteligente e não percebes?
Será que não entendeste ainda?
Não posso desistir,
Não posso sair,
Não há um milímetro de mim que não pertença a ti.
Desisto e faço o quê?
Saio, e vou para onde
Se todo o meu mundo és tu?
E tu estás em tudo o que em mim existe…

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

Cala-te um bocadinho,
Pára de te justificar,
Não peças perdão,
Não tenho nada para te perdoar.

Vem!
Chega-te a mim!
Falas demais,
Pensas demais,
Aconselhas demais…

Quero lá saber…
Amanhã, depois, daqui a um dia…
Pára de falar comigo como se estivesses numa conferência,
Num discurso,
Sou só eu…


Comigo não há remorsos,
Nem culpa…
Tira o casaco, afrouxa o laço da gravata…
Deleita-te um pouquinho na tua obra.
Aprendi direitinho…
Um abraço, um afago, um carinho?

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

Mas lembrava-me de cada palavra tua,
Mas não me esqueci de nenhuma das conversas.
E acreditei sempre que és maravilhoso,
Honesto, sensível, doce, delicioso…

E mesmo quando me mandavas embora,
Eu conseguia ler que era para não ir.
E mesmo quando me pedias espaço,
Eu conseguia sentir que não era isso que estavas a pedir.
O tempo que precisavas…
Era para isto, não era?
Seu sem juízo, tonto, pateta?
Custava teres-me dito?

Desculpa,
Não sabia, não podia adivinhar…

E agora,
Podes parar de me mandar embora…
Eu não vou, sabes disso!
Podes parar de me dizer maldades, de me fazer chorar.
Já te apanhei!
Sei que estás a fingir!
Sei que se eu fosse,
Tu não me ias deixar ir...
Mesmo sem dizer,
Mesmo sem falar,
Ias-me pedir para ficar.
Eu sei, aprendi a decifrar….

Deixa de ser complicado assim!
Que trabalho me dás!
A vida não é um tratado,
Nem uma tese a ser defendida
É tão só a vida…
E está a passar depressa demais.

Caluda…
Beija-me,
Abraça-me.
Pára de fugir!
Pousa o teu olhar doce em mim,
Em paz…
Não fizemos mal nenhum…
Não há ninguém em parte alguma que nos queira castigar.
Não tenhas medo, eu estou aqui.
Dá-me a mão,
Deixa que te leve,
Vamos passear…

            De cada vez que penso que chegámos ao fim, vejo que nenhuma frase que te diga, vai ser a última para mim…

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